1ª cesta básica de Fortaleza do ano registra inflação de preços
Valor do conjunto de 12 produtos básicos bateu os R$ 694,06 na passagem de dezembro para janeiro. Todavia, precificação está abaixo da cesta de julho (R$ 738,09) e de janeiro do ano passado (R$ 700,44)
Resumo
O aumento de janeiro foi puxado pela disparada de 20,84% no preço do tomate, enquanto arroz, óleo e açúcar apresentaram queda
O trabalhador que recebe um salário mínimo precisa dedicar mais de 94 horas por mês apenas para garantir a compra dos alimentos básicos
Após os descontos da previdência, a cesta básica consome 46,29% do salário mínimo líquido, pesando significativamente no orçamento familiar
O salário mínimo ideal para cobrir todas as necessidades básicas de uma família deveria ser de R$ 7.177,57, valor quatro vezes superior ao atual.
A primeira análise da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos apresentou inflação em Fortaleza e Região Metropolitana (RM), de 2,52%, na passagem dos meses de dezembro de 2025 para janeiro de 2026.
Porém, quedas foram registradas nas análises semestral (julho-2025 a janeiro-206) e na anual (janeiro-2025 a janeiro-2026).
A alta em um mês se deu sobretudo devido ao peso de seis dos 12 produtos que compõem a cesta. Destaque para tomate (20,84%), banana (4,89%) e farinha (4,43%), dentre as elevações, e arroz (-3,01%), óleo (-1,90%) e açúcar (-1,79%) nas baixas.
O conjunto de itens da cesta custou R$ 694,06 no mês passado, valor acessível ao trabalhador apenas após ele despender 94h e 12 minutos da jornada mensal. Isso tomando como base o salário mínimo vigente no País de R$ 1.621 e carga horária mensal de 220 horas.
O levantamento é realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e foi divulgado nesta segunda-feira, 9 de fevereiro.
Se o gasto com alimentação for para uma família considerada padrão (dois adultos e duas crianças), o custo com a cesta foi de R$ 2.082,18 em janeiro.
Além disso, comparando o custo do mês passado com o salário mínimo líquido — após o desconto da Previdência Social (7,5%) —, 46,29% do que o fortalezense remunerado pelo piso nacional recebeu foram comprometidos com a compra dos alimentos.
Na análise semestral, considerando janeiro como mês de encerramento deste período, a deflação foi de 5,97%. Anualmente foi de 0,91%.
Ou seja, a cesta de janeiro de 2026 (R$ 694,06) está mais barata do que em julho de 2025 (R$ 738,09) e do que a de janeiro de 2025 (R$ 700,44).
Tomate (-32,15%), arroz (-17,01%) e açúcar (-9,86%) lideram as retrações do semestre, enquanto óleo (5,70%), banana (1,98%) e carne (0,95%) avançaram.
Na série de 12 meses, puxaram o recuo os itens arroz (-35,15%), açúcar (-12,53%) e feijão (-8,47%). As elevações ficaram por conta de café (20,59%), banana (6,15%), pão (3,46%) e carne (2,69%).
Evolução de preços por produto 2024 x 2025 nos supermercados de Fortaleza
Cesta básica de alimentos no Brasil em janeiro
No País, a cesta básica subiu em 24 capitais e reduziu em três localidades.
Apenas de dezembro para janeiro, destaques das altas ficaram com Manaus (4,44%), Palmas (3,37%), Rio de Janeiro (3,22%), Fortaleza (2,52%), Cuiabá 2,47%), Aracaju (2,44%), Vitória (2,15%) e Belo Horizonte (2,02%).
São Paulo continua como a capital com maior custo, de R$ 854,37, seguida por Rio de Janeiro (R$ 817,60), Cuiabá (R$ 810,82) e Florianópolis (R$ 806,33).
Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 552,65), Maceió R$ 592,83), Natal (R$ 595,86) e Recife (R$ 600,09).
Como a averiguação da série histórica completa é possível apenas com 17 capitais, vê-se que o custo entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 aumentou em oito capitais e diminuiu em nove.
Aqui os principais encarecimentos foram em Porto Alegre (3,21%), Campo Grande (2,51%) e Rio de Janeiro (1,83%). No outro sentido se destacaram Natal (-6,03%) e Brasília (-3,97%).
Salário mínimo ideal
A Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos aponta ainda que o salário mínimo ideal.
Com base na cesta mais cara que, em janeiro, foi a de São Paulo, o valor para o brasileiro seria de R$ 7.177,57 ou 4,43 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621.
Para tanto, analisa-se a capacidade de o valor suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Em dezembro de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518, a quantia necessária era de R$ 7.106,83 e correspondia a 4,68 vezes o piso mínimo.
Já em janeiro de 2025, deveria ter ficado em R$ 7.156,15, ou 4,71 vezes o valor vigente.