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Economia
NOTÍCIA

Governo decide que reajuste de servidores do Estado será igual à inflação; categorias pedem 20%

O Governo também suspendeu concursos públicos temporariamente. A homologação das seleções já realizadas e o chamamento dos candidatos aprovados também serão suspensos

23:01 | 27/05/2019
Servidores protestaram por ganho real no reajuste
Servidores protestaram por ganho real no reajuste(Foto: Mateus Dantas)

Representantes dos servidores do Estado têm reunião marcada com o Governo na manhã desta quinta-feira, 30. A campanha salarial é o principal ponto do encontro. Nesta segunda-feira, 27, o titular do Planejamento e Gestão, Mauro Filho, anunciou que não haverá ganho real. Ou seja, o reajuste se limitará à inflação de 3,75% conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 

Representantes de diversas categorias pedem 20,64% de reajuste, baseado em cálculo de defasagem dos proventos em relação ao IPCA de 2016 a 2018. Se considerado o acumulado desde 1999, a desvalorização chegaria a 85%.

“Vamos à luta esperando conquistar algo. A notícia (de que o reajuste acompanharia apenas a inflação) foi surpresa. O secretário Mauro Filho falava que a economia do Estado andava bem. Do dia para a noite, ele fala em ‘luz amarela’ (‘na manutenção da capacidade de investimento do Estado’). Após a negociação na reunião vamos deliberar com a base”, resume Rita Gomes, coordenadora jurídica do Fórum Unificado das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos Estaduais (Fuaspec).

Para professores e agentes de saúde, que também têm salário mínimo assegurado por lei, o reajuste será diferenciado. A expectativa é que o aumento, de 4,17%, comece a ser concedido em folha de pagamento a partir de agosto.

Além do reajuste modesto, o Governo também suspendeu concursos públicos temporariamente. A homologação das seleções já realizadas e o chamamento dos candidatos aprovados também serão suspensos. Tudo para conter os gastos. 

Mão fechada

Só em 2019, a expectativa é que as medidas representem um corte de R$ 390 milhões nas mais diversas áreas, do "terceirizado até a consultoria, do papel até o combustível".

"O governador Camilo me determinou que nós tivéssemos que tomar algumas medidas para poder isso não sair do controle, porque isso significa a redução da capacidade de investimentos, possibilidade de o estado ficar patinando no seu crescimento econômico. Então, antes que esse impacto alcance o estado do Ceará, nós já estamos nos antecipando para que esse controle seja feito em relação a concursos públicos, homologações e chamamentos", disse o secretário.

Membros da Associação dos Auditores de Controle Interno do Estado (AACI) já protestavam com cartazes antes mesmo do anúncio de suspensão temporária dos concursos públicos e negativa ao ganho real no reajuste. “Não adianta dizer que o Estado tem boa gestão fiscal mas ter os servidores com salários depreciados, corroídos pela inflação”, completa Tiago Monteiro, presidente da AACI.

Para Rita, serviço público tem excelência quando há servidores concursados, “que estudaram e são preparados para a atividade. “O Governo tem consciência desses mais de 20% de perda salarial durante a gestão Camilo Santana. Atinge as categorias em geral, além das promoções atrasadas e dos concursos necessários. Há excesso de terceirizados e eles são explorados porque não podem reclamar. Se fizerem isso, vão para fora”, denuncia a coordenadora do Fuaspec.

Lucas Braga