PUBLICIDADE
PUBLIEDITORIAL ApaixonadosPorGente

Veja como lidar com birra na infância

Atitude natural, ela costuma estar relacionada à perdas e pequenas frustrações do dia a dia. Psicóloga explica que pais devem impor limites aos filhos

03/01/2019 17:01:00
Desde que estava na barriga, o Arthur é tranquilo. Já a Liz se mexia muito. Era agitada. Quando ela entrou na fase da birra, entre um e dois anos, se fosse contrariada se jogava no chão, dava muito trabalho mesmo.
Desde que estava na barriga, o Arthur é tranquilo. Já a Liz se mexia muito. Era agitada. Quando ela entrou na fase da birra, entre um e dois anos, se fosse contrariada se jogava no chão, dava muito trabalho mesmo.

A artesã e microempreendedora Ana Paula Catunda é mãe de um casal de crianças, Arthur, de 12 anos, e Liz, de 3 anos, que costumeiramente desenvolve problemas de birra, conta a mãe. “Desde que estava na barriga, o Arthur é tranquilo. Já a Liz se mexia muito. Era agitada. Quando ela entrou na fase da birra, entre um e dois anos, se fosse contrariada se jogava no chão, dava muito trabalho mesmo.”

Segundo o dicionário Michaelis da Língua Portuguesa, a palavra birra tem relação com “sentimento ou demonstração de animosidade, em particular quando motivado por capricho ou implicância”. Ou ainda, “ato de aferrar-se a certos comportamentos, e não ceder diante de argumentos contrários”. No caso de Liz, esse sentimento vinha à tona quando era obrigada a fazer algo que não desejava ou impedida de uma atividade prazerosa. Com o tempo, porém, a mãe foi percebendo as estratégias da filha e aprendendo a lidar melhor com as situações.

“Quando ela começava, nos primeiros anos, logo me estressava. Mas percebi que eu tinha que aprender com o sentimento dela. Então, notei, por exemplo, que quando eu me estressava ela se estressava mais ainda.” Como exemplo de birra, Ana Paula cita um episódio quando Liz não queria o almoço e começou a exigir comer fora. A mãe explicou que não poderia fazer o que ela gostaria, mas negociou uma saída: escolher juntas uma opção que estivesse disponível e fosse do agrado da filha.

A diminuição nas crises veio assim, à base de muita conversa, relembra Ana Paula. “Ela está melhorando porque está começando a tomar consciência das atitudes dela. Se está chorando, pergunto a razão, explico porque ela está errada. Outra estratégia é falar olho no olho, quando me abaixo e converso de igual. Assim, ela se acalma mais rápido.”

Sentimento de frustração e perda

Segundo Raissa Serpa, psicóloga do Hapvida, crises de birra em crianças costumam estar associadas a dificuldades em tolerar perdas, ou pequenas frustrações do dia a dia. Observada como sentimento humano natural, a birra não deve ser entendida como um problema em absoluto. “A birra é natural da infância. É importante saber, com isso, que nem toda birra precisa ser patológica, porque, dependendo da situação, é saudável. Realmente, é difícil perder. O sentimento de perda é totalmente natural.”

No entanto, frisa a psicóloga, é importante que os pais percebam que, para evitar tais problemas, é necessário estabelecer limites e regras. “Os pais precisam saber que a frustração e a perda na infância são sentimentos completamente naturais, e que é necessário evitar que a criança seja o centro da casa. Não é que os pais vão se adaptar à criança, mas as crianças precisam se adaptar à demanda dos pais. Assim, elas vão começar a perceber que os pais têm outras prioridades. Lógico que considerando as limitações da criança, o contexto em que elas se encontram. Mas é necessário que ela consiga entender que ela não é o centro das decisões”, explica Raissa.

De modo a oferecer um melhor aprendizado, a psicóloga sugere que os pais não tentem evitar sofrimento e tristeza nos filhos. “Porque, ao evitar esses sentimentos, vai ficando cada vez mais difícil para os filhos estabelecer um suporte emocional para essas situações, tanto na infância como na vida adulta.”

TAGS