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Artigo: o que significa a vitória de Roberto Cláudio

20:21 | 30/10/2016
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Com 53,57% dos votos, Roberto Cláudio (PDT) venceu em oito das 13 zonas eleitorais de Fortaleza. Em cinco delas, o prefeito reeleito abriu larga margem de vantagem sobre o seu adversário, o deputado estadual Capitão Wagner (PR), que derrotou RC em cinco zonas. O resultado tem duas leituras: RC consolidou-se onde já era favorito e dividiu os votos em áreas da cidade onde Wagner teria dianteira sobre RC. No cômputo geral, a balança naturalmente oscilou para o lado do prefeito, garantindo-lhe mais quatro anos de governo municipal.

Dois fatores colaboraram para que isso fosse possível: a gestão foi melhorando sua imagem com o eleitorado, fazendo aumentar número de bons e ótimos em sua avaliação captada pelos institutos de pesquisa no decorrer da disputa. Contou com escorregões de Wagner em sua estratégia política, como a promessa de casas populares para policiais militares e sua postura permissiva com relação aos PMs investigados por envolvimento na chacina de Messejana.
[SAIBAMAIS]

O quadro final, então, reflete o que se viu ao longo da campanha, cuja liderança sempre esteve nas mãos de RC. Há uma semana, por exemplo, o prefeito atravessou via-crúcis, com maratona de debates e críticas em série disparadas por Wagner, que amargou redução no seu tempo de horário eleitoral e a retirada do ar de sua página pessoal do Facebook num momento decisivo da campanha. Quando mais precisou do poder catalisador das redes, o nome do PR ficou de mãos atadas.

Outro ponto importante para compreender o que a vitória de RC representa: já na largada da segunda etapa desta eleição, o prefeito criou mais fatos políticos que Capitão Wagner. Além dos apoios de candidatos derrotados no primeiro turno, o pedetista foi às ruas e às redes sociais antes do oponente. Contra Wagner, somaram-se, portanto, a demora na capacidade de resposta de sua campanha e os episódios ligando PMs a ilegalidades no dia da votação do primeiro turno - treze juízes eleitorais assinaram conjuntamente um pedido de convocação do Exército para reforçar a segurança do pleito em Fortaleza. De acordo com eles, os militares agiram partidariamente a favor de Wagner.

Conte-se ainda, como fator de desgaste extra, a proposta de armar a Guarda Municipal e distribuir homens à paisana em coletivos da capital cearense. Faca de dois gumes, a sugestão assustou um segmento do eleitorado que, em princípio, não se alinharia automaticamente a Roberto Cláudio - parte considerável dos votos de Luizianne Lins (PT) e Heitor Férrer (PSB), por exemplo, migraria para RC, segundo apontou pesquisa O POVO/Datafolha.

Peça fundamental no xadrez político jogado pela família Ferreira Gomes hoje no País, a Prefeitura de Fortaleza é um troféu importante para o futuro dos irmãos Ciro, Cid e Ivo, este último eleito prefeito de Sobral. Sem ela, o projeto de concorrer à Presidência da República em 2018 - e, no limite, o de reeleição de Camilo Santana (PT) para o Governo do Estado - estaria seriamente comprometido.

Durante a campanha, ainda no primeiro turno, o governador do Estado chegou a afirmar que o grupo poderia perder em qualquer município cearense, menos em Sobral. Era justamente o contrário: os Ferreira Gomes poderiam até se dar ao luxo de serem derrotados em Sobral, mas, garantida a Capital, o projeto de poder da família sobreviveria. Seja por sorte ou competência, o futuro reservou algo melhor ainda para o grupo, que se saiu vitorioso nas duas cidades e agora se cacifa de vez como força nacional para as eleições de 2018, uma disputa que começa a partir de agora.

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