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PUBLIEDITORIAL estudante

O que buscam os jovens na educação e no mercado de trabalho?

Sempre com o celular na mão, eles acessam redes sociais, música, televisão, internet, tudo ao mesmo tempo e agora. É como vivem os chamados "nativos digitais", jovens da geração Z, nascidos após a década de 1990, que procuram por líderes inspiradores e por uma educação que una teoria à prática.

25/09/2017 14:42:00
Mercado de trabalho
Mercado de trabalho

Sempre com o celular na mão, eles acessam redes sociais, música, televisão, internet, tudo ao mesmo tempo e agora. É como vivem os chamados “nativos digitais”, jovens da geração Z, nascidos após a década de 1990, que procuram por líderes inspiradores e por uma educação que una teoria à prática.

Ana Carollina Coelho, de 22 anos, é uma jovem bastante conectada. Leva o iPad para estudar na faculdade, utiliza computador, celular e TV ao mesmo tempo. Não se separa do celular um segundo. Estudante de Engenharia Civil na Unichristus, a jovem é cheia de planos. Quer ir longe, pretende ingressar na segunda graduação, Arquitetura, e sonha em ter o próprio escritório.

Victor Scipião também alimenta sonhos. O jovem de 22 anos já fez intercâmbio no Chile, trabalhou em empresa júnior e está no último semestre do curso de Administração na Unichristus. Victor quer mais. Planeja fazer novo intercâmbio, trabalhar em grandes empresas e, futuramente, montar seu próprio negócio. Seu objetivo é “impactar o maior número de pessoas possível, gerando renda e trabalho”.

“Nativos digitais”

Segundo a mestra e doutora em Sociologia, Kelma Lima, a geração Z surgiu concomitante ao boom da tecnologia nos anos 1990. São considerados falantes “nativos” da linguagem digital dos computadores, videogames e internet. O “Z” advém de “zapear”, referência a fazer algo muito rapidamente e várias atividades ao mesmo tempo.

Kelma explica que a geração Z é uma denominação sociológica que sucede a geração Y, diferenciando-se desta, principalmente, em termos de relações sociais. “É notório que estão emergindo indivíduos com uma diferente visão de sociedade, que constituem uma geração aparentemente mais virtual do que real. Na concepção de Zygmunt Bauman, uma sociedade líquida.”

Mudanças na educação

Para se adequar ao novo perfil dessa geração, as instituições de ensino têm passado por mudanças. A coordenadora adjunta do curso de Psicologia da Unichristus, Dilene Rodrigues, acredita que é importante proporcionar uma interação maior do aluno, por meio das chamadas metodologias ativas. O método visa instigar o jovem a desenvolver autonomia e proatividade.

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Sílvia Barbosa, psicóloga e professora da Unichristus, cita exemplos de metodologias ativas utilizadas pela Universidade. As aulas invertidas, onde o aluno precisa ir para a sala com o conteúdo lido; aprendizagem em pequenos grupos, que vai favorecer o relacionamento e a defesa do ponto de vista; os estudos de caso, que buscam trabalhar solução de problemas, unindo teoria à prática. “Se lançar para o mundo real hoje é o grande desafio para os jovens que estão conectados ao virtual.”, explica.

Para o estudante Victor, por exemplo, não pode faltar a união de teoria e prática. A instituição de ensino precisa oferecer, além de uma boa estrutura, experiências voltadas à prática, como empresa júnior, palestras com empresários e gestores, laboratório de empreendedorismo e jogos para simular o mercado de trabalho.

O que esperam do mercado

Reticente à hierarquia, a geração Z busca líderes inspiradores e um sentido no trabalho. Aurineli Freire, coordenadora de educação e carreiras do Instituto Euvaldo Loudi (IEL) Ceará, adverte que o jovem gosta de saber os porquês das coisas e não aceita mais a tarefa pela tarefa. “Se o jovem não tiver admiração, se não acreditar que o que está fazendo vai contribuir de uma maneira concreta para uma melhoria na sociedade, para o processo, ele fica desmotivado”, defende.

Ana Carollina e Victor confirmam a tendência. Para eles, hierarquia é essencial, mas precisa ser flexível. A estudante de Engenharia, por exemplo, considera a importância do líder como guia para um trabalho produtivo, porém, preza por um ambiente compartilhado.

Desafios

Imediatismo, no entanto, é um desafio na contratação de jovens. Fabíola Xavier, coordenadora de desenvolvimento humano organizacional da Colmeia Confecções, revela que os jovens buscam crescimento alto em pouco tempo, mas muitos ainda não sabem o que querem para suas vidas, mesmo cursando o 6º ou 7º semestre da faculdade.

Já na educação desses jovens, a professora Sílvia destaca como primeiro desafio fazer com que o quadro de professores se disponibilize, esteja aberto a aprender novas metodologias. “Não há mais como o professor se fechar, precisa estar aberto à inovação.” Além disso, é fundamental conquistar o interesse do aluno. “Na educação, buscam dinamicidade, respostas rápidas, e o nosso desafio é fazer com que eles busquem essas respostas e não que venham prontas para eles.”