326 km finais da Transnordestina no Ceará chegam a 80% de execução

Dos 12 trechos da Transnordestina no Ceará, que abragem 623 km, sete estão em construção. O percurso deve ser entregue no 1º semestre de 2027

18:04 | Jan. 30, 2026

Por: Maria Clara Moreira
OBRAS da Transnordestina têm atraído novos empreendimentos no Ceará (foto: FCO FONTENELE)

Os 326 quilômetros finais da Transnordestina no Ceará estão com 80% das obras concluídas. O percurso vai de Piquet Carneiro até o Pecém, englobando sete lotes que estão em construção atualmente.

A informação foi anunciada pelo governador do Estado, Elmano de Freitas, durante uma vistoria às obras da Transnordestina realizada nesta sexta-feira, dia 30, ao lado do secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, e do diretor-presidente da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), Ismael Trinks, além de outras autoridades.

Ao todo, a malha, no Ceará, com 12 trechos, abrangerá 623 km, indo de Salgueiro, em Pernambuco, até o Pecém. Confira a situação de cada trecho da Transnordestina no Estado mais abaixo.

A estimativa, conforme o divulgado por Elmano durante a visita, é de que as construções da fase 1 da ferrovia, que interliga o município de Paes Landim, no Piauí, ao Pecém, sejam finalizadas no primeiro semestre de 2027.

“Temos aqui uma obra que vai ajudar a transformar ainda mais a economia cearense. Estamos realizando a principal obra de logística do Estado do Ceará: uma ferrovia que vem do Piauí, uma região rica em grãos e minérios, e que vai atravessar o Ceará de norte a sul”, comentou o governador.

Para Leonardo Ribeiro, em todos os municípios que a ferrovia passar ela atrairá investimentos. “Uma ferrovia, uma vez implantada, induz a instalação de terminais e portos secos pelo setor privado em seu entorno, promovendo desenvolvimento, geração de emprego e renda. Temos certeza de que essa ferrovia vai transformar a economia local”, analisou.

Durante a vistoria, a comitiva passou pelas construções dos lotes 9 (Baturité–Aracoiaba) e 10 (Aracoiaba–Caucaia) da obra, que foram iniciadas neste mês pela Agis Construção S.A. e juntas somam uma extensão de 97 km.

Nesse percurso, no qual estão sendo aplicados R$ 2 bilhões, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Elmano destacou que já estão empregadas 140 pessoas e que, até o fim das construções, por lote, devem ser gerados cerca de 1.000 empregos.

 

Além disso, o grupo também vistoriou o lote 5 (Piquet Carneiro–Quixeramobim), com 51 km de extensão, cuja entrega está prevista para abril e que já se encontra com a superestrutura em execução. A expectativa apresentada é de que, a cada três a quatro meses, seja entregue 50 km de trilho no Ceará.

Confira abaixo a situação de cada trecho da Transnordestina no Ceará:

  • Trecho Salgueiro - Missão Velha (96 km): Executado
  • Lote 1 (50 km de Missão Velha - Lavras da Mangabeira): Executado
  • Lote 2 (50 km de Lavras de Mangabeira - Iguatu): Executado
  • Lote 3 (50 km de Iguatu - Acopiara): Executado
  • Lote 4 (51 km de Acopiara - Piquet Carneiro): Executado
  • Lote 5 (51 km de Piquet Carneiro - Quixeramobim): Superestrutura em execução
  • Lote 6 (51 km de Quixeramobim - Quixadá): Infraestrutura em execução
  • Lote 7 (55km de Quixadá - Itapiúna): Infraestrutura em execução
  • Lote 8 (46 km de Itapiúna - Baturité): Infraestrutura em execução
  • Lote 9 (46 km de Baturité - Aracoiaba): Infraestrutura iniciada
  • Lote 10 (51 km de Aracoiaba - Caucaia): Infraestrutura iniciada
  • Lote 11 (26 km de Caucaia - Pecém): Infraestrutura em execução

Transnordestina realizará mais três viagens-teste em fevereiro

Ainda durante a visita, o diretor-presidente da TLSA, Ismael Trinks, informou que a Transnordestina está com três viagens-teste já confirmadas para fevereiro, nas quais serão transportadas cargas de milho, sorgo e, pela primeira vez, gipsita, mineral utilizado na construção civil para a fabricação de gesso e cimento.

Contando com as viagens já realizadas, a ferrovia chegará a cinco viagens-teste. Nas duas primeiras, as cargas foram de grãos, com milho e sorgo, respectivamente.

O primeiro trajeto, realizado no dia 19 de dezembro, durou 12 horas e saiu de Bela Vista do Piauí (PI) para o município de Iguatu, no Ceará, em um trecho de 585 quilômetros, com 20 vagões.

Já a segunda viagem de teste, ocorreu entre os dias 11 e 12 deste mês, com o mesmo percurso. A carga foi destinada às granjas da região central do Estado.

A estimativa, com a conclusão das obras da malha ferroviária, de acordo com o governador do Estado, é de que a movimentação de grãos no Porto do Pecém seja dobrada.

“Para você ter uma ideia, o Tufi Daher Filho (diretor executivo de Infraestrutura e Logística da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN) me informou que vai começar a rodar o trem daqui a pouco com 100 vagões, cada vagão vai representar quatro carretas, então uma viagem desse trem vai representar 400 carretas”, ressaltou.

Transporte de pessoas na Transnordestina é possível, mas não é prioridade

Outra informação dada durante a vistoria das obras da Transnordestina foi de que há a possibilidade de que a malha transporte pessoas. Essa medida, entretanto, para o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, não é uma prioridade.

“Os nossos contratos de ferrovias sempre apresentam cláusulas que permitem esse compartilhamento de carga e passageiros. Entretanto, é claro que nós estamos focados aqui na carga, para que a gente possa fazer esse transporte da soja, do milho, de toda essa produção aqui para os portos”, destacou.

A opinião é compartilhada também pelo Ismael, da TLSA, que reforça que esse transporte de pessoas não está no planejamento da empresa, mas que caso haja o interesse do poder público, a TLSA “vai auxiliar o máximo possível”.

“Nós temos até uma obrigação contratual de que se houver interessados, temos previsto janelas operacionais para que possa ser feito o transporte de pessoas”.

Conheça o histórico da Transnordestina