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Cearenses conquistam medalha de ouro em Campeonato Internacional de Jiu-Jitsu

A competição aconteceu entre os dias 2 e 5 de junho deste ano com atletas do mundo todo. O Ceará foi representado por seis lutadores

08:13 | 08/06/2016
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Dois atletas cearenses subiram ao lugar mais alto do pódio nos Estados Unidos. Durante o Mundial de Jiu-Jitsu da IBJJF (Internacional Brazilian Jiu-Jitsu Federation) realizado em Long Beach, no estado da Califórnia, João Gabriel Batista de Sousa e Victor Hugo Costa Marques, conquistaram o primeiro lugar com a faixa roxa. Gabriel na categoria galo e Victor na categoria superpesado e no absoluto (que contempla todos os pesos dessa faixa).

Gabriel conseguiu a medalha de ouro ao disputar a final da sua categoria com o americando Deandre Corbe. Já Victor primeiro se consagrou campeão em sua categoria ao derrotar o húngaro Kristóf Szucs. Em seguida, na disputa do peso aberto, o lutador mais uma vez mostrou sua força ao superar o brasileiro Fábio Angnes Alano e ficar com o ouro novamente.

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O POVO Online conversou com os vencedores, seus treinadores e familiares sobre as conquistas e as lutas enfrentadas diariamente por eles.

João Gabriel é morador na comunidade Morro do Ouro, no bairro Jacarecanga. O jovem de 19 anos é de família humilde. Mora com a mãe Maria Lúcia e quatro irmãos. Mesmo tendo praticado vários esportes, como atletismo, futsal, capoeira e judô, foi no Jiu-Jitsu que ele se encontrou. “Nunca tive talento, porém sempre investi em muitos treinos”, afirma o rapaz.

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Cris Emanuela Sousa, uma das irmãs, conta que ele conheceu o Jiu-Jitsu por intermédio do irmão mais velho, Haroldo, que já treinava em um projeto social no bairro.

Segundo a irmã, Gabriel começou a treinar bem novo e, depois que ganhou a primeira faixa, começou a se interessar mais e mais pelo esporte. “Ele estudava e treinava. Depois começou a ir atrás de patrocínio, porque nós não temos condições de arcar com os custos dos campeonatos”, disse Cris.

Victor Hugo compartilha com Gabriel algumas semelhanças. Eles, que possuem a mesma idade, moram no Jacarecanga e já tiveram experiências anteriores com outros esportes. Encontraram no Jiu-Jitsu uma oportunidade de crescimento.

“Sempre pratiquei algum esporte, mas nunca me dei bem em nenhum. Quando conheci o Jiu-Jitsu vi que não era tão talentoso, então busquei me destacar pelo esforço e, com o passar do tempo, esse esforço foi dando frutos. É muito prazeroso colher os frutos que você vem plantando arduamente todo dia”, disse Victor.

Ele divide sua rotina de atleta com a faculdade de Nutrição e mora com os pais, Marcos Robério e Auricélia.

Obstáculos
“As dificuldades são diárias: manter uma alimentação saudável, suplementação, conseguir passagens aéreas e terrestres para ir até as competições em outros estados e países.” Gabriel lista vários obstáculos enfrentados pelos atletas que buscam se sobressair dentro do esporte. O jovem ainda desabafa. “Nunca tive incentivo algum da Secretaria de Esportes ou do Governo, mas eu consigo seguir em frente com minha família e amigos da academia, além de muitas pessoas que gostam de ajudar o próximo de coração.”

Ricardo Costa, treinador de Victor, ainda explica que “para essa última viagem ele [Victor] passou quase dois anos juntando o dinheiro que ele ganha nas competições”, reforçando que os campeonatos envolvem muitos custos e que por falta de apoio financeiro o lutador precisa contar também com a ajuda de amigos. “Fizemos aulões na academia para arrecadar dinheiro”, acrescenta.

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“Vivemos num país onde o esporte não é muito valorizado, e por incrível que pareça é sede das Olimpíadas”, avalia o pai de Victor. Ele afirma que está “ocorrendo um êxodo de atletas cearenses para as regiões sul e sudeste do país, e até mesmo para fora do Brasil. Tudo isso pela falta de apoio aos nossos atletas cearenses.”

A Família: apoio e reconhecimento
Victor conta como é importante a presença de seus pais na sua rotina. “Minha família me apoia muito e como pode. Eles [mãe e pai] se adaptaram a minha rotina de atleta, na alimentação, nos treinos e até me acompanham na preparação física. Sempre acreditaram em mim e posso dizer que são meu porto seguro”, declara ele.

"A conquista dele foi a primeira realizada por um cearense”, fala todo orgulhoso o pai de Victor.

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"Nós incentivávamos pouco, porque pensávamos que era apenas uma brincadeira”, explica a irmã de Gabriel sobre o apoio da família. “Mas ele nunca parou por causa do seu empenho, da sua dedicação. Ele foi ganhando as medalhas e querendo sempre mais”, completa.

E Gabriel apenas reforça.  “Sem eles [família] não conseguiria me manter no esporte. Eles me ajudam financeiramente, no meu psicológico. Devo tudo a eles.”

A irmã de Gabriel garante que ele é motivo de orgulho para a família toda e se emociona ao falar dele. “É fantástico, ele é nossa inspiração. É prova de que a superação pode acontecer. Não é porque a gente vem de uma família humilde que não possamos melhorar.”

O olhar do treinador
Ricardo e Victor treinam juntos na academia de Ricardo, a DBK Jiu-Jitsu. A parceria começou há cerca de cinco anos quando o atleta chegou lá levado por seu pai. “No começo ele não levava o esporte muito a sério, mas depois começou a ver um futuro no esporte e passou a se dedicar mais”, disse o treinador.

Jefferson Teixeira é treinador de Gabriel há cerca de oito anos. Ele explica que o lutador chegou até a sua academia, Gracie Barra Fortaleza Sul, através de um projeto social, o ‘Jiu-Jitsu em Boa Companhia’, por se destacar no esporte.

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“Gabriel é um caso a parte em relação a juventude. Ele é muito disciplinado, treina todo dia e eu não precisa chamar sua atenção. Ele é muito dedicado e se esforça por tudo. Ele faz rifa para arrecadar dinheiro, porque não tem patrocínio. Nas competições, tudo é muito caro”, conta Jefferson sobre o que faz ele ser merecedor de suas conquistas.

Conquistas
No Jiu-Jitsu, os dois atletas conquistaram títulos importantes nas suas respectivas categorias.

Em 2016, João Gabriel foi vice-campeão brasileiro, campeão pan-americano e, depois das cinco lutas disputadas por ele no Mundial de Jiu-Jitsu pela IBJJF (onde ele finalizou uma e ganhou as outras quatro por pontos), se tornou campeão mundial. E em 2015, foi vice-campeão mundial, campeão brasileiro e vice-campeão sulamericano.

Victor Hugo foi duas vezes campeão brasileiro (2015/2016), uma vez campeão sulamericano, e agora campeão mundial após dez lutas (onde ele finalizou seis e ganhou quatro por pontos). Todos os títulos conquistados na “principal confederação do esporte”, de acordo com ele. Já nas confederações menores, ele é bicampeão mundial, tetracampeão brasileiro e tricampeão pan-americano.

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