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Economia

Maionese criada por algoritmo chega ao Brasil

13:28 | 28/03/2019
Para um cozinheiro, fazer maionese sem ovo é uma receita que pode dar errado. Não para a startup chilena NotCo: a partir de abril, a empresa começará a vender no Brasil a NotMayo, que leva grão de bico no lugar do ovo. É o primeiro produto da companhia, que busca fazer alimentos conhecidos por levar produtos de origem animal apenas usando plantas. Para achar a receita certa, usa inteligência artificial, que sabem manipular dados sobre vegetais.
No Chile, a maionese da startup já tem 10% de participação no mercado local. Aqui no Brasil, os potes de 350 gramas do produto chegarão à rede Pão de Açúcar por preços em torno de R$ 10. "Queremos trazer algo premium, mas acessível aos consumidores. A maionese é só o começo: pretendemos levar tecnologia ao mercado de comida", diz o presidente Matias Muchnick, que fundou a NotCo com dois sócios em 2015.
A princípio, a NotMayo será importada do Chile, onde a empresa tem fábrica própria. Até o início do 2.º semestre, porém, o plano é fabricar a maionese sem ovo localmente, com um parceiro que a empresa não revela.
A expectativa da NotCo é ter no Brasil seu maior mercado. Já tem um time de quatro pessoas aqui e contratará mais. Até o fim do ano, chegará à Argentina e ao México. Em 2020, será a vez dos EUA, com um parceiro especial: Jeff Bezos. O presidente executivo da Amazon (e dono do Whole Foods) participou da última rodada de aportes da NotCo, de US$ 30 milhões, no fim de 2018.
Apostar em produtos de origem 100% vegetal não é novo. A americana Impossible Foods já faz hambúrgueres com gosto e aparência de carne, com soja. A NotCo, porém, não muda a genética dos alimentos, mas os combina. A startup levou três anos para criar Giuseppe, seu "algoritmo chef de cozinha". Ele usa composição molecular, dados nutricionais e sensoriais de milhares de plantas e animais para chegar às receitas.
Giuseppe já tem outras receitas: o NotMilk (leite) e o NotIceCream (sorvete). A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo provou a NotMayo: em um teste cego, poderia passar por uma maionese comum. Uma colher da NotMayo, porém, tem 90% a mais de gordura e 85% calorias a mais que uma concorrente.
Para Maximiliano Carlomagno, da consultoria Innoscience, o gosto é só um dos desafios da NotCo. "Também precisarão ter bom preço e cadeia de distribuição para fazer sucesso", diz. Para Carlomagno, porém, a NotCo terá a seu lado a bandeira da "gourmetização" e a chance de atrair o público vegano.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado