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Home office desigual: o trabalho remoto para mulheres

Como organizar a rotina sem abrir mão da saúde mental

30/04/2021 11:32:17
Designer de Interiores Kel Oliveira (Foto: Arquivo pessoal)
Designer de Interiores Kel Oliveira (Foto: Arquivo pessoal)

Faz tempo que as mulheres perceberam que estão trabalhando muito mais desde que entraram em home office. Para muito além do trabalho, incide sobre as mulheres os afazeres domésticos, os cuidados com a casa e, claro, com os filhos. E não é só impressão: segundo dados da pesquisa Datafolha, 57% das mulheres que passaram a trabalhar remotamente disseram ter acumulado a maior parte dos cuidados domésticos. Já entre os homens, esse percentual cai para 21%. Confirmando essa disparidade de gênero no home office, uma pesquisa da Workana aponta que 31,3% das latinoamericanas cuidam dos filhos enquanto trabalham. Entre as brasileiras, esse percentual sobe para quase 50%. Já entre os homens brasileiros, apenas 11,1% disseram acumular as duas tarefas. Ou seja, cuidar dos filhos – que inclui ajudá-los com as lições de casa – se tornou mais uma responsabilidade da mulher, que já está sobrecarregada com os serviços domésticos.

Mariana Furtado de Vasconcelos, 37, mãe de dois filhos, sócia diretora em uma empresa de consultoria, acorda todos os dias às 6h30, mas até iniciar sua rotina de trabalho, que começa por volta das 8h30, dedica quase duas horas só para organizar a agenda de atividades escolares dos filhos. A puxada rotina só se encerra por volta das 18h30 (quando não aparece nada com a TAG de urgência), completando uma jornada de mais de 12 horas. "Para o home office funcionar, precisei fazer algumas adaptações na minha casa. Hoje meu escritório é dentro do quarto dos meus filhos e precisei fazer alguns combinados para a minha família entender meus horários de trabalho", conta.

Soma-se a isso a difícil missão de concentrar-se no trabalho. Só quem tem filhos sabe das inúmeras interrupções que vão acumulando-se ao longo do dia. Para dar conta de tudo isso, como estratégia, Mariana busca focar nas metas diárias e na organização de seu dia: "procure iniciar sempre no mesmo horário e pelo que você considera mais importante realizar naquele dia", exemplifica.

Psicóloga Carla Pinheiro (Foto: Arquivo Pessoal)
Psicóloga Carla Pinheiro (Foto: Arquivo Pessoal) (Foto: Arquivo Pessoal)

Mas essa realidade não é cria desses tempos pandêmicos, como explica a psicóloga Carla Pinheiro: "a jornada tripla de trabalho no contexto feminino, embora exaustiva, já era uma realidade absorvida em nossa sociedade. A pandemia nos trouxe um outro cenário. Por um lado, oportunizou a um pequeno percentual de mulheres a prática do trabalho remoto. Por outro, mostrou que o home office cobra um preço muito maior das mulheres. Definitivamente, o home office não funciona igual para homens e mulheres".

Para a psicóloga, o gerenciamento da casa, a demanda dos filhos, as escolas fechadas, com aulas online, reuniões online de trabalho, tudo isso, associado a falta de uma rede de apoio, por conta do distanciamento social, fez a mulher ir além dos seus próprios limites: "como consequência disso, temos acompanhado os aumentos nos índices de estresse, irritabilidade, cansaço extremo, ansiedade e depressão nas mulheres que trabalham em home office", pontua. Segundo Carla, a sobrecarga de trabalho, associada a uma enorme responsabilidade e autocobrança, é o principal fator de adoecimento desse público.

Mas apesar da sobrecarga de trabalho, o home office também trouxe pontos positivos. Para muitas mulheres, foi um momento para se estar mais próxima dos filhos, acompanhar de perto seu desenvolvimento e, se organizar direitinho, até ter um tempinho para adotar novos hábitos. Nada de perfeccionismo nesse momento. "Respira e não pira" pode ser um bom mantra para estes tempos: "Ter um tempo só pra si, é imprescindível. Ler um livro, meditar, se exercitar, escrever sobre seus sentimentos, são algumas alternativas possíveis", ensina a especialista.

Para Kel Oliveira, designer de interiores, criar um ambiente propício é imprescindível para se ter uma rotina produtiva sem abrir mão da saúde mental: "Ao se desempenhar um papel profissional e pessoal dentro do mesmo ambiente, esses papéis muitas vezes acabam se confundindo quando não delimitamos nosso espaço de trabalho e o horário dedicado a cada atividade". Assim, escolher bem o ambiente que se vai ocupar na casa para este fim é de vital importância para o bom desempenho do trabalho. Ela ensina que a escolha do local deve partir do princípio de que seja um espaço onde se tenha o controle de acesso, evitando intervenções da rotina doméstica: "o ideal é que além de um bom projeto, ele possa ter suas características, possa te representar… um espaço que tenha seus livros preferidos, plantas naturais, um cantinho reservado para curtir um hobby como leitura ou ouvir música são itens fundamentais para que o home office possa se conectar com você e com o restante da casa", ensina.

Mas como nem sempre é possível ter um espaço mais estruturado, a psicóloga Carla ensina que "na falta do perfeito, vamos ao que pode ser feito":

1 - Planeje seu dia. Tenha rotina
2 - Estabeleça um horário para iniciar seu trabalho
3 - Deixe claro para quem convive com você que está trabalhando
4 - Organize um espaço, caso não tenha uma mesa fixa de trabalho em casa
5 - Use roupas confortáveis. Evite trabalhar de pijama
6 - Evite autocobrança por alta performance
7 - Faça pequenos intervalos. Movimente-se, faça alongamentos

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