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Endividamento atinge maior patamar em 12 anos e afeta 76% das famílias no Brasil

Dados de fevereiro de 2022 revelam ainda de do total de endividados, 10,5% não têm como realizar nenhum tipo de pagamento ou iniciativa para quitação das dívidas
12:28 | Mar. 03, 2022
Autor Alan Magno
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Alan Magno Estagiário de jornalismo
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Tipo Notícia

Cerca de 12,5 milhões de pessoas encerraram fevereiro de 2022 endividadas no Brasil. Número total corresponde a 12.518.169 de brasileiros, representando 76,6% das famílias do País. O grau de endividamento registrado é o maior nos últimos 12 anos, conforme revela a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta segunda-feira, 3 de março, pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). 

Em igual período de 2021, o percentual de endividamento das famílias brasileiras estava em 66,7%, o que indica a piora da saúde financeira no último ano. O estudo leva em consideração todas as dívidas registradas, em atraso ou não, com cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de lojas, empréstimo pessoal, prestação de carro ou casa e seguro. 

A pesquisa revelou ainda que do total de endividados no Brasil, 10,5%, o equivalente a 1.215.816 de pessoas, não terão como quitar, pagar as parcelas, ou qualquer outra ação com relação às dívidas existentes e seguirão inadimplentes por mais tempo, sem perspectiva de regularização dos débitos. 

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O número de pessoas sem condições de quitar ou renegociar suas dívidas acumula aumento de 0,4 ponto percentual em um mês, no comparativo entre janeiro e fevereiro de 2022. Nesse cenário, se comparado à taxa de antes da pandemia de Covid-19, o indicador de inadimplência está três pontos percentuais
acima do registrado em fevereiro de 2020.

A escalada dos juros encarece o crédito e dificulta a renegociação das dívidas, conforme aponta o CNC. "O custo do crédito mais elevado e o próprio endividamento alto entre as pessoas que vivem no mesmo domicílio dificultam a contratação de novas dívidas, como também o pagamento dos compromissos na data de seus vencimentos", destaca a Confederação. 

No contexto de intenso endividamento no Brasil, mais da metade (53,9%) dos cerca de 12,5 milhões de brasileiros endividados estão com entre 11% e 50% da renda comprometida por dívidas. Em situação ainda mais grave, 20,8% dos brasileiros endividados, um contingente de 2.603.779 pessoas, estão com mais da metade da rende comprometida por dívidas

"A alta da inflação e dos juros tem deteriorado os orçamentos domésticos, culminando no
acirramento dos indicadores de inadimplência, a qual vinha apontando tendência de alta desde o
último trimestre do ano passado", destaca a Confederação Nacional do Comércio na apresentação dos dados da pesquisa. 

A CNC pontua ainda que o grau de endividamento elevado, além de ser maléfico para saúde econômica do Brasil, impacta diretamente na qualidade de vida das famílias brasileiras agravando as problemáticas sociais como a insegurança alimentar. "O poder de compra das famílias também está afetado pelo nível
de endividamento elevado, com as dívidas já contratadas", complementa. 

Situação pessoal com relação às dívidas no Brasil

Muito endividado

  • Fevereiro de 2021: 13,9% 
  • Fevereiro de 2022: 17,4%

Mais ou menos endividado

  • Fevereiro de 2021: 24,4% 
  • Fevereiro de 2022: 26,7%

Pouco endividado

  • Fevereiro de 2021: 28,4% 
  • Fevereiro de 2022: 32,6%

Não tem dívidas 

  • Fevereiro de 2021: 33,2% 
  • Fevereiro de 2022: 23,4%

Endividamento em alta em todas as faixas de renda

Entre as famílias com rendimentos de até dez salários mínimos, fixado em R$ 1.212 neste ano, o número daqueles com dívidas ou contas em atrasos atinge um recorde. Nesse recorte, 30,3% das famílias brasileiras com renda mensal de até R$ 12 mil encerraram fevereiro com no mínimo uma conta atrasada. Entre aqueles com renda acima desse patamar, o percentual de atraso foi de 12,6%, maior taxa desde abril de 2018.

Entre as famílias com renda acima de R$ 12 por mês no Brasil, a taxa de endividamento chegou a 72,2%, sendo o maior percentual já registrado para tal faixa de renda. O aumento do endividamento para esse público é de dez pontos percentuais em um ano. 

Tipos de dívidas no Brasil em fevereiro de 2022

  • Cartão de Crédito: 86,5% 
  • Cheque Especial: 5,7% 
  • Cheque Pré-Datado: 0,6% 
  • Crédito Consignado: 6,5% 
  • Crédito Pessoal: 9,2% 
  • Carnês: 19,9% 
  • Financiamento de Carro: 11,7% 
  • Financiamento de Casa: 9,1% 
  • Outras dívidas: 2,0% 
  • Não sabe: 0,1% 

Aumento do endividamento nos próximos meses de 2022

 

Do total de endividados no País, 5,4 milhões de brasileiros estão com dívidas em atrasos há mais de três meses. Montante representa 43,2% de todos os endividados no Brasil. Outros 3,9 milhões de pessoas acumulam boletos com atrasos de 30 até 90 dias. Um percentual menor, equivalente a 23,5% do total de endividados, está inadimplente há menos de um mês. 

O tempo de comprometimento de renda com relação a dívidas, porém, acende um alerta conforme dados da CNC. Ao menos 4,3 milhões de brasileiros estão com a renda comprometida até fevereiro de 2023 devido acúmulo de dívidas. A média de comprometimento de renda no País é de cerca de sete meses. Apenas 23,8% dos endividados no País devem quitar as dívidas nos próximos três meses. 

Cenário é desafiador e apresenta risco de agravamento, conforme argumenta a CNS: "O encarecimento do crédito no Brasil e a fragilidade apontada no mercado de trabalho, especialmente em ano eleitoral, devem seguir afetando a dinâmica do endividamento e da inadimplência dos consumidores".

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