Will Bank: saiba como ficam cartão, boletos, dívidas, salário e pagamentos
O banco digital teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) e começou a bloquear contas de usuários, que ficaram sem saber como proceder com os serviços
12:38 | Jan. 22, 2026
A decretação da liquidação extrajudicial Will Bank pelo Banco Central, ocorrida na quarta-feira, 21 de janeiro, interrompeu subitamente as operações da fintech que estava em Regime de Administração Especial Temporária (Raet) desde novembro do ano passado, quando foi decretada a liquidação do Banco Master.
Para os 12 milhões de clientes que utilizavam a plataforma para movimentações diárias, investimentos ou crédito, o momento exige cautela e atenção a procedimentos específicos visando evitar prejuízos financeiros adicionais e garantir a recuperação de valores depositados.
Liquidação do Will Bank: como faço com pagamentos, dívidas e boletos?
A primeira medida recomendada pelas autoridades reguladoras diz respeito à manutenção dos pagamentos. Embora o aplicativo e os cartões do banco tenham sido bloqueados, as dívidas contraídas pelos clientes permanecem válidas contratualmente.
Leia mais
É o que explica o advogado Roberto Moraes, que tem atuação em regulação e litígios empresariais. Segundo ele, o não pagamento pode acarretar juros de mora e a inclusão do nome do consumidor em cadastros de inadimplentes como o Serviço de proteção ao crédito (SPC) e o Serasa, uma vez que os ativos agora pertencem à massa liquidante da instituição.
"Embora o Will Bank tenha encerrado suas atividades, os contratos firmados com clientes continuam válidos. Na prática, dívidas como faturas de cartão de crédito, empréstimos e financiamentos permanecem exigíveis", explica.
Como o sistema da instituição está instável, muitos usuários relatam dificuldade para emitir boletos. Nestes casos, a orientação é aguardar a divulgação dos canais oficiais que serão estabelecidos pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.
"Havendo dificuldade de pagamento, o cliente deve acompanhar comunicados oficiais e documentar formalmente as tentativas de quitação", complementa Roberto.
Reinaldo Domingos, mestre em Educação Financeira, reforça que, no entanto, não há motivo para desespero, e, neste cenário inicial, o consumidor não deve ser protestado. O" mais importante é acompanhar as informações oficiais que serão divulgadas."
O que houve com o Will bank? Veja o que fazer se você tem dinheiro no banco
Para quem possui saldo em conta-corrente ou aplicações financeiras com Recibos de Depósitos Bancário (RDBs) e Certificado de Depósito Bancário (CDBs), o cenário é de segurança garantida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Como o Will Bank era uma instituição associada ao fundo, os clientes têm direito ao ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF. Para quem tinha mais, o ressarcimento deve demorar.
Porém, a empresa era focada em pessoas de menor poder aquisitivo e a expectativa, portanto, é que esse teto em dinheiro cubra a maioria dos consumidores.
"O cliente não deve ter prejuízo financeiro, apenas precisará ter paciência até que o processo de ressarcimento seja concluído. Esse é também um momento importante para acompanhar atentamente as comunicações oficiais do Banco Central, que irá orientar os correntistas sobre os próximos passos", detalha Reinaldo.
O processo de devolução do dinheiro aplicado ocorre de forma totalmente digital. O correntista deve baixar o aplicativo oficial do FGC, realizar o cadastro com seus documentos e aguardar o processamento da lista de credores.
Porém, o pagamento não é imediato. Após a consolidação dos dados pelo liquidante, o prazo médio para a liberação do dinheiro costuma variar entre um e dois meses.
Leia mais
Contudo, não se pode apostar todas as fichas no FGC. Roberto detalha que "O Fundo Garantidor de Créditos é reconhecido pelo Banco Central, mas não é infalível. A liquidação do Master e do Will Bank pressiona o fundo e pode afetar prazos, mesmo com garantia limitada a certos produtos".
Segundo dados do IFData do BC, a liquidação da Will Financeira, pode adicionar ao resgate do FGC até R$ 6,5 bilhões — o que representa o total de depósitos a prazo da fintech em setembro de 2025 — e pode atrasar o processo.
Isso sem contar o fato de que já estão realizando o maior resgate de sua história no caso do Banco Master. A previsão é de desembolsar cerca de R$ 40,6 bilhões para aproximadamente 800 mil investidores.
Clientes que recebem o salário pela conta do Will Bank
Outro ponto crítico envolve os clientes que utilizam a conta para o recebimento de salários. Como as operações de saída de recursos estão suspensas, qualquer novo depósito que caia na conta do Will Bank ficará retido até que o processo do FGC seja concluído.
Todavia, Roberto detalha que os salários com portabilidade ao Will devem voltar ao banco de origem. Ainda assim, é recomendado que o empregador acione os Recursos Humanos da empresa e suspenda a portabilidade para evitar retenção ou devolução, informando novos dados bancários para os próximos pagamentos, evitando assim o comprometimento de sua renda mensal.
O momento de incerteza demanda atenção redobrada também com a segurança digital. É comum que, em episódios de liquidação bancária, surjam tentativas de golpes por meio de links falsos enviados por e-mail ou aplicativos de mensagem, prometendo a antecipação de valores ou descontos agressivos para quitação de dívidas.
Roberto acrescenta: "é recomendável manter comprovantes, monitorar débitos automáticos, exigir documentação de terceiros e consultar especialista em caso de dúvidas contratuais".
Todas as comunicações oficiais e instruções para o pagamento de débitos ou resgate de investimentos serão feitas exclusivamente pelos seus canais institucionais e pelo site do Fundo Garantidor de Créditos.
Alerta para levar como aprendizado após os casos Will Bank e Banco Master
Por fim, Reinaldo alerta que a principal orientação é investir sempre com diversificação, respeitando limites do FGC e avaliando cuidadosamente a saúde financeira das instituições.
Bancos que oferecem juros muito acima do mercado podem estar enfrentando desequilíbrios financeiros, o que serve como sinal de alerta.
"É essencial acompanhar os investimentos, entender prazos, riscos, liquidez e contar, sempre que possível, com o apoio de educadores financeiros ou agentes especializados. Educação financeira, planejamento, orçamento e escolha de instituições sólidas e supervisionadas pelo Banco Central são fundamentais para proteger o patrimônio construído ao longo da vida", complementa.