Diretor do Fed, defende tarifas, critica manifesto de BCs sobre Powell e projeta uso do dólar
O diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Stephen Miran afirmou que as tarifas não tiveram efeitos na inflação e que não estão impulsionando os preços, ao participar de rodada de perguntas e respostas no Fórum Econômico de Delfos, na Grécia, nesta quarta-feira, 14. Na avaliação dele, a alta inflacionária pode ser resultado de outros desdobramentos internacionais, incluindo a pandemia de covid-19.
"É uma análise preguiçosa dizer que tarifas são a única razão pela alta da inflação. Os preços estão caindo, o resto é só ruído", defendeu ele, ao projetar desinflação.
Em relação ao uso do dólar, Miran disse que uma moeda fraca ou forte tem consequências na economia e na política monetária, mas ressaltou que o está otimista com métricas do uso internacional da moeda - que ele já avalia como "fantástico" - e que a introdução de stablecoins irá fortalecer ainda mais esse movimento.
Sobre o manifesto de apoio ao presidente do Fed, Jerome Powell, que é assinado por presidentes de BCs como Christine Lagarde (BCE), Andrew Bailey (BoE) e Gabriel Galípolo (BCB), Miran avaliou como "não apropriado". "Não é apropriado banqueiros centrais se envolverem em assuntos fora de política monetária nem mesmo em seus países, e é ainda menos apropriado em outros países", criticou.
Miran disse que a "ameaça" do Fed não levará a inflação para cima e reiterou a necessidade de cortes de 150 pontos-base (pb) neste ano.
Dentre outros temas, o diretor do Fed destacou que as instituições americanas são fortes e que o que importa "é se as políticas são boas ou ruins". Além disso, ele avaliou que anteriormente o BC super regulamentou os bancos, implementando muitas normas no sistema bancário, mas que a vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, está fazendo "um trabalho maravilhoso" de modernização no setor.