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Madero chega à Bolsa para tentar reduzir endividamento

A expectativa é de que mais de R$ 2 bilhões sejam levantados na operação. O grupo tem três restaurantes em Fortaleza, sendo dois com a marca Madeiro e uma do Jeronimo
08:12 | Ago. 04, 2021
Autor - Agência Estado
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A rede de restaurantes Madero, que entrou com pedido de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), quer usar metade dos recursos captados para diminuir seu endividamento, que cresceu 40% só este ano. A dívida bruta passou de R$ 705 milhões, em dezembro passado, para R$ 989,6 milhões, no encerramento de junho. Em relação a dezembro de 2019, o passivo quase triplicou.

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Em Fortaleza, a rede está presente com três restaurantes, sendo dois com a marca Madero e uma do Jeronimo. No prospecto enviado à CVM, a empresa informou que o fluxo de vendas de suas lojas já atingiram níveis similares ao período pré-pandemia. 

A expectativa é de que o IPO ocorra ao fim do terceiro trimestre ou no começo do quarto. Algumas reuniões iniciais para testar o interesse dos investidores e gestores foram feitas nas últimas semanas. 

Dos recursos captados no IPO, que pode superar R$ 2 bilhões, de acordo com fontes, o Madero pretende utilizar 50% para investir na expansão de restaurantes e 50% para saldar contratos financeiros, conforme o prospecto. Na parte de expansão, a rede informa que tem potencial para abrir 400 unidades nos próximos dez anos, incluindo as bandeiras Madero e Jerônimo.

 

O Madero fechou junho com R$ 1,8 bilhão em obrigações, incluindo a dívida bruta, arrendamentos, despesas com impostos e previdência - conta que subiu 17,3% ante dezembro. Apesar do aumento da dívida, o Madero informa que chegou a um acordo com os bancos credores - BTG Pactual, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú, todos presentes na coordenação do IPO.

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Em 30 de junho, a empresa conseguiu obter o waiver (consentimento) para todas as suas obrigações previstas e que poderiam não ser cumpridas nos contratos de empréstimos e financiamentos. Entre junho e julho, em nova rodada de negociações com os credores, o Madero conseguiu uniformizar os acordos com os bancos, segundo o prospecto preliminar.

Além da oferta primária, com recursos indo para a empresa, haverá uma venda secundária de ações dos sócios, incluindo o empresário Junior Durski, que tem 65% da empresa. O fundo Madrid, da gestora americana Carlyle, que detém 27%, também venderá uma fatia. O fundo investiu R$ 700 milhões na rede em 2017.

Procurada, a rede Madero não comentou por estar em período de silêncio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Dona da MMartan mira IPO de R$ 700 milhões

ECONOMIA
08:13 | Jul. 31, 2021
Autor Agência Estado
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A Ammo Varejo, que tem sob o seu guarda-chuva marcas como MMartan e Artex, caminha para estrear na Bolsa de Valores. A empresa faz parte do Grupo Coteminas, empresa fundada pelo ex-vice-presidente José Alencar, que faleceu em 2011. O plano é captar com investidores, por meio de uma oferta inicial de ações (IPO, pela sigla em inglês), cerca de R$ 700 milhões, conforme apurou o Estadão.
A oferta do braço de varejo do grupo industrial é planejada ainda para este semestre. A emissão será primária, com os recursos sendo direcionados ao caixa da empresa para financiar planos de expansão, e também secundária, com a controladora vendendo ações.
A Coteminas controla, com cerca de 53%, a holding Springs Global, fruto de uma joint venture com a americana Springs Industries em 2005, que já possui capital aberto na Bolsa brasileira.
A empresa da família Alencar é comandada por Josué Gomes, que no início do ano que vem assume a presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A área digital da empresa está atualmente nas mãos de seu filho Josué Alencar. E o prospecto do IPO mostra que parte dos recursos que serão captados terá esse destino: tecnologia, além de expansão de portfólio, logística e crescimento de canais de distribuição.
No mesmo documento, a companhia diz que possui 23% de participação no e-commerce em cama, mesa e banho. A empresa afirma que tem testado novos modelos de negócios e de distribuição, tal como franquia digital, as chamadas "dark stores" (que são pontos de vendas que atendem apenas a vendas online) e as "live shoppings", que são as vendas online interativas com os clientes.
Com o filho já cuidando de uma área que tem ganhado cada vez mais relevância, a expectativa é de que suas funções cresçam à medida que José Gomes terá novas atribuições na sua agenda estando à frente da Fiesp, ao substituir Paulo Skaf, que ficou por 17 anos no cargo. Na primeira metade do ano, a empresa registrou uma receita líquida de R$ 238,6 milhões, aumento de 37% ante o visto um ano antes.
A XP coordena a oferta da companhia, ao lado do UBS, BB e Banco ABC. Procurado, o Grupo Coteminas não respondeu aos contatos até a publicação desta reportagem.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Mirando leilão do 5G, Brisanet finaliza estreia na Bolsa em estabilidade

|TELECOM|
00:30 | Jul. 30, 2021
Autor Adriano Queiroz
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Com oferta inicial precificada a R$ 13,92, a cearense Brisanet fez sua estreia ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) operando em estabilidade, após oscilações ao longo do dia. O valor da ação da companhia fechou a R$ 13,93, o que representou uma variação de 0,07%. O próximo passo é se qualifica para o leilão do 5G, previsto para acontecer ainda em 2021.

A empresa de telecomunicações, que tem como carro-chefe de negócios o provimento de internet, concluiu seu IPO (sigla inglesa para oferta pública inicial de ações) em uma transação que movimentou R$ 1,43 bilhão. Esses recursos devem ser utilizados na expansão da rede de fibra óptica da companhia e, também, na Agility Telecom, sob controle da companhia.

A oferta foi a 39ª realizada em 2021 na B3, um recorde na história do mercado de capitais brasileiro. A previsão é que esse número chegue a 60 até o fim do ano. Na cerimônia de estreia da Brisanet (BRIT3) na Bolsa, o CEO da empresa José Roberto Nogueira destacou a trajetória de quase 23 anos da companhia que surgiu na cidade de Pereiro (a 342 km de Fortaleza). “Ao longo de mais de duas décadas, avançamos conectando pessoas pelo Nordeste, possibilitando e disseminando conhecimento ao romper barreiras”, ressaltou.

Ele acrescentou que “a empresa cresceu e se consolidou construindo infraestrutura de telecom". "E hoje, a entrada na B3 mostra o nível de maturidade e capacidade de continuarmos em expansão e, consequentemente, possibilitar retorno aos investidores, atrelado à segurança e comprometimento com o negócio". Somente em 2020, por exemplo, a telecom investiu mais de R$ 400 milhões em expansão de infraestrutura, principalmente em redes de fibra óptica, e gerou mais de 6,3 mil empregos.

Contudo, de acordo com Raul Aragão, sócio da CDP Capital, com a abertura de capital, a Brisanet passa a ter desafios e responsabilidades para além da continuidade nesse crescimento. “Ela entra agora naquele rol de empresas que precisam ser mais transparentes e ter altos níveis de governança corporativa porque ela agora passa a ter outros sócios de mercado. Claro que, até chegar ao IPO, eles fizeram essa preparação”, pontua o especialista.

A estreia da Brisanet na B3 e os recentes IPOs de outras empresas cearenses como a Pague Menos, o HapVida, a Aeris e o grupo Arco, além de processos de fusões e aquisições envolvendo algumas dessas companhias foi também tema de debate do programa Economia na Real, transmitido toda quinta-feira, às 19h, nos canais digitais de O POVO, e que foi comandado ontem pela editora digital de Economia, Beatriz Cavalcante.

Para detalhar o movimento dessas empresas no mercado e o impacto econômico gerado, o programa recebeu o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE) e conselheiro da Associação dos Analistas e profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-BR), Ricardo Coimbra, e o sócio da SM Consultoria, Sérgio Melo. Os especialistas explicaram também o aumento no número de IPOs no País.

Confira o mais recente episódio de Economia na Real:

Ricardo Coimbra observou, por exemplo, que a Brisanet buscou formar um conselho de administração com profissionais que tinham experiência prévia em fazer IPOs. Ele avaliou, ainda que “a tendência da empresa, agora é buscar se expandir para outras regiões, comprando empresas pequenas. Ainda há muitas pessoas com baixo acesso à tecnologia e ela vende justamente isso, portanto, o potencial de crescimento é muito grande”.

Por sua vez, Sérgio Melo, destacou a importância do trabalho que a empresa realizou com sua controlada, a Agility Telecom, uma franquia de provedores, para poder crescer e se qualificar para entrar no mercado de capitais. “Os pontos centrais para o investidor são previsibilidade e rentabilidade, ou seja, a percepção de que o investimento nas ações de uma companhia como a Brisanet terá retorno maior que ele teria na renda fixa”, concluiu. (Colaborou Samuel Pimentel)

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Taxa média de juros permanece estável em junho, diz BC

Economia
12:58 | Jul. 28, 2021
Autor Agência Brasil
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A taxa média de juros das operações contratadas em junho deste ano permaneceu estável no mês em 19,9% ao ano, com aumento de 0,4 ponto percentual em doze meses. Os dados são das Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas hoje (28), pelo Banco Central (BC).

Para as famílias, a taxa média de juros no crédito livre está em 39,9% ao ano, mesmo índice registrado em maio. Na comparação em 12 meses, houve redução de 1,5 pontos percentuais nessa taxa. Nas contratações com empresas, a taxa livre alcançou 14,5% ao ano em junho, variação negativa de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior. Em 12 meses, houve aumento de 1,5 pontos percentuais nos juros às empresas.

A queda dos juros bancários médios ocorre mesmo em momento de aumento da taxa básica de juros da economia. Depois de chegar ao menor nível da história no mês de agosto do ano passado, em 2% ao ano, a taxa Selic começou a subir somente em março deste ano, quando avançou para 2,75% ao ano e, no início de maio, foi elevada para 3,5% ao ano. Em junho, subiu para 4,25% ao ano.

No mês, a taxa do cheque especial para as pessoas físicas subiu 2,7 pontos percentuais, chegando a 125,6% ao ano em junho.

Em contrapartida, os juros do rotativo do cartão de crédito cobrados pelos bancos tiveram redução de 2,2 pontos percentuais no mês, alcançando 327,5% ao ano. O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão e dura 30 dias. Após o prazo, as instituições financeiras parcelam a dívida. Nesse caso, no cartão parcelado, houve queda de 0,3 ponto percentual, com a taxa de juros ficando em 164,1% ao ano.

Os juros do crédito pessoal consignado também caíram 0,2 ponto percentual no mês para 18,7% ao ano. Nos empréstimos não-consignados a taxa ficou em 82,4% ao ano em junho, redução de 0,7 ponto percentual em relação a maio.

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, a grande diferença entre as taxas do consignado e não-consignado se deve ao menor nível de garantias sobre o crédito não-consignado. No caso do consignado, a amortização da dívida é deduzida diretamente na folha de pagamento, então os juros ficam menores.

Crédito direcionado

Essas taxas são do crédito livre, em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado tem regras definidas pelo governo, e é destinado basicamente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

No caso do crédito direcionado, a taxa média para pessoas físicas ficou em 6,8% ao ano em junho, alta de 0,1 ponto percentual no mês. Para as empresas, a taxa caiu 0,3 ponto percentual para 7,2% ao ano no mês passado.

Endividamento recorde

A inadimplência (considerados atrasos acima de 90 dias) das famílias, no crédito livre, reduziu 0,1 ponto percentual, para 4%, em junho. Assim como das empresas, na mesma modalidade, que ficou em 1,6%. De acordo com Fernando Rocha, as taxas de inadimplência permanecem nos menores níveis da história.

O endividamento das famílias, relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, chegou ao recorde de 58,5% em abril, na série histórica iniciada em janeiro de 2005, refletindo o aumento das concessões de empréstimos. Com a exclusão do financiamento imobiliário, que pega um montante considerável da renda, ficou em 36% no mês.

Já o comprometimento da renda, relação entre o valor médio para pagamento das dívidas e a renda média apurada no período, ficou em 30,5% naquele mês. Para os últimos dados, há uma defasagem maior do mês de divulgação, pois o Banco Central depende de dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a renda das famílias.

Saldo

No mês passado, o estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos ficou em R$ 4,213 trilhões, um aumento de 0,9% em relação a maio. O crescimento em 12 meses da carteira total foi de 16,1%, em maio, para 16,3%, em junho.

O saldo do crédito correspondeu a 52,6% de todos os bens e serviços que o país produz - o Produto Interno Bruto (PIB). Segundo Rocha, o cenário de juros estáveis contribui para o desempenho das operações.

Já o crédito ampliado ao setor não-financeiro, que é o crédito disponível para empresas, famílias e governos independente da fonte (bancário, mercado de título ou dívida externa) alcançou R$ 12,548 trilhões, crescendo 1,1% no mês e 13,9% em 12 meses.

A variação mensal refletiu crescimentos no mercado doméstico de 0,9% nos empréstimos e financiamentos e de 3,5% nos títulos de dívida. Já a dívida externa caiu 3,2% refletindo a alta cambial de 4,4% no mês. Na comparação interanual, o resultado se deve, principalmente, à elevação da carteira de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional em 16,1% e de títulos públicos em 22%.

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Multilaser conclui oferta pública inicial de ações na B3

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14:20 | Jul. 22, 2021
Autor Beatriz Cavalcante
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A Multilaser (MLAS3) concluiu nesta quinta-feira, 22 de julho, sua oferta pública inicial (IPO) na B3. A oferta realizada nos termos da ICVM 400, no segmento do Novo Mercado, teve coordenação dos bancos Itaú BBA (Coordenador Líder), XP Investimentos, Bank of America, UBS BB e Safra (Coordenadores da Oferta).

Os recursos captados pela Oferta Primária terão como destino a liquidação ou amortização de dívidas em aberto da companhia, reforço de caixa para crescimento e outros propósitos corporativos, e potenciais aquisições de empresas.

A empresa tem em seu portfólio mais de 5 mil itens e atua no desenvolvimento, fabricação, distribuição, venda e pós-venda de produtos de bens de consumo como tablets, smartphones, notebooks, pen drives, chips de memória, acessórios de informática, eletroportáteis, utensílios domésticos, ferramentas, papelaria, acessórios e equipamentos esportivos, instrumentos de saúde, redes de telecomunicações, acessórios e produtos automotivos, brinquedos, além de produtos para casa conectada (internet das coisas), áudio e vídeo, segurança eletrônica, pets e puericultura.

Em cerimônia realizada na sede da B3, localizada no centro de São Paulo, estiveram Viviane Basso, vice-presidente de Operações da B3, e Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser, além de outros convidados.

"A realização de um IPO fortalece toda economia. O mercado de capitais e os investidores também se beneficiam e passam a contar com mais uma opção de investimento para atender a demanda crescente por papeis de empresas de tecnologia na Bolsa. Que o exemplo da Multilaser inspire outras companhias a fazerem esse mesmo movimento. Nós da B3, estaremos aqui para ajudá-los nessa transformação", disse Viviane Basso, vice-presidente de Operações da B3, durante o evento.

"A Multilaser existe para levar tecnologia à população do nosso país. Tecnologia que nos ajuda a levarmos vidas mais saudáveis, produtivas e conectadas. Estamos muito felizes com esse momento de abertura de capital, pois esse passo reforça a capacidade financeira da nossa empresa visando crescimento e aprofundamento da nossa missão", explicou Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser.

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Fabricante de eletrônicos Multilaser vai estrear na B3 valendo R$ 9 bilhões

ECONOMIA
09:09 | Jul. 21, 2021
Autor Agência Estado
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Criada como uma recarregadora de cartuchos de impressora, no fim dos anos 1980, a Multilaser chegará à Bolsa brasileira como uma fabricante de eletrônicos diversificada - e com valor de mercado de R$ 9 bilhões. Depois de adiar a estreia na B3 na semana passada, por causa da volatilidade do mercado, a empresa conseguiu captar R$ 1,9 bilhão em sua oferta inicial de ações (IPO, pela sigla em inglês). A demanda entre investidores foi bastante elevada, apesar das preocupações relativas à variante Delta da covid-19 na economia.

A Multilaser registrou demanda de "múltiplas vezes" o volume ofertado no IPO, conforme apurou o Estadão. A ação foi precificada em R$ 11,10, conforme fontes, pouco acima do piso da faixa indicativa de preço, que ia de R$ 10,80 a R$ 13. Dentre os gestores institucionais, a companhia atraiu nomes como os fundos Velt, Moat, Trust e XP Asset. Mesmo com a elevada demanda, a empresa decidiu não vender as ações adicionais, limitando-se à oferta-base.

Na B3, a empresa vista como o ativo mais comparável à Multilaser é a Intelbrás, que abriu seu capital neste ano e é focada na produção de equipamentos de segurança, comunicação e energia. Desde a estreia, a ação praticamente dobrou de valor.

No caso da oferta da Multilaser, o objetivo é usar o dinheiro para financiar a expansão do negócio - o que pode incluir aquisições -, além de reduzir dívidas, conforme informações que constam no prospecto da operação. O papel começará a ser negociado amanhã.

A Multilaser tem um portfólio muito diversificado. Hoje são 5 mil produtos disponíveis, para todos os bolsos, de pen-drives a tablets. Recentemente, fechou uma parceria com o grupo chinês Hisense para fabricar TVs da marca Toshiba. Em 2020, o faturamento da companhia foi de cerca de R$ 3 bilhões, com crescimento de aproximadamente 27% no ano.

A casa de análise Suno, em relatório enviado a clientes, frisou que o modelo de negócio da Multilaser chama a atenção, já que consiste no desenvolvimento, fabricação, distribuição e venda de diversos produtos em diferentes áreas, como tablets, notebooks, smartphones e outros acessórios. "A Multilaser é uma das empresas mais diversificadas de bens de consumo no Brasil. Ela apresenta receitas crescentes, margens elevadas e rentabilidade ótima."

Apesar disso, recomendou que os clientes ficassem de fora da oferta por enxergar um risco importante no fato de 75% do lucro líquido do último exercício ter tido origem no recebimento de incentivos fiscais.

Diversificação. A empresa, de perfil familiar, foi fundada em 1987 por Israel Ostrowiecki. Em 1991, tornou-se a única empresa na América Latina a fazer recarga de cartucho de tinta de impressoras. Aos poucos, foi diversificando sua atuação.

A companhia é conduzida hoje pelo filho do fundador, Alexandre. Um dos sócios da empresa é Renato Feder, amigo de infância de Alexandre, que chegou à Multilaser em 2003. Na época, a empresa teve de se reinventar, pois chegou à conclusão de que não se sustentaria com o negócio de cartuchos.

Feder, que desde 2018 está afastado do dia a dia da companhia, chegou a ser cotado para assumir o Ministério da Educação no governo de Jair Bolsonaro e é o atual secretário de Educação do Paraná.

Segundo o sócio da Varese Retail, Alberto Serrentino, a Multilaser enfrenta diferentes concorrentes dependendo da categoria analisada. "Eles possuem preços competitivos e têm produtos de entrada em diferentes segmentos. É difícil rotulá-los", frisa. O especialista diz que a indústria brasileira de eletroeletrônicos já teve presença maior no mercado, mas perdeu competitividade ao longo do tempo.

Foram coordenadores do IPO o Itaú BBA, a XP, o Bofa e o UBS-BB e o Safra.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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