Varejo do Ceará cresce 6,1% e tem 4ª melhor desempenho do País em 2025
Com essa alta, o desempenho do Estado ficou 4,1 p.p. acima do nacional (0,1%) e foi o melhor do Nordeste, empatando com a Paraíba
Resumo
O desempenho cearense foi o melhor do Nordeste, empatando com a Paraíba no ranking das unidades federativas
No varejo comum, o Ceará cresceu 3,3%, enquanto o Brasil subiu 1,6%, no nono ano consecutivo de ganhos no cenário nacional
Farmácia (+9,8%), atacado de alimentos (+8,6%) e combustíveis (+8%) lideraram as altas no comércio varejista do Ceará em 2025
Informática (-12,6%) e livros (-1,1%) foram as únicas atividades com queda no volume de vendas cearense no acumulado do ano
O índice do volume de vendas cearense do comércio varejista ampliado foi o quarto maior do Brasil em 2025, com um crescimento de 4,2% em relação à 2024, ficando abaixo apenas do Amapá (7,9%), do Mato Grosso (5,1%) e de Tocantins (5%).
Esta categoria, além do varejo normal, inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo.
Com essa alta, o desempenho do Estado ficou 4,1 pontos percentuais (p.p.) acima do nacional (0,1%) e foi o melhor do Nordeste, empatando com a Paraíba. Confira mais abaixo o desempenho de cada Unidade Federativa (UF) em 2025.
Os dados foram compilados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta sexta-feira, 13.
De acordo com o levantamento, no período, apenas duas das onze atividades de divulgação analisadas apresentaram recuo: equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-12,6%), e livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%).
Nas altas, destacaram-se os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos ( 9,8%), o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,6%) e os combustíveis e lubrificantes (8%).
Considerando apenas o comércio varejista, o desempenho do Estado também foi positivo no acumulado do ano. A alta foi de 3,3%, 1,7 p.p. maior que a do Brasil (1,6%).
Confira o desempenho do Ceará em cada atividade de divulgação em 2025 em relação à 2024:
Comércio Varejista (3,3%)
- Combustíveis e lubrificantes: 8%
- Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 0,7%
- Tecidos, vestuário e calçados: 5,2%
- Móveis e eletrodomésticos: 0%
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos: 9,8%
- Livros, jornais, revistas e papelaria: -1,1%
- Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação: -12,6%
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 6,8%
Comércio Varejista Ampliado (4,2%)
- Veículos, motocicletas, partes e peças: 5,4%
- Material de construção: 1,2%
- Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo: 8,6%
Ainda no comparativo anual, de dezembro de 2024 para dezembro de 2025, o varejo cearense também se destacou, tanto no ampliado quanto no comum, com altas de 5,5% e 3,3%, respectivamente.
Das atividades de divulgação, o que se destacou nas altas, neste recorte, foi o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (14,3%). Já, nas baixas, foi a venda de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-24%).
Na avaliação do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL Fortaleza), Mauricio Filizola, os destaques dos setores farmacêutico e combustíveis ajudam a entender a qualidade desse crescimento.
"O setor farmacêutico do qual nossas empresas estão inseridas é um termômetro de consumo essencial: ele reflete prioridades das famílias com saúde, prevenção e bem-estar — um tipo de demanda mais resiliente. Já combustíveis sinalizam mobilidade econômica, circulação de pessoas e mercadorias, o que indica atividade produtiva acontecendo", afirma.
Por outro lado, ele acredita que a retração em materiais de escritório e comunicação mostra uma mudança no padrão de consumo. "Parte disso vem de ajustes tecnológicos, digitalização e maior seletividade nas compras, tanto das famílias quanto das empresas. Ou seja, não é apenas queda — é transformação do comportamento de compra."
Ele reforça que, no conjunto, os dados apontam para um varejo que cresce com base em setores estruturais e que está se reorganizando diante de novas dinâmicas de mercado. "O desafio agora é sustentar esse ritmo com produtividade, inovação e um ambiente de negócios que favoreça investimento e competitividade mesmo diante dos desafios deste ano, com juros altos, grande endividamento das famílias e empresas, muitos feriados."
A diretora institucional da Fecomércio Ceará, Cláudia Brilhante, explica que o desempenho do Ceará reflete uma combinação positiva de demanda consistente, fortalecimento de setores que mantêm desempenho estável e recomposição do consumo presencial.
"O Estado tem uma estrutura de consumo menos dependente de bens duráveis e mais baseada na renda corrente das famílias, o que favorece segmentos de alta recorrência, como artigos farmacêuticos, combustíveis e alimentos, os que mais se destacaram, conforme a pesquisa. Esses segmentos têm alta recorrência de consumo, se beneficiam de crescimento populacional urbano e envelhecimento relativo, além de responderem mais à massa de rendimentos do que à taxa de juros, criando assim um viés estrutural pró-crescimento no Ceará, diferente de estados mais dependentes de bens duráveis.
Confira abaixo o ranking do comércio varejista ampliado das UFs em 2025:
- Amapá: 7,9%
- Mato Grosso: 5,1%
- Tocantins: 5%
- Ceará: 4,2%
- Paraíba: 4,2%
- Rondônia: 3,6%
- Santa Catarina: 2,8%
- Rio Grande do Norte: 2,7%
- Espírito Santo: 2,5%
- Pará: 2,3%
- Acre: 2,1%
- Mato Grosso do Sul: 2%
- Roraima: 1,7%
- Rio Grande do Sul: 1,2%
- Amazonas: 1,2%
- Paraná: 1%
- Pernambuco: 1%
- Distrito Federal: 1%
- Minas Gerais: 0,7%
- Alagoas: 0,4%
- Bahia: 0,4%
- Sergipe: 0,2%
- Goiás: -0,3%
- Piauí: -0,6%
- Rio de Janeiro: -0,6%
- Maranhão: -1,3%
- São Paulo: -2,9%
Cenário nacional
As vendas no comércio varejista do Brasil fecharam 2025 com alta de 1,6%, no nono ano consecutivo de ganhos. Em dezembro de 2025, frente a novembro, o resultado do País mostrou uma variação negativa de 0,4%.
O desempenho do setor, registrado em 2025, por mais que não tenha sido expansivo como o de 2024, quando o ano fechou com crescimento de 4,1%, se mostrou, conforme o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, “razoavelmente distribuído”.
“O crescimento foi puxado pela farmacêutica, por móveis e eletrodomésticos e equipamentos para escritório, informática e comunicação, essa última fortemente influenciada pela forte desvalorização do dólar frente ao real, que ajudou nas vendas de produtos eletrônicos importados, como celulares e laptops”, avaliou.
No comércio varejista ampliado, o volume de vendas caiu 1,2% em dezembro, na série com ajuste sazonal. Já, na comparação com dezembro de 2024, o varejo ampliado cresceu 2,8%, enquanto em 2025 acumulou variação de 0,1%.
Esse resultado mais próximo da estabilidade no acumulado do ano, para Cristiano, ocorre devido “às perdas de setores importantes, como de revenda de veículos, motos, partes e peças (que havia tido um 2024 muito forte) e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo”.
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Confira o desempenho do Brasil em cada atividade de divulgação em 2025 em relação à 2024:
Comércio Varejista (1,6%)
- Combustíveis e lubrificantes: 0,6%
- Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 0,8%
- Tecidos, vestuário e calçados: 1,3%
- Móveis e eletrodomésticos: 4,5%
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos: 4,5%
- Livros, jornais, revistas e papelaria: -0,9%
- Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação: 4,1%
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 2,2%
Comércio Varejista Ampliado (0,1%)
- Veículos, motocicletas, partes e peças: -2,9%
- Material de construção: -0,2%
- Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo: -2,3%