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Médica Ilná Escóssia, criadora do grupo Amar, morre aos 57 anos

Criadora da Associação de Motivação e Apoio e Renovação, médica especializou-se em mastologia após diagnóstico do câncer e passou a dar palestras sobre a prevenção e enfrentamento da doença

11:56 | 21/01/2016
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A médica ginecologista, obstetra e mastologista Ilná da Escóssia morreu na noite dessa quarta-feira, 20, um dia após completar 57 anos, em decorrência do câncer de mama, em Fortaleza. Ilná foi diagnosticada com a doença pela primeira vez em 1998 e criou um grupo de apoio às mulheres com câncer chamado “Amar - Associação de Motivação e Apoio e Renovação”. O velório ocorre na manhã desta quinta-feira, 21, na Funerária Ternura, e o sepultamento está marcado para às 16 horas, no Parque da Paz.

Ilná estava internada no hospital da Unimed desde sábado, 16, por conta de problemas respiratórios, e faleceu às 20h30min. "Ela estava com dificuldade para respirar e ficou com metástase", contou a irmã caçula da médica, a jornalista Fernanda da Escóssia, 43.

Fernanda conta que o câncer mudou a vida de Ilná, que passou a estudar mastologia e tornou-se, também, especialista na doença. "Ela virou ativista da prevenção do câncer de mama. Foi uma luta muito grande e agora ela pode descansar", afirma.

A doutora passou a dar palestras sobre a prevenção e enfrentamento do câncer em hospitais, empresas e comunidades, além de atender gratuitamente mulheres que não podiam pagar as consultas. Na página “Tempo para Viver”, Ilná, Fernanda e outra irmã, Carla da Escóssia, passaram a escrever sobre a experiência delas com o câncer de mama.

“Vamos falar de saúde e prevenção. Mas aprendemos que a pessoa com câncer não deixa de viver as outras coisas da vida. Então vamos falar de livros, filmes, viagens, amores, filhos... Vamos falar da vida!”, informa a descrição.

No Facebook, a rede de amor da médica já conta mais de 2.600 likes e continuará com o apoio às mulheres com câncer de mama. "Embora muito triste com a partida da nossa guerreira inspiradora, a Comunidade Tempo para Viver seguirá [...]. Ilná viveu a medicina na acepção plena da profissão: com dedicação, generosidade e desprendimento”, informa a página.

Doença

Ilná foi diagnosticada com a doença pela primeira vez em 1998, após um exame de mamografia. Na época, ela passou por 28 sessões de radioterapia em São Paulo e trocou a obstetrícia pela mastologia. O câncer reapareceu em 2008, com sinais de metástase óssea.

A família conta que em 2014 um câncer inflamatório “raro e agressivo” apareceu na mama esquerda, que teve que ser retirada em 2015. A doutora deixa duas filhas adultas e uma neta de 11 anos.

As lições de Ilná
Em outubro do ano passado, Ilná foi entrevistada nas Páginas Azuis do O POVO, quando falou sobre o tratamento da doença e como ela mudou a forma de se relacionar com os pacientes. “A gente se sente no lugar do paciente. Até porque eu criei um grupo de apoio, o Amar. E com isso a gente começou a auxiliar as pacientes que chegavam deprimidas, chorando. Passei a me sentir a própria paciente”, disse.

Perfil
Ilná Escóssia da Rocha Pitta nasceu em 19 de janeiro de 1959 em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Aos 16 anos, veio morar no Ceará com toda a família depois que o pai, funcionário do Banco do Brasil foi transferido para Fortaleza.

Filha de professora e advogado, ela estudou no Colégio Cearense e ingressou no curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Tem quatro irmãos, todos advogados, e duas irmãs, uma jornalista e uma socióloga.
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