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Acusada de racismo contra agentes comparece à Polícia, mas se recusa a falar

Servidores receberam uma carta com teor racista após rebocarem o carro de uma mulher, na Aldeota. Suspeita foi intimada, mas não se posicionou

13:21 | 24/11/2014
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Atualizada às 14h10min

A motorista suspeita de enviar carta com ofensas a agentes do Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE), após ter o carro rebocado, compareceu à audiência desta segunda-feira, 24, na Superintedência da Polícia Civil. A sessão iniciou por volta das 9 horas, mas a acusada não se posicionou e disse que só falaria em Juízo.

Essa foi a segunda audiência marcada para ouvir a suspeita, que faltou a convocação na última terça-feira, 18, alegando compromisso pessoais. O delegado responsável pelo caso, Gustavo Pernambuco, informou que as imagens das câmeras de segurança foram solicitadas e testemunhas que comprovam a autoria da carta foram ouvidas.

A carta foi entregue no Detran-CE na última quarta-feira, 12, e continha insultos direcionados a um funcionário terceirizado do Detran-CE, acusado “de ter inveja por ela [motorista] ser branca”. Aos demais envolvidos, em vários trechos ela deseja que “o senhor das trevas os cubra com suas pragas e maldições”.

Na carta, autor também deseja“ver todos lá no fórum, algemados. Sim, porque todo marginal que vai a julgamento lá, nas seis varas penais onde trabalho, são gentalha da laia de vocês”. A motorista rebateu que não há assinatura em punho no documento. Apesar disso, contestou os argumentos levantados pelos agentes para realizar a denúncia. "Tenho testemunha de que fui desrespeitada. Tenho 63 anos, não sou de ameaçar, sou de fazer", rebateu.

Em nota, o sindicato dos servidores do Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE) repudiou o ato de racismo e disse que se solidariza com o trabalhador ofendido e seus parentes, "ressaltando que atos como esse são fruto de atitudes individuais e isoladas, que em nada representam a grandiosidade e o respeito do cidadão cearense pela categoria dos trabalhadores do DETRAN/CE". Leia:

"Esperamos que as autoridades públicas competentes (Governo do Estado, DETRAN/CE e Poder Judiciário) adotem todas as medidas possíveis para que o(a) envolvido(a) neste episódio seja identificado(a) e para que a “carta” objeto de crime de racismo seja enviada às autoridades policiais para apuração no âmbito criminal.

Reiteramos que o SINDETRAN/CE tem sido um guardião da honra e da dignidade do servidor público do Estado do Ceará, promovendo iniciativas que coíbam todo e qualquer crime de desrespeito à pessoa humana".

Reboque
A mulher suspeita de cometer os crimes teve o carro rebocado por volta de 10h30min, na rua Marcos Macedo, durante a Operação Tolerância Zero em Estacionamento Proibido. O automóvel estaria estacionado em uma vaga de táxi, segundo os agentes. Além do veículo, três motos estacionadas de maneira irregular foram levadas.

O veículo foi retirado do pátio do Detran-CE no mesmo dia em que foi rebocado. Já na quinta-feira, a mulher teria retornado ao órgão para entregar cópias da carta. “Me senti muito ofendido. Trabalho há bastante tempo no ramo e já ouvi muitos xingamentos. Mas o pior foram as ofensas dirigidas à minha família. Isso eu não admito”, contou o servidor José Eduardo Ferreira Soares, 36, um dos agentes.

Já Mauro César Barbosa, 32, que dirigia o reboque, se mostrou mais indignado. “Fiquei revoltado. Principalmente quando ela se refere a mim como o ‘cor da noite sem estrelas’. Isso é racismo. Não podemos nos calar. Ser fizermos isso todo mundo vai se sentir no direito de fazer o mesmo”.

Serviço
A Lei 7.716 estabelece como crime de racismo:
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa

Redação O POVO Online
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