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Funcionários do complexo hospitalar da UFC fazem panelaço contra demissões e salários atrasados

Os trabalhadores temem o encerramento do contrato entre UFC e Sameac, previsto para o próximo dia 18. Uma nova audiência de conciliação será realizada no dia 30 de março, mas até lá novas manifestações devem ser feitas

12:00 | 04/02/2016
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Um grupo de cerca de 20 funcionários da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac) e do Hospital Universitário Walter Cantídio fizeram na manhã desta quarta-feira, 4, em frente à Reitoria, um panelaço contra a demissão de 700 terceirizados da Sociedade de Assistência a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Sameac). Os trabalhadores, organizados pelo Movimento em Defesa dos Trabalhadores da Saúde (MDTS), também reivindicam o pagamento dos salários de novembro e dezembro de 111 funcionários.

A demissão foi definida pela Portaria n° 208 do Ministério da Educação, que determinou a substituição dos contratados pelas Fundações de Apoio por servidores concursados. Para isso, foi criada a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que vem assumindo as funções de gestão administrativa dos hospitais universitários.

Em audiência de conciliação realizada na última quarta-feira, 27, as demissões foram temporariamente proibidas, mas os trabalhadores dizem que ainda estão ameaçados porque o encerramento dos contratos está marcado para o dia 18 de fevereiro. "Temos a proposta de prorrogar essas demissões por mais cinco anos, o que daria oportunidade pro pessoal se aposentar. Tem gente com 30 anos de serviço, mas ainda não tem a idade para se aposentar", explica Rosa da Fonseca, integrante do movimento Crítica Radical, que presta apoio ao MDTS.

[SAIBAMAIS 2] A auxiliar administrativa da Meac, Francimeire Almeida, 53, acusou o Governo de “descartar os funcionários”. “Estou há 27 anos no hospital, essa Ebserh foi criada na calada da noite, um desrespeito aos trabalhadores. Como é que vão demitir gente depois de todo esse tempo de trabalho?”. Ela e a colega, Maria Auxiliadora, 61, estão na primeira lista de funcionários demitidos e, por isso, temem não conseguir a aposentadoria. "Tem gente sem ter como pagar conta de água e luz porque ficou sem receber, mas estamos em regime de greve, sem deixar de cumprir as nossas funções", completa Maria.

Procurada, a UFC disse que respeita e cumpre as decisões judiciais, inclusive o acordo judicial que prevê o encerramento dos contratos. ''Não há, no momento, qualquer ordem judicial de prorrogação do contrato além desse limite", disse, em nota. A universidade disse ainda, por meio de assessoria, que a questão salarial deve ser direcionada à Sameac.

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O POVO Online entrou em contato com a Sameac, que informou que um posicionamento será emitido apenas nesta quinta-feira, 5. Uma nova audiência de conciliação entre os funcionários e a UFC está marcada para o dia 30 de março.

Panelaço
Apesar da baixa adesão nesta manhã, o MDTS prevê novos atos com o apoio de alunos, professores e servidores da universidade. "Ontem [quarta-feira, 3] fizemos uma reunião na Arquitetura com o sindicato dos Médicos, estudantes. Estamos entrando em contato com vários setores da UFC, que já apoiaram os trabalhadores da Sameac", disse Rosa da Fonseca.

Segundo ela, a susbtituição dos profissionais deve preocupar toda a sociedade, pois influencia diretamente na questão do ensino e da pesquisa nos hospitais universitários. "A implantação da Ebserh quebra a autonomia da universidade, transformando os [hospitais] universitários em unidades de atendimento apenas do ponto de vista mercadológico. Os doentes, que antes ficariam em observação pelos professores e alunos, vão sendo liberados como se fosse um hospital de emergência", criticou.

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