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Familiares protestam após 100 dias da maior chacina do Estado

Moradores dos bairros Curió, São Miguel e Jangurussu caminharam pelo bairro Meireles e fizeram ato simbólico na Beira Mar

21:25 | 19/02/2016
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Há 100 dias, Jardel Lima dos Santos jogava futebol próximo à casa onde morava, no bairro São Cristóvão. O garoto de 17 anos, torcedor do Ceará, resolveu na mesma noite ir ao encontro dos primos, no bairro Curió. “Como de costume, fiquei esperando ele chegar, mas meu filho não voltou”, conta Sidnei dos Santos, 49. Ele é pai de um dos 11 jovens assassinados na maior chacina da da história do Ceará. Nesta tarde, Sidnei, integrou a passeata ocorrida na Praça Portugal, em prol de resoluções a respeito das mortes das vítimas. 

Moradores dos bairros Curió, São Miguel e Jangurussu reuniram-se no local e seguiram em direção à Beira-Mar. No caminho, usaram palavras de ordem em relação ao apoio à juventude negra, à política sobre drogas e à desmilitarização da polícia militar. 

Na Beira Mar, realizaram ato simbólico no qual os pais das vítimas prestaram depoimentos, acenderam velas e fincaram cruzes com o nome das pessoas que faleceram na chacina.  “O ato de hoje foi importante porque foi neste ponto turístico. Já fizemos atos diversas vezes, mas este foi importante para sermos vistos”, acredita Sidnei dos Santos. 

Segundo Cris Rodrigues, 23, líder comunitário do bairro São Miguel, outros dois atos ocorrerão nas próximas terça e quarta-feira. Estão previstos dois dias de paralisação no Liceu de Messejana e em outras escolas da região. De acordo com ele, haverá manifestação na Assembleia Legislativa, na terça-feira; e na quarta, no Palácio da Abolição. 

Para entender
 
11/11/2015. 21h30min.
O soldado da PM Valterberg Chaves Serpa é morto ao reagir a uma tentativa de assalto, na Lagoa Redonda. Pelas redes sociais, policiais teriam se convocado para procurar pelos suspeitos e vingar a morte do soldado. De pontos diferentes, eles teriam saído em direção ao Curió, onde já havia viaturas em diligência.
 
12/11/2015. 0h20min.
No Curió, foram executados: Antônio Alisson Inácio Cardoso, 17, Jardel Lima dos Santos, 17; e Álef Souza Cavalcante, 17.
 
1h54min. No Alagadiço Novo, foram mortos: Marcelo da Silva Mendes, 17, e Patrício João Pinho Leite, 16.
 
3h33min. No Conjunto São Miguel, foram assassinados: Jandson Alexandre de Sousa, 19; Francisco Elenildo Pereira Chagas, 41; e Valmir Ferreira da Conceição, 37.
3h37min. Na Messejana, foram mortos: Pedro Alcântara Barroso do Nascimento, 18; Marcelo da Silva Pereira, 17; e Renayson Girão da Silva, 17. 
 
Neste intervalo, outras sete pessoas foram baleadas. Nenhuma das vítimas mortas tinha antecedentes criminais por crimes violentos ou por tráfico.
 
11 pessoas foram assassinadas no dia 12 de novembro de 2015
 
50 pode ser o total de agentes participantes da matança na Grande Messejana

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