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Setor têxtil se prepara para crise energética: "Estamos com conversas abertas para evitar impacto"

Presidente da Abit, Fernando Pimentel, ressalta que empresários já mobilizam estratégias como uso de geradores nos horários de pico, mudanças de horários na produção. Setor ainda ventila possibilidade de incentivos federais
11:43 | Jul. 08, 2021
Autor Samuel Pimentel
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Samuel Pimentel Jornalista no OPOVO
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Tipo Notícia

Depois de comemorar resultados positivos no Dia das Mães e Dia dos Namorados, o que gerou uma produção têxtil 36,3% melhor entre janeiro e maio ante o mesmo período de 2020, e melhora de 26,2% no varejo vestuário no mesmo período, as previsões para o futuro da indústria têxtil neste ano passam pela segurança energética. O comando da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) já admite que os empresários já buscam soluções para se precaverem no pior do cenários, como racionamento.

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"Estamos com conversas abertas para desenvolver soluções para evitar impacto na questão energética. (Soluções como,) Geração de energia por geradores próprios em horários de pico, incentivos para empresas que reduzam consumo - mesmo que para uso no futuro -, está sendo negociado com o Governo Federal", diz Pimentel.

Crescimento

Em ritmo acima do previsto em sete a cada dez empresas, a indústria de produtos têxteis e de vestuário vem aumentando a produção em dois dígitos neste ano, conforme balanço apresentado nesta quinta-feira (8) pela Abit, associação que representa o setor. No segmento têxtil, a produção teve alta de 36,3% no acumulado de janeiro a maio frente a igual período de 2020, enquanto a de vestuário, na mesma base de comparação, subiu 36,6%.

Durante a apresentação do levantamento, o presidente da Abit, Fernando Pimentel, lembrou que a base de comparação é fraca, já que o comércio de vestuário e outros produtos do setor fechou entre abril e maio do ano passado. Mesmo assim, ele considerou o resultado positivo por confirmar a retomada. Pimentel destacou que em 12 meses a produção têxtil já mostra alta, de 15,6%, ao passo que a fabricação de vestuário segue em queda, porém de apenas 1,6%.

O presidente da Abit observou que a pressão de custos segue incomodando a indústria. No entanto, ele pontuou que os aumentos nos preços das matérias-primas não estão sendo totalmente repassados ao consumidor, como indica o descolamento entre índices de preços no varejo e no atacado.

Os ganhos de produtividade e competitividade, disse Pimentel, vêm sendo divididos com o consumidor, o que explica por que o aumento dos preços dos insumos não é sentido em igual intensidade no varejo.

"O setor tem sido uma verdadeira âncora para o controle de inflação e preços mais estabilizados", comentou Pimentel, ponderando, por outro lado, que os reajustes nas tarifas de energia trazem preocupação. O cenário mais provável, contudo, é de que não haja racionamento de energia. "Não estamos trabalhando com essa previsão", disse Pimentel.

Pesquisa

Conforme enquete feita pela Abit com associados, 73% das empresas do setor relatam produção acima do esperado neste ano. As previsões da associação para este ano indicam crescimento de 7,4% do volume de produção de manufaturas têxteis. O prognóstico no segmento de vestuário é de avanço de 13,6% no número de peças em 2021.

As projeções ainda não indicam recuperação completa do impacto da pandemia na indústria têxtil, porém Pimentel observou que o viés é de alta e a atividade pode surpreender a depender da evolução do controle da crise sanitária. (Com informações da Agência Estado)

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