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Abaixo-assinado quer que foz da Sabiaguaba seja retirada de projeto do Parque do Cocó

Se área for incluída no projeto, cerca de 150 famílias poderão ser removidas. Moradores questionam que se trata de comunidade tradicional pesqueira. Local já é área de proteção ambiental

17:25 | 23/05/2016
Após ser incluída no projeto de regulamentação do Parque do Cocó proposto pelo Governo Estadual, a comunidade da Boca da Barra, na foz do Rio Cocó, na Sabiaguaba, corre o risco de ser removida do local. Como forma de mobilização, foi criado um abaixo-assinado virtual se posicionando contra a inclusão da área na poligonal do Parque. Moradores argumentam que a comunidade é tradicional e desenvolve atividade pesqueira no local, que já é Área de Proteção Ambiental. Governo afirma que foram realizados estudos na foz do Rio Cocó e que área não se trata de comunidade tradicional. 

O abaixo-assinado foi publicado nesta segunda-feira e pretende reunir 500 assinaturas. Até o fechamento desta matéria, cerca de 160 pessoas já haviam assinado. No texto do documento consta que a decisão vai de encontro com o que defende o Plano de Manejo da APA da Sabiaguaba. 
 
Na última reunião do Fórum Permanente pela Implantação do Parque Ecológico do Cocó (Fórum Cocó), realizada no último dia 27 de abril, esse foi o principal ponto discutido. Na ocasião, representantes da Área de Proteção Ambiental da Sabiaguaba questionaram a inclusão da Foz do local no Parque, o que pressupõe a remoção de 150 imóveis; criticaram que áreas privadas de grandes condomínios não constam no projeto e solicitaram a inclusão de outros locais preservados na área de parque.

Viviane Pinheiro, integrante da ONG Verdeluz argumentou que, na parte compreendida pela demarcação, a principal atividade é a pesca. “A comunidade vive do rio, então é a principal interessada em que o rio seja preservado. E me pergunto: Vai remover esses pescadores para onde?”, argumenta.
 
O titular da Sema, Artur Bruno, afirmou que nem todas as atividades na Foz da Sabiaguaba são de extrativismo socioambiental e que a remoção seria a saída para a recuperação do trecho. Ele se comprometeu a realizar audiência pública na comunidade que será realizada no próximo dia 27. Sobre as áreas particulares deixadas fora da poligonal, Bruno afirmou que não existem verbas para a inclusão. A redução de custos também foi apontada como justificativa para a exclusão de outras áreas já regulamentadas pelo Município.
 
Deliberações
 
Na proposta apresentada pela Sema, no último dia 14 de abril, o Parque Estadual do Cocó teria área total de 1.050 hectares, cerca de 400 a menos do que a poligonal sugerida pelo Fórum em abril de 2015. A última reunião do Fórum sobre a proposta do Parque ocorrerá neste sábado, 28, no Centro de Referência do Parque do Cocó. A ideia do Governo é iniciar o processo de regulamentação no dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. 
 
Redação O POVO Online 

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