FMI eleva previsão para inflação global em 2026, a 3,8%, e vê desaceleração a 3,4% em 2027
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a inflação global deve desacelerar de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026, segundo atualização trimestral das Perspectivas Econômicas Globais da instituição, divulgada nesta segunda-feira, 19. Os números representam um corte na estimativa para o ano passado, mas uma elevação na previsão para este ano em comparação ao relatório de outubro, que previa alta de 4,2% e 3,7%, respectivamente.
Para o Fundo, as projeções seguem amplamente inalteradas e sugerem que os preços aos consumidores estão retornando para a meta, embora em ritmo mais lento nos EUA do que em outras economias. Em 2027, a expectativa é de que a inflação reduza o avanço a 3,4%.
O relatório nota que os custos de vida americanos são a maior preocupação em pesquisas domésticas, que apontam expectativas inflacionárias no horizonte de um ano e preços ao produtor industrial ainda elevados.
Apesar disso, o FMI espera que os efeitos das tarifas desapareçam ao longo deste ano e pondera que os preços de commodities de energia, incluindo petróleo e gás natural, devem cair cerca de 7% em 2026, em um mercado ainda composto por oferta excessiva e demanda fraca, dando alívio a pressões inflacionárias.
Entre os riscos, o Fundo cita possíveis desdobramentos da política fiscal em nível global e tensões comerciais e geopolíticas. Segundo a instituição, acordos comerciais podem reduzir as tarifas efetivas e gerar ganhos globais de eficiência, enquanto a redução nas tensões geopolíticas pode contribuir para aliviar cadeias de suprimento.
Contudo, uma escalada "significativa" geopolítica no Oriente Médio, Ucrânia, Ásia e/ou América Latina pode desencadear choques negativos de oferta ao interromper rotas de frete, viagens aéreas, entre outros efeitos. Este cenário levaria a "atrasos e aumentos nos custos", principalmente se infraestruturas críticas forem danificadas, elevando preços de commodities, alerta o FMI.
Os dados contidos no relatório foram coletados até dezembro de 2025, conforme comunicou a instituição. Apesar de mencionar fatos recentes, como a investigação do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, os cálculos não incluem impactos de acontecimentos recentes, como a retirada do ditador Nicolás Maduro da liderança da Venezuela pelos EUA.
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