Com forte apoio de Vale, Ibovespa sobe 1,11%, aos 163,6 mil pontos
Mesmo com Petrobras (ON -1,92%, PN -1,85%), como na segunda-feira, 05, na contramão das principais blue chips, o Ibovespa tocou os 164.135,03 pontos no melhor momento da sessão e ainda fechou em alta de 1,11%, aos 163.663,88 pontos, com giro financeiro a R$ 24,8 bilhões. Nas três primeiras sessões de 2026, o índice agrega 1,58% e, na semana, avança 1,95%. Nesta terça-feira, 06, com forte apoio de ações como Vale (ON +3,76%) e, em menor grau, de grandes bancos (BB ON +1,10%, Itaú PN +0,60%), em dia majoritariamente positivo para o setor financeiro, a referência da B3 operou em alta desde a abertura, aos 161.869,76 pontos.
Foi o segundo maior nível de fechamento da história, superado apenas pelo de 4 de dezembro - o dia anterior ao anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - quando o Ibovespa foi aos 164.455,61 pontos naquele encerramento. O desempenho do índice na sessão desta terça foi condicionado pela forte ponderação de Vale, o principal papel da carteira do índice. O movimento elevou a cotação do papel a R$ 75,88 na máxima do dia, atingindo assim o maior nível intradia desde 2007, no último desdobramento promovido pela empresa.
Considerando o Ibovespa como um todo, que avançou mais do que os índices de ações de Nova York sem um gatilho macro específico, Patrick Buss, operador de renda variável da Manchester Investimentos, observa que, ao longo do tempo, "a gente vai ver esses preços corrigindo bastante para cima, justamente porque está se chegando cada vez mais perto de um corte de juros" no Brasil. "Quanto mais perto de março a gente chegar, vamos ver essas altas acontecendo", acrescenta.
Com relação à Petrobras, "no longo prazo, a possibilidade de ingresso de empresas americanas na Venezuela é um aspecto de pressão sobre margens, com o potencial aumento de oferta global tendo em vista as reservas do país. É um petróleo pesado o venezuelano, mas as refinarias americanas têm como processá-lo. Ainda que isso venha a acontecer no futuro o reingresso de petrolíferas americanas; nesta terça apenas uma delas, a Chevron, opera na Venezuela, vai levar tempo e consumir muito investimento", aponta Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos.
Nesta terça, problemas operacionais na Margem Equatorial contribuíram para manter as ações da Petrobras na defensiva, em sessão negativa também para os preços do petróleo em Londres e Nova York. Pesaram os problemas em linhas de sonda na Margem Equatorial, confirmados oficialmente pela companhia à tarde, aponta o analista Pedro Galdi, da AGF.
De acordo com fontes da empresa sob condição de anonimato, será preciso trocar a vedação de uma das juntas, que resultou em perda de fluido das linhas. Segundo as mesmas fontes, a retomada da perfuração no campo de Morpho, na Margem Equatorial, deve levar cerca de 15 dias.
A estatal informou que no domingo, 4, foi identificada perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ODN II, que explora o poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá.
Além das duas ações de Petrobras, ocuparam a ponta negativa do Ibovespa na sessão as ações da Vivara (-3,19%), Direcional (-1,81%) e Raízen (-1,22%). No lado oposto, Hapvida (+8,70%), Assaí (+5,62%), Braskem (+5,13%) e Usiminas (+4,06%).
Para Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, apesar do desempenho positivo do Ibovespa neste começo de ano, alguma cautela tende a se impor nas próximas sessões, até que se conheçam dados econômicos importantes, previstos para a sexta-feira: o payroll, nos Estados Unidos, e o IPCA, no Brasil. "O IPCA é central para as expectativas sobre a trajetória da Selic, com parte do mercado ainda considerando a possibilidade de início do ciclo de cortes de juros já neste mês de janeiro", diz.