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Polícia prende esposa e sobrinho por assassinato de empresário

A esposa e o sobrinho da vítima teriam encomendado a morte pela quantia de R$ 10 mil. Os familiares do empresário foram à DHPP, nesta manhã, protestar por justiça

14:50 | 17/02/2016
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A esposa e o sobrinho de um empresário do ramo de marcenaria, morto no dia 18 de março do ano passado, foram presos na última sexta-feira, 12, suspeitos de planejarem a execução do familiar. Antônio Lucieudo e Silva, 41 anos, foi atingido com um tiro na cabeça na rua Alberto Júnior, no bairro Castelão.  A Polícia tem um terceiro mandado de prisão contra Fernando Nascimento da Silva, 31 anos, suspeito de atirar na vítima.

Os dados foram apresentados pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira, 17, na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde os familiares e amigos da vítima protestaram por justiça. A investigação aponta que a esposa de Lucieudo, Lucivânia Abreu Marques, 34 anos, e o sobrinho José Deivanir Campelo da Silva, 27 anos, conhecido como “Dede”, mantinham um relacionamento amoroso. Até o momento, os dois estão negando o crime.

"Comprovamos que eles tinham um caso e, após a morte da vítima, viveram praticamente maritalmente. Os dois passaram todas as informações pro Fernando, que recebeu uma motocicleta e um revólver calibre 38 para o crime", explicou a delegada Socorro Portela, diretora da DHPP. A família começou a desconfiar da relação íntima dos suspeitos logo após a morte, pois ambos não compareceram ao velório e sepultamento de Lucieudo.

O empresário foi velado na casa duplex, em Horizonte, onde vivia com Lucivânia - apelidada de "Vânia". Antes do sepultamento em Solonópole, município dos pais de Lucieudo, a esposa viajou para Canindé. "Não foram com a gente pra nossa cidade, fomos juntando as peças e a ficha caiu. Meu pai e minha mãe se deslocaram quase 300 km só para estar aqui e reforçar que ele não pode ser solto", disse um dos irmãos da vítima, o marceneiro José Lucivan da Silva, 36.

O aposentado Cosme e Silva, pai de Lucieudo, lembrou que enterrou o filho no dia de seu aniversário de 86 anos, em 19 de março de 2015. “Ele [José Deivanir] é meu neto, mas a gente não vai dar cobertura. Eu quero justiça". "Ele não teve piedade do nosso irmão que estava na qualidade praticamente de pai para ele.  Fazia tudo por ele, dava mordomia", completou José Lucivan.

Maria Luciene, outra irmã da vítima, contou, muito emocionada, que Lucivânia tentou barrar a investigação. A família espera que os suspeitos sejam indiciados por homicídio triplamente qualificado - por motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e mediante pagamento. "Ele [Lucieudo] era um rapaz de uma família humilde que conseguiu alavancar uma condição financeira boa e isso chamou atenção. Nós iremos lutar pela condenação máxima", informou o advogado da família, Valber Paulo.

"Dizer de fato o motivo é muito difícil, mas tudo indica que eles queriam matar a vítima para ficarem juntos e com os bens do Lucieudo", explicou a delegada Socorro. O patrimônio da vítima, conforme a Polícia, era composto por oito casas em Horizonte, um galpão em Fortaleza onde funcionava uma filial da "Movelaria Astral", um caminhão pequeno e um carro Fiat.

Lucieudo e Lucivânia estavam juntos há 13 anos e eram casados há apenas um ano. Eles estavam tentando adotar um filho, mas a vítima foi assassinada antes que o processo fosse concluído. O sobrinho, ainda conforme relato dos familiares, trabalhava na empresa do tio há oito anos. "O 'Dede' era uma pessoa de confiança do Lucieudo, que dirigia para ele, fazia suas contas, almoçava em casa. Uma fonte disse que eles [esposa e o sobrinho] passaram todas as informações pro Fernando, até a cor da cueca que ele usava no dia do crime", disse a delegada.
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Crime
No dia do crime, Lucieudo e Deivanir saíram do galpão em Fortaleza para almoçar e, na volta, foram abordados por um motociclista. O carro estava sendo conduzido pelo sobrinho, que saiu do veículo levando a chave e deixou o tio sozinho, ainda segundo a investigação. "O Fernando se aproximou e efetuou um único disparo na cabeça da vítima. Na fuga, ele se envolveu em um acidente de trânsito e abandonou a moto", relatou Socorro Portela.

O caso começou a ser investigado pela delegada Ana Cristina, do 8º Distrito Policial. Após buscas, Fernando foi encontrado e prestou depoimento, mas negou a participação no crime e foi liberado. "Ele disse que comprou a moto e vendeu para um desconhecido na feira da Messejana por R$ 4500. Alegou que morava em Beberibe e trabalhava como gari".

Segundo a delegada, o depoimento de Fernando depois foi comprovado falso. A Polícia ainda descobriu que ele confessou a uma fonte que foi contratado para executar Lucieudo pela quantia de R$ 10 mil. Os três suspeitos receberam mandados de prisão, mas Fernando não foi mais encontrado. Vânia estava morando na Messejana e foi presa junto com Dede, que chegava em sua residência no momento da abordagem policial.

Fernando teria sido procurado por Vânia porque o irmão dele, que trabalhou com Lucieudo e com ela no galpão de móveis projetáveis, não aceitou a proposta. "O irmã trabalhou com eles entre 2013 e 2014. O Dede depois chamou o Fernando, que estava passando por dificuldades financeiras e aceitou a proposta".

"Nos passaram que o Fernando vem se apresentar à Polícia até amanhã e, mesmo assim, já temos pistas de seu paradeiro”, informou Socorro. Em depoimento à Polícia, a esposa confirmou que tinha uma relação próxima com o sobrinho, mas negou o envolvimento amoroso. "Ela disse que o sobrinho vivia na casa dela e que eles dormiam juntos no mesmo quarto, mas não tinham relações sexuais”, completou.

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