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Policiais proíbem entrada de comida levada por familiares para presos nas delegacias

A partir de agora, só serão distribuídas as duas refeições fornecidas pelo Estado. Outras medidas foram tomadas pela categoria para observar o descumprimento de legislações feitas cotidianamente pelos policiais

11:20 | 09/09/2016

O mais novo passo da Operação Polícia Legal (OPL), do Sindicato dos Policias Civis (Sinpol/CE), é restringir a entrada de alimentos enviados a detentos das delegacias da Grande Fortaleza. A partir desta sexta-feira, 9, somente a alimentação fornecida pelo Estado será distribuída aos presos. A medida já provocou um início de motim no 17º Distrito Policial (17º DP), no bairro Vila Velha.

 

Hoje, o Estado só fornece almoço e jantar aos presos, afirma Francisco Lucas, presidente do Sinpol. Ele aponta para o risco de objetos ilegais serem traficados para as delegacias, uma vez que não há efetivo para vistoriar as entregas — o que também não seria função dos policiais.

 
A medida se soma às ações realizadas desde terça-feira, 6, que têm como intuito pressionar o Governo do Estado para que irregularidades sejam corrigidas. Uma das principais denúncias é a superlotação das delegacias, que contariam com cerca de 600 presos — o que leva os inspetores a cumprirem funções de agentes penitenciários. A categoria também pleitea a reestruturação salarial, para que a remuneração esteja de acordo com a graduação superior exigida nos concursos.

 

Com a OPL, os policiais civis trabalharão somente conforme o estatuto da instituição, o que não vinha ocorrendo, denuncia o Sinpol. Com isso, dentre outras medidas, delegados deverão estar presentes em cenas de crime, assim como em cumprimentos de mandados de busca e apreensão e precisarão tipificar e assinar boletins de ocorrência. Também consta na OPL a não utilização de materiais em mau estado de conservação nem de materiais próprios — o que inclui armas, viaturas e coletes balísticos. As medidas devem causar lentidão nos atendimentos na delegacia, afirma Francisco Lucas, que pede a compreensão da sociedade para os problemas enfrentados. A categoria se soma aos peritos, que também praticam ações semelhantes, com a Operação Perícia Legal.


Na próxima semana, está marcada uma reunião na Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag) para que seja feito o estudo de repercussão salarial. Francisco Lucas criticou o Estado por já ter finalizado a negociação salarial dos policias militares, com base na média paga no Nordeste. O Sinpol exigia que as mensagens de reajuste fossem enviadas no mesmo momento.

Caso as negociações não avancem, o Sinpol não descarta fazer paralisações, pauta que deve ser decidida em assembleia no dia 21 de setembro, em frente à Superintendência da Polícia Civil do Ceará. Em reunião na segunda-feira, 12, a categoria decide novos atos da operação.

                                                                                    Redação O POVO Online

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