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Documento aponta composição prejudicial à saúde das crianças alérgicas

Um mês após denúncia da falta de leite especial para crianças com alergia alimentar múltipla, a Afac manifesta problemas em pregão eletrônico emitido pela Secretaria da Saúde do Estado do Ceará

20:06 | 03/02/2016
O leite especial distribuído para pacientes com Alergia à Proteína do Leite da Vaca (APLV) pode ser modificado de acordo com a nova licitação da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa). O pregão eletrônico que visa "eventuais aquisições de fórmula infantil" especifica na composição da fórmula elementos prejudiciais para a saúde das crianças atendidas pelas unidades hospitalares.
 
[SAIBAMAIS1]De acordo com a presidente da Associação das Famílias e Amigos de Crianças com Alergia Alimentar (Afac), Aline Saraiva, as especificações no documento apontam para um produto diferente do que é distribuído atualmente. O termo de referência contém proteínas alergênicas como soja, amido de milho e caseína. 
 
O consenso da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai) mostra que a caseína representa aproximadamente 80% do total de proteínas do leite da vaca.  

"Essa fórmula é administrada para crianças que estão saindo de um nível grave de alergia para um nível médio", explica. "O contato com essas proteínas vai fazer com que elas voltem para o nível mais grave de alergia".
 
O consumo pode causar complicações como hemorragia gastrointestinal e edema de glote - inchaço na estrutura da laringe (que permite entrada de ar para os pulmões), resultando em falta de ar. 
 
Nesta terça-feira, 2, a Afac já entrou com uma manifestação no Ministério Público Federal contra o pregão eletrônico emitido pela Sesa. No próximo dia 15, a Promotoria de Defesa e Saúde do Estado vai discutir o caso em audiência. 
 
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Sesa, as fórmulas infantis à base de proteína de soja "não são recomendadas como primeira opção pelas sociedades científicas internacionais". O documento diz ainda que de 10% a 15% das crianças com APLV mediada podem apresentar reação à soja. 
 
A Sesa afirmou, por meio da assessoria, que a distribuição de leite se mantém inalterada. A Secretaria não comenta o teor do pregão eletrônico, com data de abertura das propostas para a próxima sexta-feira, 5. A pasta só irá se posicionar quando a licitação for publicada em Diário Oficial.
 
Redação O POVO Online
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