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Em celebração aos 70 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, ex-soldados cearenses e bairro Montese recebem homenagem

Seis soldados reformados da FEB estiveram presentes na cerimônia

21:30 | 23/05/2016
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Com olhos atentos para o telão, Raimundo Ximenes observava as imagens daquele abril de 1945. Era guerra em Montese, cidade distante 367 quilômetros de Roma, na Itália. O soldado reformado da Força Expedicionária Brasileira (FEB), hoje com 93 anos, foi um dos cearenses que saiu em missão para representar o País durante a Segunda Guerra Mundial. Algumas cenas da batalha foram mostradas ontem em sessão solene na Câmara Municipal de Fortaleza, que comemorava os 70 anos da tragédia. Raimundo e outros cinco ex-combatentes foram homenageados.

“Estão resgatando a memória da FEB, pois pouca gente sabe da nossa participação na (Segunda) Guerra (Mundial)”, afirma Ximenes. De acordo com ele, o evento é uma forma de agradecer não só àqueles “pracinhas” que deixaram seus afetos em Fortaleza para impedir que alemães conquistassem Montese, mas também aos familiares dos “heróis esquecidos”, como define.

Com batalha vencida pelos brasileiros, Ximenes, junto a colegas, decidiu homenagear a região que morava na Capital. Um ano depois dos conflitos, a localidade de Pirocaia, hoje Montese, recebeu o mesmo nome da cidade italiana em alusão à conquista do território pelo exército brasileiro. “A comemoração também é em homenagem aos 70 anos do bairro”, lembra um dos fundadores.

Conforme Kátia de Sousa, diretora do Instituto Cultural Montese e uma das presentes durante a cerimônia, é importante que as lembranças da hostilidade daquela guerra fiquem vigentes no cotidiano do fortalezense. Para ela, o bairro faz manter viva a história. “Temos feito esforço para levar às escolas essa verdade, que não é citada em nossos livros, não é lembrada”, lamenta. O Instituto gerencia um “pacto de amizade” entre a cidade de Montese, no norte da Itália, e o bairro de mesmo nome, em Fortaleza.

Homenagem

O ato de gratidão aos ex-combatentes foi requerido pelo vereador Deodato Ramalho (PT). Segundo Ramalho, é preciso lembrar que os soldados daquela época não eram pessoas preparadas para guerra, e sim “homens do campo, em situações adversas, que foram combater o nazifascismo (conjunção entre o fascismo italiano e o nazismo alemão)”.

De acordo com o vereador, há dois projetos tramitando na Casa. Um para a construção do Museu do Montese, que contará com acervo dos soldados reformados; e outro para instituir a Semana Memória-Histórica da Vitória Contra o Nazifascimo, em reverência aos expedicionários da FEB. As medidas ainda não foram aprovadas. “Neste projeto, tambémqueremos incluir os soldados da borracha, considerados os esquecidos dos esquecidos”, acrescenta.

Saiba Mais

Cícero David Ouro Preto, Raimundo Nonato Ximenes, Evaristo Fernandes de Oliveira, Geraldo Rodrigues de Oliveira, Francisco Bernardino da Silva e João do Carmo Tenório Filho foram os soldados reformados homenageados da FEB durante a sessão.

O feito heróico dos soldados brasileiros resultou na derrota da Alemanha, que dominava Montese até então. Iniciada em 1939 sob liderança de Adolf Hitler, a guerra teve fim somente em 8 de maio de 1945. Foi o maior genocídio praticado contra a humanidade.

À época, a FEB tinha mais de 25 mil guerrilheiros, entre oficiais e praças (soldados veteranos do Exército Brasileiro). Naquela ocasião, os brasileiros renderam mais de 20 mil alemães, obtendo o maior número de prisioneiros. Contudo, foram mortos mais de 400 brasileiros e 16 nunca foram encontrados. Seis mortos eram cearenses.

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