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Economia
NOTÍCIA

Fortaleza é a nona cidade mais desigual no acesso ao emprego, aponta estudo do Ipea

Os dados apontam que, em Fortaleza, o número de empregos acessíveis pelos 10% mais ricos da população é mais do que três vezes maior do que o número de empregos acessíveis por todos dos 40% mais pobres

Izadora Paula
08:55 | 17/01/2020
Tanto a população de alta quanto a de baixa renda gastam, em média, pouco mais de cinco minutos no deslocamento de casa até a escola de ensino médio mais próxima em Fortaleza, aponta a pesquisa
Tanto a população de alta quanto a de baixa renda gastam, em média, pouco mais de cinco minutos no deslocamento de casa até a escola de ensino médio mais próxima em Fortaleza, aponta a pesquisa (Foto: AURÉLIO ALVES)

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta quinta-feira, 16, mostra Fortaleza como a nona cidade com maior desigualdade de acesso a emprego, entre as 20 cidades que participaram da pesquisa. Os dados apontam que, em Fortaleza, o número de empregos acessíveis pelos 10% mais ricos da população é mais do que três vezes maior que o número de empregos acessíveis por todos dos 40% mais pobres.

A pesquisa, realizada em parceria com o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), analisa, além da acessibilidade a vagas de emprego, o acesso a escola de nível médio e estabelecimentos de saúde de alta complexidade, considerando o deslocamento a pé e por transporte público. No uso de deslocamento por transporte público, foram consultados, além de Fortaleza os municípios de Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo; quanto à análise no deslocamento a pé, além das sete anteriores, foram adicionadas também as cidades Belém, Distrito Federal, Campinas, Campo Grande, Duque de Caxias, Goiânia, Guarulhos, Maceió, Manaus, Natal, Salvador, São Gonçalo e São Luíz.

O índice que coloca Fortaleza em nono lugar de desigualdade considera a razão entre o número de empregos acessíveis a pé em até 30 minutos pela população de alta e baixa renda, apontando que a capital cearense oferece três vezes mais empregos acessíveis para os 10% mais ricos da população do que para os 40% mais pobres. O município com a maior disparidade encontrada pela pesquisa foi São Paulo, onde o número de vagas acessíveis para a população de alta renda é nove vezes maior.

Quando o recorte considera o tempo mínimo de viagem por bicicleta até a escola de nível médio mais próxima de casa, segundo grupo de renda, o desempenho de Fortaleza é um dos mais positivos da pesquisa. Tanto a população de alta quanto a de baixa renda gastam, em média, pouco mais de cinco minutos neste deslocamento - segundo melhor resultado entre os vinte pesquisados.

Outro quesito em que a avaliação da Capital foi positivo considera a razão entre o número de estabelecimentos de saúde de alta complexidade acessíveis por transporte público em até 60 minutos, onde Fortaleza aparece um pouco acima de um - o que indica que a população branca tem, em média, o dobro de estabelecimentos mais acessíveis do que a população negra, que considera pretos e pardos. Fortaleza é a segunda melhor colocada entre as sete avaliadas, atrás somente de Porto Alegre.

Quando analisada a razão entre o número de estabelecimentos de saúde de alta complexidade acessíveis a pé em até 60 minutos, Fortaleza pontua um pouco mais, chegando a algo próximo de 1,5 a mais de estabelecimentos para pessoas brancas do que pessoas negras. O resultado a coloca em nono lugar entre 20 cidades analisadas.