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Economia
NOTÍCIA

Lojistas podem usar recebíveis de cartão para ter acesso a empréstimos com juros mais baixos; entenda

A medida deve beneficiar principalmente micro e pequenas empresas, que poderão ter acesso a créditos com juros mais baixos ao oferecerem parte do que têm a receber aos bancos

09:06 | 07/06/2021
Cartões de crédito (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Cartões de crédito (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Depois de dois adiamentos, o Banco Central (BC) confirmou que, a partir desta segunda-feira, 7, começará a funcionar o registro centralizado das receitas de lojistas com as vendas realizadas por cartão. Segundo a instituição financeira, a medida deve beneficiar principalmente micro e pequenas empresas, que poderão ter acesso a créditos com juros mais baixos ao oferecerem parte do que têm a receber aos bancos.

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Em nota, o BC informou que a medida aumentará a concorrência entre as instituições financeiras, permitindo a redução do spread bancário – diferença entre as taxas pagas pelas instituições para captarem recursos e as taxas cobradas dos clientes.

O comerciante poderá dividir as agendas de recebíveis, em lotes de dezenas ou centenas de transações, e negociar com várias instituições financeiras ao mesmo tempo, até conseguir o melhor empréstimo.

Os recebíveis valem tanto para as vendas com cartão de crédito e de débito. Como as empresas credenciadoras vão registrar essas transações, os comerciantes poderão conseguir empréstimos ao oferecer os recebíveis para cobrir eventuais inadimplências ou até revender as receitas que têm direito a receber nas vendas com maquininhas.

Sobre isso, o economista membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Wandemberg Almeida, analisa que será importante, pois com o aumento da competitividade do mercado financeiro, os empresários conseguirão encontrar opções melhores de crédito.

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O economista ainda observa que a medida deve melhorar o bom relacionamento de empresas e bancos, aumentando ainda a concorrência e isso gera um ganho significativo ao mercado. "A grande vantagem para as instituições é que, além de ter o poder de levar os recebíveis para a melhor instituição, será mais fácil de conseguir a melhor taxa. Essa ferramenta é melhor do que qualquer tipo de empréstimo, então facilita a conversa com os bancos, retorno positivo para ambos os lados, proporcionando uma liquidez maior para as empresas", completa.

Atualmente, existem três empresas autorizadas a atuar como credenciadoras de recebíveis no país: CIP, Cerc e Tag. As companhias, no entanto, alegaram dificuldades na montagem dos sistemas e pediram ao Banco Central os adiamentos da entrada em vigor do registro.

Inicialmente prevista para 3 de novembro do ano passado, a data havia passado para 17 de fevereiro e foi novamente adiada para 7 de junho, data confirmada pelo BC. Por causa do segundo adiamento, o BC multou uma das companhias em R$ 30 milhões e obrigou a empresa a assinar um termo de compromisso em que prometia resolver as dificuldades tecnológicas até o início de junho.

A autarquia estima que os recebíveis de cartões têm potencial para movimentar até R$ 1,8 trilhão por ano, dos quais R$ 1 trilhão correspondem às transações com cartões de crédito e R$ 800 bilhões ao fluxo com cartão de débito.

O novo sistema também deve aumentar a segurança para as instituições financeiras. Atualmente, um mesmo recebível pode ser dado como garantia para mais de um banco. Com o registro centralizado, isso não será mais possível. (Samuel Pimentel, com informações da Agência Brasil)