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"Essa fama me incomoda", dizia Seu Lunga sobre piadas grosseiras

Em entrevista publicada nas Páginas Azuis do O POVO, comerciante de quinquilharias falou sobre a fama de zangado e negou autoria de piadas grosseiras atribuídas a ele, além de se dizer devoto de Padre Cícero

11:00 | 24/11/2014
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Símbolo do folclore cearense, Seu Lunga, era rodeado pela fama de “zangado, ignorante”, sendo personagem de inúmeros cordéis sobre “O homem mais ignorante do mundo”. No entanto, ele mesmo rebatia essas atribuições e até chegou a ficar com os olhos marejados quando falou do assunto, em entrevista ao O POVO, em 2007.

“Nenhuma dessas histórias é verdade. É tudo inventado. Olhe, eu não tenho o que dizer. Tem um camarada aqui perto que é professor, dentista. Ele dá uma entrevista bem bacana a vocês”, dizia Seu Lunga, quando foi abordado pelos repórteres do O POVO, enviados a Juazeiro do Norte.
Com um lado poeta, ele falou sobre a devoção ao Padre Cícero, riu e ainda disse que suas poesias eram “sobre mulheres”. Confira alguns trechos da entrevista das Páginas Azuis:

OP - O senhor já trabalhou com o que, além de vender (tem uma loja no Centro de Juazeiro que vende de tudo)?
Seu Lunga - Eu nasci aqui, mas passei uns tempos morando no município de Assaré. Fui para lá menino. Tinha 20 anos. Minha origem de eu ter vindo para cá foi uma queda... Lá nós criávamos todo tipo de bicho: porco, carneiro, galinha, cavalo, burro, boi e vaca. Agora, sempre que era no fim das águas (época de seca), a lagoa de lá secava. A gente cavava um buraco para dar água aos bichos. Então eu escapolí da boca do buraco com 23 metros de fundura. Se eu tivesse caído de ponta, assim, tinha quebrado o pescoço. Mas eu caí de chapa (inteiro) no buraco. Porque a cacimba era com madeira, na boca. Aí escorreguei... Quando escorreguei, o corpo deu um balanço assim (mostra com as mãos o movimento do corpo) e caí de chapa.

OP - Aí o senhor veio a Juazeiro para se tratar?
Seu Lunga - Eu vim para me tratar. Vim com meu pai. Depois, eu fiquei e meu pai voltou. Fiquei trabalhando numa oficina de ourives. Passei uns tempos nessa oficina.

[SAIBAMAIS 2] OP - Quanto tempo?
Seu Lunga - Eu vim para cá em 1947 já para 48. Passei até 1950 trabalhando de ourives. Olha aqui esse anel (mostra o anel no anelar da mão direita), fui eu que fiz. É de rubi. Aí, comecei a negociar cereais. Meu pai trouxe uma tia minha e uma irmã para ficar comigo. Fiquei numa casa lá no caminho do Horto. Aí entendi de me casar, me casei, e minha irmã voltou para lá com minha tia. E eu fiquei, negociando aqui no mercado. Passei uns anos negociando. Depois comprei um motor aqui na rua São Paulo. Naquele época não tinha energia elétrica. Aí comprei as máquinas com o motor. Eu pilava arroz, torrava café, vendia massa de milho, a palha do milho, do arroz... Em 1960, comprei esses dois prédios aqui (onde funciona sua oficina) e queria continuar, mas na época teve uma lero-lero (burocracia) danado. E eu não quis. Então, botei a oficina lá atrás e um camarada consertando televisão, rádio. Agora, de uns tempos desses para cá as coisas “fracaram” e tô só com essa bagaceira de coisas aqui.

%2b Confira a galeria de fotos de páginas do O POVO com o Seu Lunga

OP - Por que as pessoas gostam de brincar com o senhor sobre sua zanga?
Seu Lunga - Olhe, nós estamos num Brasil sem moral. Num Brasil sem respeito. Num Brasil sem Justiça. Porque tem um senhor aqui que escreve uns folhetozinhos (cordel) falando da minha pessoa. Dizendo o que eu não sou, inventando histórias, inventando isso e aqui outro, dizendo que sou o homem mais ignorante do mundo. Mais zangado do mundo. E fica inventando cada vez mais histórias. E o povo compra esses folhetos.

OP - E o senhor fica chateado com isso? Essa fama incomoda?
Seu Lunga - Claro. Todo mundo fica. Você fica satisfeito com o cabra te chamando de fresco? De ladrão? Maconheiro? Sem vergonha? Então, eu não gosto dessa fama.


Acesse a entrevista completa no link.

Redação O POVO Online
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