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No Brasil, 66% dos professores afirmam interesse em práticas de educação empreendedora

A pesquisa destaca ainda que 35% dos docentes se afirmam como distantes do tema, com pouco conhecimento sobre e sem incentivos para se aproximarem do assunto

Ainda que a maior parte dos professores da rede pública no Brasil se mostre favorável ao ensino e práticas de educação empreendedora, a falta de formação técnica e apoio são gargalos para avanço do tema. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com o Canal Futura, revela, em um levantamento exclusivo, que 66% dos docentes afirmam ter interesse em realizar ações de educação empreendedora no País

A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, 1º de junho, estima que 46% dos docentes da rede pública no Brasil possuem conhecimento e interesse em implementar técnicas de educação empreendedora, e ainda com apoio da escola onde ministram aulas.

Outros 20%, porém, afirmam ter interesse pelo tema, mas ponderam a falta de apoio e incentivo para investir na área. A pesquisa destaca ainda que 35% dos docentes se declaram como distantes do tema, com pouco conhecimento, e também afirmam não ter incentivos para se aproximarem do assunto.

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"Se a gestão não estiver mobilizada para isso, os professores sozinhos não terão como implementar mudança alguma, a pesquisa destaca bem isso", pontua Rafael Camelo, diretor de Avaliação e Planejamento da Plano CDE, consultoria responsável pelo levantamento. Ele reforça ainda que o estudo contribui para a "quebra de mitos" sobre a educação empreendedora. 

Um dos pontos de questionamento sobre o tema é o de interesse e disponibilidade dos professores em atuar na área. A pesquisa, porém, expressa que apenas 7% dos docentes se apresentam como críticos e contrários à metodologia da educação empreendedora nas salas de aula de formação básica e de nível médio de ensino. 

Falta de formação trava avanços da educação empreendedora

O levantamento feito pelo Sebrae e o Canal Futura, com apoio da Fundação Roberto Marinho, destaca que as principais barreiras para o ensino da educação empreendedora estão relacionadas a aspectos pedagógicos e administrativos.

A Falta de tempo para desenvolver práticas do tema em meio a obrigatoriedade da matriz curricular de cada disciplina é o principal entrave apontado pelos docentes. Questão está presente em 46% das reclamações dos docentes.

A dificuldade em alinhar as novas práticas com outras disciplinas, bem como os assuntos da educação empreendedora se faz presente em 40% das ponderações ouvidas pela pesquisa. Entre os 25% dos professores que afirmam ter muito conhecimento do tema, 86% relatam interesse de aprender mais sobre o assunto para então passar a implementar ele em suas respectivas aulas.

Nesse cenário, a educação empreendedora é associada a ideias genéricas sobre empreendedorismo e mercado de trabalho, o que, conforme a pesquisa, configura outro gargalo para avanço do tema. Fato dificulta o entendimento das possibilidade de abordagem do tema em paralelo com o conteúdo programa para o ano letivo e gera receio de uma jornada adicional no trabalho dos professores. 

"O professor ele entende a importância, mas quando olhamos para escola, ela não está preparada para isso, ela não dá esse espaço. Mas esse espaço não está construído porque há um fluxo administrativo, pedagógico muito arcaico para que isso se transforme", argumenta Antônio Neto, consultor em educação. 

O especialista pontua ainda que o professor precisa ter amparo para alinhar suas ações com a nova base de ensino que prevê uma interdisciplinaridade intensa para então, por meio de formações técnicas, entender como inserir a educação empreendedora no cotidiano da sala de aula. 

"Muitas vezes nossos docentes já fazem isso sem saber, com exemplos, com conversas. Não será um trabalho a mais. A grande questão é como fazer com que ele tenha a intencionalidade de formar os jovens nesse aspecto e para isso ele precisa de um ambiente de apoio bem mais estruturado", afirma Antônio. 

O diálogo maior com os pais sobre as potencialidades do ensino empreendedor para autonomia, gestão, criatividade e desenvolvimento infanto-juvenil também precisa ser reforçado, na visão do especialista, para que a família também entenda e incentive a educação empreendedora, não apenas pensando nela como algo tecnicista ou voltado para criação de negócio. A ideia dessa abordagem, conforme defende Antônio, está relacionada, principalmente, com os princípios e a busca por um desenvolvimento sustentável.

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