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Urbanização desordenada trouxe impactos negativos para a vida marinha da orla de Fortaleza

Pesquisadores compararam a quantidade de espécies de peixes em diversas praias do Ceará

19:25 | 21/07/2016
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A falta de planejamento urbano, especulação imobiliária na orla e instalações de quebra-mares trouxeram efeitos negativos para a vida marinha da orla de Fortaleza. Segundo o estudo realizado pelo Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), as interferências humanas próximas na orla reduzem o número de espécie no litoral do Ceará, prejudicando ecossistema marinho.

Os pesquisadores compararam o número de espécies marinhas, como algas, corais, entre outros, nas praias do Meireles, em Fortaleza; de Iparana e do Pacheco, na Caucaia; do São Gonçalo do Amarante, na Taíba, e do Paracuru. Os estudiosos levaram em consideração a presença de portos, currais de pesca, bares e restaurantes na faixa de praia, esgotos clandestinos entre outras interferências humanas.

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O resultado apontou que a urbanização desordenada próxima ao litoral e na faixa de areia contribui para a redução de espécies marinhas. “Nas áreas com maior número de atividades, como Fortaleza, constatou-se um menor número de espécies. Nas áreas com menor número de impactos, como Taíba, a biodiversidade é maior”, afirmou um dos autores da pesquisa, o biólogo Pedro Carneiro.

A pesquisa ressalta a necessidade de planejamento ambiental com a riqueza marinha do litoral cearense, que é pouco conhecida. “O estudo ressalta a necessidade de planejamento ambiental para conservar as espécies e as atividades econômicas que dependem dela, como a pesca”, explicou o professor do Labomar e integrante do estudo, Marcelo Soares.

Especulação imobiliária
A intensa urbanização desordenada na orla de Fortaleza deve-se a uma ideologia de status de morar de frente ao mar. Segundo o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil - Departamento do Ceará (IAB-CE), Custódio Santos, esse modelo surgiu com a influência da televisão que mostrava a orla de Copacabana e de Ipanema. “Virou febre ir morar na praia. As pessoas deixaram de morar em casas para morarem em edifícios de frente ao mar. Tudo isso trouxe problemas de urbanização para a faixa litorânea”, explicou em entrevista ao O POVO Online.

O presidente também aponta que o litoral de Fortaleza é ‘’descontínua” devido à grandes construções, como o Porto do Mucuripe. “Você não tem uma orla contínua e isso muda os movimentos das correntes, afetando o habitat das espécies marinhas”, complementou.

Redação O POVO Online

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