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PUBLIEDITORIAL dicas

Como falar sobre sexualidade e genêro com seus filhos

Especialista dá dicas aos pais e responsáveis a entenderem os desafios do diálogo acerca da temática e como ajudar os filhos na fase do descobrimento da sexualidade

05/07/2017 17:29:00

"Mãe, o que é sexo?”. As indagações sobre as diferenças anatômicas do corpo começam já na primeira infância. Depois surgem as divagações sobre sexo, questões de gênero e outras. A dúvida que quase sempre vem à tona aos pais, pegou de surpresa a assistente administrativa Cícera Elisângela, 42, mãe da Sophia, 8, e Stephany, 12. “Sexo é quando se é menina ou menino”, respondeu à filha. A criança não se contentou com a resposta. Pensou, pensou, e foi enfática: ”Não é isso que eu quero saber. Como fazem os bebês?    



A pequena Sophia tem a curiosidade aguçada e vira e mexe aparece com perguntas sobre gênero e sexualidade. Enquanto a mãe ainda tentava encontrar formas de explicar sobre o que é sexo à filha mais nova, eis que surge a pergunta: mulher com mulher e homem com homem pode?


Alguns temas ainda são considerados tabus pela sociedade: gravidez, orientação sexual e questões de gênero, por isso, a assistente administrativa tem dificuldade em conversar com as filhas sobre esses assuntos. Ela não está só. Muitos pais não sabem como devem conduzir esse diálogo, como aponta a pesquisa "Direitos Sexuais e Reprodutivos – O que você tem a ver com isso?".

 

Coordenado pelas educadoras Ane Talita Rocha e Natália Landolpho Francisco, do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo, São Paulo (CDHEP), de 2013, o estudo interpelou sobre a abordagem dialética entre pais e filhos a respeito da sexualidade.

 

Ao todo, foram entrevistados 80 pais e mães, com filhos acima de 12 anos e 75 jovens com idade entres 12 e 16 anos. 58% das mães entrevistadas disse acreditar que, para abordar o assunto com as meninas, deve-se ter uma conduta diferente da abordagem com meninos. 41% delas acham que não. Já os pais, 73% deles afirmam que para falar sobre sexo com meninas, deve sim ser de maneira diferente.



Encontrar o momento e a forma adequada de abordar o assunto ainda é um desafio para os pais. Para Sarah Lopes, psicóloga do Hapvida, uma conversa aberta é a melhor alternativa. É o que explica a especialista em entrevista abaixo.



Em que idade geralmente as crianças começam a fazer perguntas sobre a sexualidade?



As crianças podem começar a fazer estas perguntas por volta dos 3 anos de idade, onde a curiosidade é mais instigada pelas diferenças físicas entre o pai e a mãe ou entre os irmãos e coleguinhas. O primeiro questionamento geralmente é: "Porque eu não tenho "piu-piu"? ou "Onde está o "piu-piu" dela? As diferenças anatômicas surgiram e devem ser respondidas dentro do que os pais podem responder. Ao responder questões para as crianças menores, evitem falar sobre pecado ou que é proibido ou que faz mal, os pais ou responsáveis podem trazer para questões higiênicas, de que ninguém pode pegar porque vai machucar ou vai sujar, por se tratar de regiões realmente sensíveis.

Como os pais podem ajudar seu filho quando ele se identifica com o gênero oposto? O que fazer? Como ajudar?



Esta identificação geralmente ocorre na fase da adolescência. É possível que algumas crianças apresentem já desde mais cedo algumas preferencias ligadas ao gênero oposto, porém, isto pode não significar muita coisa. No momento em que os pais percebam algo, por volta dos 13 ou 14 nos, a melhor forma de ajudar é deixar claro que o adolescente será aceito independentemente de sua condição sexual. Isto poderá fazer com que o adolescente se sinta mais a vontade para conversar com os pais sobre suas dúvidas e seus medos. Muito melhor é quando os pais compreendem. Neste momento, os adolescentes estão confusos com as mudanças corporais, pedagógicas, emocionais e hormonais.



Como os hormônios interferem nas mudanças?



Os hormônios possuem um papel muito intenso nessas mudanças. Alguns adolescentes podem ficar mais ansiosos, mais impulsivos, mudanças corporais como a voz grossa ou até mesmo o surgimento de pelos faciais e pubianos geram um amadurecimento emocional, fazendo com que estes percebam que estão iniciando a fase adulta, com isso, a necessidade de independência e de querer ser ouvido.



Por que é prejudicial os pais abandonarem o filho, caso descubram que ele é transgênero, gay, lésbica ou bissexual?



É prejudicial o abandono em qualquer que seja a condição de qualquer criança ou adolescente. Entretanto, quando falamos em algo que está fora da escolha, os filhos precisam se fortalecer com o apoio dos mais próximos. Muitos pais abandonam os filhos com a intenção de fazer com que o adolescente mude de ideia, mas, não é escolha. Não existe algo que justifique alguém tomar a "escolha" mais difícil. Então, isto é uma condição.



Qual a importância da aceitação dos pais?



A partir do momento que os pais compreendem e aceitam a condição de seu (sua) filho (a), a vida de ambos se torna mais fácil, não só do adolescente. Será mais fácil orientar, conversar, falar também de seus medos de forma mais aberta. Para o adolescente, esta aceitação se torna praticamente definitiva para a sua felicidade, levando em consideração que tudo o que fazemos é muito melhor quando temos a aprovação de nossos pais.

 

                                                                                 

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