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Suposto fechamento da emergência obstétrica do HGF preocupa profissionais da saúde

Entidades de saúde solicitaram reunião com o secretário de Saúde do Estado para esclarecer informações sobre o fechamento. A Sesa informa que o atendimento funciona normalmente e não há documento prevendo alterações nos serviços da obstetrícia do HGF

17:35 | 09/09/2016

Profissionais de Saúde do Ceará têm se mobilizado desde a circulação de  informações, que correm nos bastidores do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), sobre o fechamento da emergência obstétrica da unidade hospitalar. A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) não confirma e garante que não há nenhum documento formalizando o fechamento, mas médicos e enfermeiros relataram a possibilidade aos sindicatos de suas categorias e temem pela população carente atendida na região dos bairros Papicu, Varjota e Mucuripe.

Segundo uma obstetra da unidade que prefere não se identificar, os rumores são de articulação entre a direção do HGF e a Sesa para a emergência funcionar "a portas fechadas", ou seja, apenas com os pacientes referenciados (encaminhados por outras unidades). "As pessoas da região teriam que se deslocar para fazer consultas nos hospitais do Centro e de Messejana. A maternidade do HGF atende pacientes de alto risco, além de ser uma unidade com formação médica. Fomos pegos de surpresa com essa decisão que irá prejudicar muito a população", frisa.

A fonte destaca ainda que o HGF possui UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) materna e neonatal que contribuem para a diminuição da mortalidade no Estado. "São informações que surgem desde agosto, então o corpo clínico está unido para impedir esse fechamento. Deixaria uma carência de leito grande, a emergência funciona de porta aberta para receber todas gestantes e também como triagem. Mesmo as que não têm o perfil da unidade, são direcionadas para a baixa complexidade", pondera.

A questão será pauta da próxima assembleia do Movimento Unificado dos Profissionais da Saúde do Ceará, oficializado na última quinta-feira, 8, para garantir melhorias na prestação dos serviços de saúde à população. O grupo reúne 11 entidades sindicais, dentre eles o Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), que também enviou ofício à Sesa solicitando uma reunião com o secretário de Saúde para esclarecer as informações de fechamento da maternidade.

"A informação [do fechamento] não foi confirmada pela direção do HGF, mas também não foi desmentida. A gente acredita que a medida esteja em evolução. A posição das entidades de saúde é unânime contra esse fechamento", defendeu a presidente do Simec, Mayra Pinheiro.

Para Mayra, outro problema é a possibilidade de transferir uma emergência que é estadual para municipal, gerando “enorme conflito financeiro”. “A data da reunião [com o secretário] não foi confirmada. Queremos que tudo isso seja esclarecido para que a discussão seja compactuada com a coletividade”.

O POVO procurou a Sesa, que além de não confirmar o fechamento, informou que o atendimento na unidade funciona normalmente. 

Transparência
O presidente da Cooperativa dos Ginecologistas e Obstetras do Ceará, Jáder Carvalho, alerta para a necessidade de transparência em um possível processo de alteração do funcionamento do HGF. "Tivemos uma reunião na terça com a direção do hospital e representantes da enfermagem e da medicina. Eu não sei se o fechamento da obstetrícia implicaria todo o serviço ou se querem funcionar de portas fechadas. O que nós queremos é entender", argumenta.

Jáder acredita que as entidades de defesa da saúda da mulher devem ser chamadas para diálogo. "Caso o secretário mostre benefícios, poderemos apoiar, mas será preciso mostrar que essa medida não irá prejudicar a população. Precisa ter uma organização da rede de saúde", completa.

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