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Presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários nega incitação à violência

Valdemiro disse que o vídeo foi divulgado após o término da greve e, por isso, não teria contribuído pata a instabilidade dentro do sistema penitenciário. Ele também responsabiliza a Sejus pelo impedimento da entrada de visitantes nos presídios

12:16 | 30/05/2016
O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Ceará, Valdemiro Barbosa, falou pela primeira vez sobre o vídeo em que determinava à categoria que familiares de presos do sistema penitenciário do Ceará fossem impedidos de visitar os parentes. Em coletiva realizada na manhã desta segunda-feira, 30, ele negou incitação à violência ou comemorações sobre os tumulto registrados nos presídios.

Segundo Valdemiro, o vídeo foi divulgado após o término da greve e, por isso, não teria contribuído pata a instabilidade dentro do sistema penitenciário. "Aquele vídeo foi gravado no sábado por volta das 7 horas da manhã. Ele foi um vídeo direcionado exclusivamente à categoria dos agentes penitenciários, uma comunicação interna no grupo de WhatsApp que nós temos. Então em nenhum momento, a nossa greve que durou apenas horas, em nenhum momento aquele vídeo chegou ao conhecimento da massa carcerária durante o movimento paredista", afirmou.

Em uma coletiva de imprensa anterior, na última segunda-feira, 23, Valdemiro acusou a Polícia Militar de proibir a entrada das visitas nos presídios. Agora, ele disse que o Batalhão de Choque agiu de forma responsável e evitou uma "tragédia maior ainda".

Valdemiro afirmou que os agentes não tinham condições de mediar a entrada de visitantes. "Nós disponibilizamos um efetivo de 30%, conforme manda a legislação. Todos nós somos sabedores de que hoje, para custodiar cerca de 2 mil presos dentro de uma unidade prisional daquela, nós temos cerca de oito agentes penitenciários. Então o efetivo de 30% de oito dá no máximo três agentes penitenciários. Então nós não tínhamos como garantir a entrada dessas visitantes, e o Batalhão de Choque analisou a situação e, de forma responsável, evitou a entrada das visitantes", disse.

Responsabilidade
Valdemiro ainda disse, durante a coletiva desta segunda-feira, 30, que a ''responsabilidade de colocar as visitantes para dentro era da Secretaria da Justiça, que não colocou ninguém''.
"Tinha sido avisado com antecedência de mais de 72 horas de que a categoria disponibilizaria o efetivo de 30% conforme manda a legislação, e não tomou nenhuma atitude. Deixar isso bem claro pra vocês".

[SAIBAMAIS 4] O sindicalista afirmou que a greve foi comunicada com 72 horas de antecedência, conforme a legislação "Nós já participamos de várias outras greves aqui no estado do Ceará, acho que nos últimos quatro anos nós fizemos mais uns quatro movimentos paredistas. Nas outras oportunidades, a administração garantiu a entrada dessas visitantes, então se houve falha, se alguma negligência, foi por parte da administração que não tomou as providências cabíveis. Tanto os agentes penitenciários como a Polícia Militar tiveram a responsabilidade de evitar uma tragédia ainda maior", completa.

O POVO Online procurou a Sejus, que disse que não iria se pronunciar sobre as declarações.

Parabenização
No vídeo de 58 segundos, gravado dentro de um veículo Chevrolet, o presidente do sindicato “parabenizava” os grevistas “pelo grande movimento” que está se desenrolando e pedia: “Vamos impedir a entrada das visitantes”. E continua. “Porque, só assim, o governo do Estado atenderá nossas reivindicações. Estamos no aguardo do contato do governo. Queria mais uma vez parabenizar todas as companheiras e companheiros. Um abraço a todos e até a vitória sempre”, encerra com o punho cerrado.

Durante coletiva desta segunda, ele negou comemorações. "Pelo contrário, a gente apenas se dirige à categoria. É uma linguagem de sindicato, de sindicalista, pedindo para que os companheiros mantivessem o movimento, que nós estávamos aguardando uma proposta do Governo, como de fato aconteceu. Repito, em nenhum momento aquele vídeo chegou ao conhecimento da massa carcerária. Então, afirmar que o vídeo provocou toda essa instabilidade dentro do sistema penitenciário na realidade não é verdade, é uma falácia".

Ilegalidade
Segundo Valdemiro, a notificação da ilegalidade da greve chegou apenas na segunda-feira, 23, quando a paralisação já estava encerrada. "Quando eu cheguei para trabalhar no sindicato, tinha um oficial de justiça e eu fui notificado. Até então, a entidade classista não tinha ciência dessa decisão da desembargadora".

Com informações da repórter Thaís Brito
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