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Comunidade bloqueia fábrica de cimento e protesta contra poluição

Comunidade sofre com poeira alastrada por conta do cimento de fábrica e reivindica contra poluição ambiental e danos à saúde dos moradores

12:12 | 11/12/2014
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Atualizada às 18 horas

Moradores de uma comunidade do bairro Vicente Pinzon, conhecida como ‘Sardinha’, estão bloqueando o portão de uma fábrica do ramo de construção civil, impedindo a circulação dos caminhões de carga, na avenida César Cals. A manifestação, que teria cerca de 100 pessoas, começou às 21 horas da quarta-feira, 10, e continuou durante todo o dia desta quinta-feira, 11. 

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De acordo com o líder comunitário Francisco Marcos de Oliveira, a manifestação é contra a poluição ambiental e os danos à saúde provocados pelos materiais utilizados na empresa Labormix. Marcos explica que a comunidade sofre com o pó e a poeira alastrados pelo cimento, utilizado na fabricação de concreto da empresa. Na manhã desta quinta-feira, 11, pelo menos 50 pessoas ainda permaneciam se revesando na entrada do local. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi acionado pela empresa e estava no local para prevenir confrontos.

De acordo nota emitida pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), a licença da fábrica está atualizada e a secretaria já realizou vistoria no local e emitiu auto de constatação e auto de infração à empresa "por descumprimento da condicionante da licença ambiental quanto à poluição". "Amanhã (12), uma equipe de fiscais realizará nova visita, caso seja constatada as irregularidades, novo auto de constatação poderá ser emitido, a licença ambiental poderá ser cassada e a empresa embargada". 

Problemas 

Morador da comunidade há mais de 30 anos, Marcos conta que a população tenta acordo com a empresa há um ano, pedindo o encerramento das atividades ou indenização para os moradores. A resposta, segundo ele, é sempre a mesma.

"Eles falam a mesma coisa: dizem que vão resolver, que vão construir um muro para amenizar a poeira, mas isso não é suficiente. Ninguém aguenta mais conviver com essa poluição, a gente dorme e acorda com cimento, não tem sossego, e aqui tem criança recém-nascida, pessoas doentes. Tem 30 anos que moro aqui e nunca me senti tão prejudicado como agora”, lamenta.

Ainda de acordo com o líder, duas pessoas adoeceram e morreram com complicações de saúde decorrentes da poluição causada pela fábrica.

Moradores relatam que além da camada expessa de um pó cinzento que adentra as casas, a fábrica ainda funcionaria durante as 24 horas do dia, o que atrapalha o sono da população que mora no entorno. Por conta dos problemas, alguns moradores saíram de suas casas.

Na frente da residência da secretária Denise da Silva Costa, 29, está pintada a intenção de sair de perto da fábrica. Denise conta que a mudança é prezando pela saúde da filha que sempre vive às voltas com algum problema respirátorio.

A empregada doméstica Suely Muniz dos Reis foi uma das moradoras que já abandou a casa nas cercanias da empresa, que hoje mantém nos cômodos um amontoado de um pó semelhante a cimento. Asmática, a moradora mudou-se para que os problemas respiratórios não se agravassem. A aposentada Francisca Cavalcante Lustosa, 64, também deixou a casa e foi morar com o filho. Segundo ela, mesmo sem "nunca ter fumado", em consulta o médico teria dito que seu "pulmão está manchado", explicando sobre o problema respitarório que acomete a aposentada.

Labormix

De acordo com o gerente regional da Labormix, Marcos Nascimento, a empresa está acionando o departamento jurídico para voltar a funcionar. "São 50 funcionários que estão impedidos de trabalhar", destaca. Questionado quanto a poluição alegada pelos morades do entorno, Nascimento diz que a empresa tem lincença ambiental vigorando da Seuma e que conta com aspersores que impedem que o pó chegue até às casa. Para o gerente, a poeira nas residências do entorno seria devido aos fortes ventos da região. Quanto ao horário de funcionamento, o gerente afirma que a empresa funciona até às 22h.

   

 


Redação O POVO Online

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