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Festa na Praça dos Leões acaba com confusão e detenções

Duas jovens foram detidas por suposto desacato policial. GMF utilizou bombas de efeito moral e balas de borracha. Conflitos também foram registrados na Praça da Gentilândia

13:37 | 17/09/2016
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Uma festa realizada na Praça dos Leões, no Centro de Fortaleza, terminou com pelo menos duas pessoas detidas e vários relatos de agressão por policiais militares e guardas municipais, na madrugada deste sábado, 17. Segundo testemunhas, a confusão começou por volta da 1 hora, quando um jovem foi preso por suspeita do furto de um celular. 
 
Duas jovens que haviam acabado de chegar ao local, e presenciaram a prisão do suspeito, teriam se queixado da forma violenta como o homem estava sendo levado por policiais militares da Força Tática de Apoio (FTA). Ambas acabaram detidas e conduzidas para a delegacia.
 
Uma das jovens detidas conversou com O POVO. Ela preferiu não se identificar e relatou que um dos policiais levou a amiga pelos cabelos até a viatura, sob acusação de desacato à autoridade. Já ela teria sido levada ao 34º Distrito Policial, também no Centro, por estar “falando demais”.
 
A jovem afirma que ambas foram obrigadas a prestar depoimento na presença dos policiais e, em seguida, foram ameaçadas ao ler o documento que seria assinado por elas. “Foi completamente surreal. Ele disse ‘olha, sua vagabunda, você assine sem ler, senão vai pro xadrez’”. A testemunha disse ainda que não foi informada sequer da motivação oficial pela qual foi detida.
 
Confusão
 
A festa foi encerrada mais tarde, por volta das 4 horas, quando agentes da Guardas Municipal de Fortaleza (GMF) teriam chegado ao local. Após desentendimento com algumas pessoas, o grupamento efetuou disparos de balas de borracha e utilizou spray de pimenta para dispersar os participantes da festa. Testemunhas também relataram episódios de agressão física.
 
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No Facebook, várias pessoas divulgaram vídeos e relatos de que os policiais que efetuaram as detenções teriam retornado à praça e agido de forma agressiva. O conflito ocorreu em frente ao bar Lions “sem nenhum motivo. Não houve briga, nem alarde do público de mais de mil pessoas presentes na Praça dos Leões”, dizia uma das postagens.
 
O POVO entrou em contato com o 34º DP. Os policiais, contudo, afirmaram que não poderiam prestar informações. Por meio da assessoria, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que eventuais casos de abuso devem ser comunicados à Controladoria Geral de Disciplina (CGD).
 
Já a GMF informou, por meio de nota, que foi atacada por um grupo de pessoas, com garrafas, paus e pedras, enquanto tentava solucionar uma confusão entre um taxista e uma mulher no entorno da praça. A guarda confirmou o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar o grupo e detalhou que haverá “rigorosa apuração” dos fatos. Destaca ainda que a presença de guardas nas praças atende a denúncias frequentes de uso de drogas, abuso de álcool, uso irregular do espaço público e poluição sonora.
 
Gentilândia
 
Na mesma madrugada, um outro tumulto foi registrado nas redondezas do Centro e bairro Benfica. Presentes relataram que houve correria e confusão na praça da Gentilândia devido a um rapaz que estaria fazendo uso de entorpecentes no local e que havia sido levado por guardas municipais, gerando indignação de presentes.
 
A Guarda Municipal afirma que havia uma equipe na praça da Gentilândia para fazer a segurança do local e foi solicitada a fazer a desobstrução de uma via. Durante o procedimento, uma briga entre frequentadores teria gerado a necessidade de intervenção policial. Os guardas teriam sido desacatados e, assim, foi preciso que fizessem uso moderado da força para dispersar o tumulto. "Um homem foi conduzido ao 34° DP, onde foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência, por desacato e incitação à violência", afirma a Guarda em nota.
 
Denúncia
 
A SSPDS informa que pessoas que desejarem prestar denúncia de supostos excessos praticados por agentes de segurança pública, podem procurar a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) e formalizar a denúncia. 
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