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Comerciantes da rua Pergentino Maia criticam as intervenções urbanas entregues no último sábado

As mudanças que ocorrem no bairro fazem parte da primeira etapa do Binário. Para os lojistas, as mudanças, como a implantação da ciclofaixa, têm prejudicado o embarque e desembarque de produtos e clientes no entorno

16:30 | 21/09/2016
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[FOTO1]As mudanças nas ruas e avenidas do bairro Messejana, executadas na primeira etapa do Binário e entregues no último sábado (17), não estão agradando empresários locais. Para eles, o projeto não considerou a vocação da região para o comércio.

 

Eles argumentam que a implantação de uma ciclofaixa de sentido duplo, por exemplo, tem prejudicado o embarque e desembarque de seus produtos e dos clientes. Além disso, há trechos em que é proibido estacionar, prejudicando a movimentação. Neste primeiro momento, algumas vias passaram a ter sentido único, nova sinalização de trânsito, recapeamento asfáltico e ajuste de calçadas.

 

Dona de um salão de beleza na rua Pergentino Maia, Eugênia Lucena, se sentiu prejudicada com as intervenções. Para ela, não tem como os seus clientes estacionarem seus veículos próximo ao seu comércio já que de um lado possui a ciclofaixa e do outro uma parada de ônibus. "Foi colocado a faixa (para estacionamento) do outro lado da via, mas continua a placa de proibido estacionar. Antes a gente poderia estacionar aqui em frente e agora não”, detalhou ao O POVO Online.


[SAIBAMAIS]


Outra comerciante também critica o projeto.Tatiana Samya, proprietária de uma loja de aluguel de roupas de festas, disse ao O POVO Online que a falta de estacionamento tem exposto ainda mais os seus clientes a assaltos já que não podem mais estacionar seus carros em frente ao estabelecimento. “Agora, os clientes têm que colocar em ruas mais afastadas e vestido de noiva tem muito volume”, comentou Tatiana. Além disso, o abastecimento de mercadorias também foi prejudicado já que não há local para o desembarque. “O descarregamento de tecidos também ficou muito complicado para a gente porque se paramos aqui em frente vem a AMC e multa”, completou.

 

Por outro lado, há quem tenha aprovado as mudanças. O músico Emanuel Aciole, por exemplo, acredita que a implantação da ciclofaixa tenha trazido mais segurança para o tráfego de ciclistas. “Facilitou muito a vida dos ciclistas, pois antes a gente disputava o espaço junto com os carros. Era uma loucura. A gente circulava na contramão. As pessoas não respeitavam. Tínhamos que descer da bicicleta e andar empurrando em alguns quarteirões. Agora, consigo chegar onde quero no bairro pela ciclofaixa”, afirmou.

 

Ele acredita ainda que com a implantação outras pessoas vão adotar o hábito de circular pelas ruas de bicicleta. O administrador financeiro João Batista também aprovou a mudança. Ele costuma se locomover do bairro Guajerú para o centro da Messejana de bicicleta, equivalente a um percurso de 2,5 km. “A ciclofaixa trouxe mais rapidez no percurso. Eu vim do Guajerú e o percurso foi tranquilo’’, explicou.

 

O secretário de Conservação e Serviços Públicos, Luiz Alberto Sabóia, afirmou ao O POVO Online que a ciclofaixa não impede o embarque e desembarque de passageiros. O que as pessoas não podem é estacionar no local reservado aos ciclistas. Além disso, ele comentou que projeto foi divulgado na imprensa e que levou em consideração a opinião da população “O projeto foi amplamente divulgado e foi realizado uma audiência na Regiona VI, ouvindo as pessoas do bairro”, disse. 

 

Alberto ressaltou que as intervenções nessa primeira etapa ordenaram o trânsito na região e que as mudanças não estão impedindo o estacionamento privado das lojas. “No centro de Fortaleza, você para o carro em um estacionamento próximo e caminha meia ou uma quadra. Aquela região (Messejana) possui essa mesma dinâmica. Antes, os carros paravam no meio da rua e agora o estacionamento foi ordenado, inclusive na Pergentino Maia. Não estamos impedindo o estacionamento privado da loja”, afirmou. Segundo ele, mais de 40 vagas de estacionamento público foram disponibilizadas na região.

 

O gestor também citou algumas ações que foram aplicadas para oferecer maior segurança para quem transita pelo local. São travessias de pedestres elevadas, calçadas alargadas e requalificadas. “Uma faixa diagonal vai ser implantada na próxima semana no cruzamento da rua Pe. Pedro de Alencar com a Tenente Jurandir Alencar, na altura da Igreja Matriz”, citou outra intervenção que vai ser implantada.

 

Sobre as críticas ao projeto, Alberto acredita que a população vai se acostumar e aprender a respeitar a nova sinalização. “Nessa intervenção em Messejana, colocamos elementos novos, como a faixa diagonal e a travessia elevada, que estão ajudando a modernizar a mobilidade urbana local. A população vai paulatinamente respeitar essas mudanças”, concluiu.  

 

Problema que pode virar benefício
Com a implantação de ciclofaixas e a padronização de algumas calçadas das ruas do bairro, o projeto prioriza o trânsito de pedestres e ciclistas no bairro. De acordo com o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil - Departamento do Ceará (IAB-CE), Custódio Santos, essas medidas fazem parte das regras dos planos de mobilidade urbana, na qual priorizam primeiro o pedestre, depois os ciclistas, transporte público e, por último, os veículos privados. Pare ele, o dilema dos comerciantes com as mudanças trata-se de uma ideia de que a venda está associada a facilidade de transporte do carro particular.


“Eles (comerciantes) relacionam a venda com a facilidade do carro em que o cliente chega na porta do estabelecimento, desce, compra e retorna. Essa ideia não tem condições porque as vias não vão ter a capacidade de absorver a quantidade de veículos”, explicou ao O POVO Online. O presidente exemplificou situações de outros bairros em que essa visão causa problemas para a mobilidade urbana. “No Montese, os carros paravam as calçadas e os pedestres tinham que andar na rua, competindo espaço com os carros”, exemplificou.

 

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Apesar das críticas pela falta de estacionamento próximo aos estabelecimentos, Custódio enxerga que esse fator pode ser positivo para os comerciantes já que vai exigir calçadas maiores, que viabilizem o fluxo de pessoas. “Os carros precisam ficar afastados para que as calçadas fiquem mais livres. Isso vai favorecer as lojas porque vai condicionar as pessoas a andar mais nas ruas, aumentando o fluxo comercial. No momento em que o cliente para na porta do estabelecimento, ele fica preso somente àquela loja. Com as calçadas, não. A pessoa vão circular mais pelas ruas comerciais”, ressaltou.

 

Essa lógica é a mesma utilizada por shoppings ou por ruas comerciais, como a Monsenhor Tabosa. Entretanto, é necessário de mais intervenções para que esse modelo seja alcançado nesses bairros comerciais. “Precisamos ter outro patamar de transporte coletivo e alargar as calçadas, pois a tendência é que o carro seja usado cada vez menos”, concluiu.

 

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