BCE/Villeroy: uso do dólar como 'arma' pelos EUA mina confiança e acelera diversificação
O presidente do Banco da França e dirigente do Banco Central Europeu (BCE), François Villeroy de Galhau, afirmou que o temor de que os Estados Unidos passem a "usar cada vez mais os pagamentos globais baseados no dólar como uma arma" está levando "algumas jurisdições a desenvolver sistemas alternativos de pagamento". Em discurso nesta terça-feira, 6, ele salientou que esse movimento reflete mudanças profundas no sistema monetário internacional diante de um ambiente geopolítico mais fragmentado.
Segundo Villeroy, "essas políticas dos EUA estão minando a confiança dos investidores globais em ativos denominados em dólar e provavelmente alimentarão uma tendência de diversificação". Ele observou que, entre o segundo trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2025, a participação do dólar nas reservas oficiais alocadas caiu cinco pontos porcentuais, o que, em sua avaliação, indica uma erosão gradual da confiança internacional na moeda americana.
Apesar disso, Villeroy ressaltou que o dólar "permanece no centro do sistema monetário internacional", sustentado pela ampla utilização da moeda e pelos fundamentos da economia dos EUA. Ainda assim, ele argumentou que decisões recentes de Washington - como questionamentos à independência do Federal Reserve (Fed), dúvidas sobre a disciplina fiscal e a imposição de tarifas comerciais - têm enfraquecido alguns pilares da dominância do dólar.
Villeroy acrescentou que outro sinal dessa perda de confiança foi o "descolamento, ainda que transitório" entre a taxa de câmbio euro/dólar e o diferencial de juros de dois anos entre a zona do euro e os EUA após o anúncio de tarifas americanas em abril de 2025. Para ele, esse episódio reforça a percepção de que investidores começam a reavaliar o papel do dólar como principal ativo de reserva.
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