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Guardas municipais suspendem greve que começaria hoje

Categoria permanece em estado de greve, mas efetivo continua trabalhando normalmente. Sindicatos reclamam de ações da Guarda Municipal para impedir o início da greve

10:41 | 23/07/2016

A greve dos agentes da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), marcada para ter início na manhã de hoje, foi suspensa pela própria categoria ao relatar desmobilização dos guardas por temor de represálias. Os agentes continuam em estado de greve e devem fazer, na manhã da próxima quarta-feira, 28, Ato Assembleia para protestar pelo direito de greve. Conforme os sindicatos que representam os agentes de segurança, Prefeitura agiu para impedir a ação da categoria.

A greve que teria duração indeterminada começaria hoje com realização de assembleia geral da categoria na sede da GMF, às 8 horas. Cerca de 20 pessoas compareceram, incluindo dirigentes sindicais. A base para apresentação do efetivo no início do expediente foi descentralizada em outros três pontos para enfraquecer o movimento, afirma o inspetor Jamal Forte, presidente do Sindicato dos Agentes Municipais de Segurança Pública do Estado do Ceará (Sindiguardas). Segundo Forte, os pontos foram deslocados para a Regional I, para o Paço Municipal e para a sede da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb).

Os guardas reunidos na Emlurb deliberaram pela suspensão da greve e pelo ato a ser realizado na próxima quarta-feira, informa o Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Municipais de Fortaleza (Sindfort). A entidade afirma ainda que a direção da GMF transferiu guardas de inspetorias e ameaçou abrir processos disciplinares contra servidores à frente do movimento em luta por melhores condições de trabalho.

Dentre as reivindicações, a categoria pede garantia de segurança durante o trabalho, com distribuição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A apuração dos atentados contra a sede da Guarda também é pedida pelos sindicatos, além do início do processo de capacitação para uso de armas de fogo pelos agentes. Recentemente, a Prefeitura encomendou um relatório sobre possíveis impactos que o uso de armas de fogo traria à Guarda Municipal e à Cidade.

Conforme Jamal Forte, presidente do Sindiguardas, a categoria exige um diálogo com o prefeito Roberto Cláudio para que este processo de armamento seja iniciado com um convênio entre Prefeitura e Polícia Federal para que a GMF capacite os agentes e faça o processo licitatório de compra de armamentos. Uma vez iniciado, o trâmite levaria cerca de um ano, estima Forte.

 

Secretário rebate 

O secretário municipal da Segurança Cidadã, Francisco José Veras, confirma o deslocamento das bases de apresentação do efetivo para sede da Emlurb e outros pontos. Segundo Veras, a medida foi para evitar uma prática do sindicato em fechar os portões da sede e impedir a saída dos agentes para o trabalho. Para o secretário, seria uma estratégia do sindicato para conseguir adesão à assembleia. A descentralização da Guarda em outros pontos, ainda segundo Veras, já ocorre nos últimos dois anos com bases próximas ao Castelão e à rua Guilherme Rocha, no Centro.

Por telefone, o secretário rebateu as afirmações de que a Prefeitura tentaria desmobilizar o movimento. Com 2,2 mil agentes na Guarda, ele calcula que cerca de 1,5 mil servidores estão de folga nesta manhã e poderiam participar da assembleia geral sem precisar estar nas bases descentralizadas. Ele não informou datas para reuniões ou negociações com os sindicatos e afirmou que uma das principais reivindicações, pelo armamento dos agentes, está em estudo por um grupo de trabalho.

Na fase final de elaboração de relatório, ele estima que o estudo sobre o impacto do uso de armas deve ser apresentado a RC até a segunda quinzena de agosto. A intenção é fornecer base para decisão a ser tomada pelo prefeito. O porte de armas para a Guarda Municipal é previsto desde 2003 na lei 10.826, sancionada pelo ex-presidente Lula.

 

Redação O POVO Online

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