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Doenças crônicas podem ter sintomas atenuados

A campanha do fevereiro roxo foi criada em 2013 para dar visibilidade às doenças crônicas - fibromialgia, lúpus e Alzheimer - e aos sintomas delas. Um diagnóstico precoce e um acompanhamento médico adequado garantem o bem-estar mesmo no caso das doenças que não têm cura

08/02/2021 09:30:47
Fevereiro é o mês da conscientização de fibromialgia, lúpus e Alzheimer
Fevereiro é o mês da conscientização de fibromialgia, lúpus e Alzheimer

Quando a estudante de psicologia, Vitória Sousa, 22, sentiu as primeiras dores no corpo, em meados de 2018, o processo de diagnóstico da fibromialgia foi doloroso. “Tive uma crise de dores muito fortes nos dois braços, que eu não conseguia mexer de jeito nenhum, não passava a dor e nenhum remédio que eu tomava ajudava a melhorar”.

Fibromialgia é mais prevalente em mulheres entre 30 e 50 anos. No caso de Vitória, ninguém mais na família dela tinha a doença, mas quem tem pais com fibromialgia possui mais chance de desenvolver, explica o doutor Maurício Cavalcante, médico do Sistema Hapvida. “Nós não devemos dizer que a fibromialgia é uma doença genética, porque até onde se sabe não existe um gene específico para causar a fibromialgia. Mas, nós podemos dizer que a fibromialgia tem influência hereditária, ou seja, familiar.”

A fibromialgia é uma doença crônica que pode inicialmente ser confundida com lesões musculares provocadas por contusões, esforço repetitivo (LER), ou doenças reumáticas. “A demora do diagnóstico da fibromialgia provoca o agravamento do quadro clínico, com aumento da contratura muscular, aumento da dor muscular, aumento da extensão de músculos acometidos, trazendo sofrimento extremo para o paciente”, alerta o médico.

Daí a importância de um diagnóstico correto, com análise clínica, para evitar tratamentos inadequados. Maurício informa que, de modo geral, a fibromialgia se caracteriza por dor muscular em contratura de diversos músculos do corpo, principalmente a região da nuca, do pescoço, e a região superior dos ombros. Enquanto as artrites reumáticas acometem as articulações, causando dor e edema.

Muitas medicações podem auxiliar no tratamento da fibromialgia, como os relaxantes musculares, os ansiolíticos, os antidepressivos e as drogas para dores neuropáticas. Todos devem ser prescritos conforme orientação médica. “É importante deixar claro que o paciente com fibromialgia deve ser acompanhado e amparado por uma equipe multidisciplinar. Nesse sentido, é muito importante o tratamento fisioterápico e a psicoterapia, que juntamente com o atendimento médico vão garantir o bom prognóstico do paciente”, diz Maurício.

O tratamento envolve terapia porque estresse, traumas psicológicos podem contribuir para o desenvolvimento da doença. E deve ser continuado. Antes do diagnóstico, Vitória já fazia terapia e, agora, percebe mais ainda a importância para lidar com os próprios limites e os gatilhos de estresse. “Como qualquer outra doença que não é visível, as pessoas esquecem, e tem coisas que eu não consigo fazer porque eu sei que vou sentir bastante dor depois. Então, você deve saber que tem uma doença que é crônica”, afirma.

A melhor forma de prevenir o desenvolvimento da doença é uma rotina saudável. “A atividade física, um sono bem conciliado, com horários regulados, o lazer, dentre outras medidas que podem atenuar o estresse do dia a dia, podem trazer benefício e diminuir a incidência da fibromialgia”, garante o médico.

ALGUNS SINTOMAS DA FIBROMIALGIA:


> Dores nos músculos, nas costas, no cotovelo, no abdômen ou no pescoço;


> Constipação e náusea;


> Rigidez das articulações ou sensibilidade ao frio


> Fadiga, mal-estar ou sensação de cansaço;


> Distúrbios do sono ou sonolência;


> Ansiedade, mudanças de humor ou nervosismo;


> Esquecimento ou falta de concentração;


> Formigamento ou sensação de frio;


> Sensibilidade a dor;


> Depressão;


> Dor de cabeça


Prevenção é cuidar da saúde

Perda da memória recente, irritabilidade, depressão, ansiedade, falha na linguagem são alguns dos sintomas do Alzheimer. Esse transtorno neurodegenerativo é mais frequente em pessoas acima dos 60 anos, sendo também mais comum em mulheres.

Vários fatores podem estar relaciona- dos com o desenvolvimento do Alzheimer, explica o médico Maurício Cavalcante. “O fator hereditário é o mais importante. Poderíamos citar ainda traumas cranianos, depressão, hipertensão arterial, obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipercolesterolemia, diabetes”, enumera.

Caso se encontre sintomatologia sugestiva para a doença, o diagnóstico pode ser feito através da avaliação clínica do paciente, e complementado por exames de imagem como Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética. “A forma mais precisa de confirmação diagnóstica seria uma biópsia do tecido cerebral, embora não seja uma prática usada rotineiramente”, aponta o doutor Maurício.

Diferente do lúpus, o Alzheimer pode ser prevenido com medidas de saúde, em geral, como: controle da obesidade, prática de atividade física, controle da hipertensão, evitar o tabagismo, evitar distúrbios do colesterol e da glicemia. A leitura, aprender novos idiomas ou instrumentos musicais, bem como exercitar a mente com jogos de raciocínio lógico também são importantes!

ALGUNS SINTOMAS 
DO ALZHEIEMER
:

> Perda de memória recente;

> Desorientação no tempo
e no espaço;


> Depressão;


> Agressividade

Mulheres são mais afetadas

O lúpus não tem prevenção. “Trata-se de uma doença reumática autoimune, caracterizada por um erro na produção de anticorpos e correlacionada a fatores hereditários e genéticos. É uma doença de etiologia complexa, que guarda correlação com fatores genéticos, hormonais, infecciosos, e até mesmo externos ou ambientais”, informa o médico Maurício Cavalcante, do Sistema Hapvida. Porém, assim como no caso da fibromialgia, os pacientes dessa doença podem obter qualidade de vida com um tratamento eficaz.

Mais prevalente em mulheres de 20 a 45 anos, o médico explica que a maior incidência no sexo feminino está associada à maior exposição ao estrógeno, o hormônio feminino. É importante ficar alerta para os sintomas: febre, fadiga, dores articulares, queda de cabelo, rash cutâneo (manchas avermelhadas), derrame pleural, derrame pericárdico, dentre outros.

Em caso de manifestações clínicas, exames laboratoriais confirmam a doença. “Existem alterações no hemograma, como anemia, queda de plaquetas, que- da de leucócitos. Outros exames também podem auxiliar no diagnóstico, como fator antinuclear, o FAN, e também a presença de autoanticorpos contra o DNA, como o antiDNA.”

O diagnóstico rápido faz a diferença, a demora pode trazer consequências graves ao paciente, como piora do prognóstico e até a morte.

ALGUNS SINTOMAS DO LÚPUS:

> Anemia;


> Fadiga;


> Febre;


> Mal-estar ou perda de apetite;

> Erupções escamosas ou manchas vermelhas na pele;

> Ansiedade;


> Depressão;


> Dor de cabeça

Grupos de risco para Covid-19

Das três doenças do fevereiro roxo, a fibromialgia é a única em que os pacientes não são grupo de risco para a Covid-19. Os demais, que têm lúpus ou Alzheimer, precisam redobrar os cuidados de prevenção ao coronavírus porque têm a imunidade comprometida.

Por isso, mesmo quando a avó da professora Mariana Frota precisa fazer exames médicos de rotina, uma equipe é chamada para a coleta de sangue. “Tudo isso para que ela não saia, além de reforçarmos os cuidados de higiene de objetos”, explica. No caso do lúpus, o risco para Covid-19 é ainda maior. “Além da imunidade comprometida, ainda é um paciente que tem muito mais risco cardiovascular associado”, alerta Maurício.