Prefeitura de Fortaleza renegociou pagamento de R$ 550 mi para 2026
De R$ 1 bilhão em débitos no início de 2025, total de R$ 450 milhões foram pagos. Após negociação, fornecedores devem receber restante em janeiro, diz o prefeito Evandro Leitão (PT)
Parte do débito de R$ 1 bilhão da Prefeitura de Fortaleza com fornecedores deve ser pago apenas em 2026, confirmou o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT). Segundo ele, a gestão já efetuou R$ 450 milhões em pagamentos e a sobra fica para o próximo ano após negociação com os credores.
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Segundo o chefe do Executivo municipal, a gestão herdou as contas públicas em péssimas condições, com débitos de 2024. Assim, com o recurso disponível em 2025, foram feitos parte dos pagamentos.
A expectativa de Evandro é de que o restante seja pago em 2026, ano que o espera que as contas da Prefeitura se recuperem a partir da obtenção do nível de capacidade de pagamento padrão B (Capag B), após avaliação da Secretaria do Tesouro Nacional.
"Eu estou passando para o próximo ano porque o (orçamento) desse ano foi consumido em parte pagando contas do ano passado (2024). Aí, alguns pagamentos (com vencimento) deste ano, eu coloquei para janeiro. Foi negociado com os fornecedores", afirma.
Em entrevista exclusiva ao O POVO, Evandro fez um balanço do primeiro ano de gestão, que teve como principal desafio a questão das contas públicas.
Conforme o prefeito, de R$ 1 bilhão em débitos, um montante de R$ 508 milhões eram só na área de saúde, sendo que R$ 73 milhões com o Instituto Dr. José Frota (IJF).
Ele revela ainda que havia inadimplências de 4 a 5 meses com organizações sociais e cooperativas fornecedoras de medicamentos.
"Foi um ano muito desafiador, um ano em que nós reestruturamos as nossas contas públicas", pontua.
Retomada da capacidade de investimentos públicos
Com a retomada de Capag B, Evandro destaca que uma série de recursos oriundos de empréstimos com organismos internacionais podem cair na conta da Prefeitura, o que permitiria aumentar a capacidade de investimentos, prejudicada em 2025 com a "surpresa negativa" do rebaixamento para Capag C.
Com a queda para Capag C, diz o prefeito, muitas operações de crédito, como a da CAF (US$ 150 milhões) e a do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), com garantia da União (R$ 1,1 bilhão), não pudessem ter sido realizadas.