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Campanha da Fraternidade pretende reeducar e exigir políticas públicas

Com o objetivo de assegurar o direito da população à água tratada, Campanha discute dever de cobrar políticas públicas e ações de melhorias dos próprios cidadãos

16:34 | 10/02/2016
"As autoridades preferem obras que se enxergam, como os viadutos, aos trabalhos mais difíceis que visam a saúde da população". A análise é do padre Luís Sartorel, integrante da Campanha da Fraternidade (CF) e assessor das pastorais sociais em Fortaleza. Com o tema "Casa comum, nossa responsabilidade", a campanha visa assegurar o direito ao saneamento básico.
 
O lançamento da campanha acontece em dois momentos na Arquidiocese de Fortaleza. O evento inicia nesta Quarta-feira de Cinzas, 10, na Categral Metropolitana e na quinta, 11, no Centro de Pastoral Maria Mãe da Igreja. Desde 2000, a CF ganha status ecumênico a cada cinco anos.
 
O tema foi escolhido pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), que promove a CF juntamente à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Neste ano, a entidade epicospal da Alemanha Misereor aderiu a temática.
 
Sartorel falou ao O POVO Online que o papel da Igreja é trabalhar na organização do povo para exigir um saneamento básico mais eficiente. "Como cristãos e cidadãos, devemos exigir das autoridades políticas públicas que implementem". 
 
No Brasil, mais de 35 milhões de pessoas ainda não têm acesso ao serviço básico, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). No Nordeste, apenas 28,8% do esgoto é tratado.
 
Aedes aegypti  
 
"A primeira preocupação é chamar atenção sobre a necessidade do cuidado com o espaço em que vivemos, nossa casa comum", continua. O padre Sartorel defende que a falta de saneamento básico é problemático sobretudo nos dias atuais, com o crescimento do Aedes e as doenças que o mosquito provoca.
 
"É preciso reeducação da população sobre uso e a finalidade do lixo urbano. É uma vergonha o jeito que o lixo é tratado na nossa cidade. Os órgãos públicos têm grande responsabilidade, mas o cidadão que não faz a separação do lixo também". 
 
Em anúncio, o papa Francisco lembrou que a água potável e o esgotamento são importantes para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome. Ainda segundo a autoridade maior da Igreja católica, a superação da mortalidade infantil também é possível com o acesso ao saneamento.
 
Para o médico infectologista Anastácio de Queiroz, a Capital perde em saneamento. "Nós temos um interceptor oceânico construído nos ans 1970 e a cidade cresceu, assim como a necessidade de tratamento de esgoto. Isso acaba afetando a qualidade de vida".
 
Serviço 
 
Parte 1 
Quando: Quarta-feira de Cinzas, dia 10, às 18h30min 
Onde: Catedral Metropolitana  
O que: celebração eucarística, presidida por dom José Antonio Aparecido Tosi Marques.

Parte 2
Quando: quinta-feira, 11, às 9 horas.
Onde: Centro de Pastoral Maria Mãe da Igreja (avenida Dom Manuel, 339, Centro)
O que: lançamento da Campanha e entrevista coletiva, com o arcebispo Tosi Marques, o padre Luís Sartorel, assessor das Pastorais Sociais, do Setor Ecumenismo e Centro de Estudos Bíblicos (Cebi), a direção do IBGE do Ceará e o médico infectologista e ex-secretário da Saúde do Estado do Ceará Anastácio de Queiroz.
 
Redação O POVO Online
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