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Ibovespa fecha em alta de quase 1%, embalado pelo exterior; dólar cai

18:58 | 22/02/2019
O Ibovespa operou em alta durante todo o pregão desta sexta-feira, 22, guiado principalmente pelo exterior, onde predominou o otimismo em relação às negociações comerciais entre Estados Unidos e China. No campo doméstico, a reforma da Previdência seguiu no foco dos investidores, que aguardam o início da tramitação da proposta no Congresso. O índice terminou a sessão com ganho de 0,98%, aos 97.885,60 pontos. O giro financeiro foi de R$ 13,989 bilhões. Na semana, acumulou valorização de 0,37%.
A expectativa nos mercados era de que, em reunião nesta tarde com o vice-premiê chinês, Liu He, o presidente americano, Donald Trump, anunciasse a prorrogação do período de trégua na cobrança de tarifas de importação da China e dos EUA, que termina em 1º de março. Após o encontro, Trump afirmou que está preparado para estender esse prazo. Entretanto, as negociações para tanto ainda se estenderão pelos próximos dois dias. Trump anunciou ainda que um acordo sobre manipulação cambial foi alcançado com a China, mas não deu detalhes sobre o assunto.
A falta de definição sobre a extensão ou não da trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo retirou pontualmente um pouco de força das Bolsas tanto em Nova York quanto aqui, principalmente com a afirmação do representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, de que há obstáculos "muito grandes" nas negociações com a China. Porém, o fôlego foi retomado, e o Ibovespa ainda bateu máxima já na reta final do pregão. Um dos destaques foram as ações da Vale, que avançaram 3,55%.
"O mercado passou o dia na expectativa de novidades sobre as negociações entre EUA e China. Com indicadores fracos sinalizando desaceleração da economia global, espera-se que não haja uma guerra comercial, o que pioraria ainda mais a situação", afirmou Pedro Galdi, analista da Mirae Asset.
Para a semana que vem, a agenda é carregada de eventos e indicadores, incluindo a instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara para iniciar a tramitação da reforma da Previdência e divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e dos EUA no quatro trimestre, além de balanços de empresas como Petrobras, Ambev, BR Distribuidora, Marfrig, BRF e Gol.
"Há chance de o Ibovespa voltar a se aproximar do recorde histórico de pontuação, na casa de 98.600 pontos, nos próximos pregões, contando ainda com a divulgação de bons resultados corporativos referentes ao quarto trimestre de 2018", comentou, em relatório, Alvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais.
Dólar - O dólar fechou a sexta-feira, 22, em queda, devolvendo parte dos ganhos após dois dias seguidos de alta. O exterior positivo contribuiu para estimular a venda da moeda americana no mercado doméstico. O dólar também caiu perante várias moedas de países emergentes, por conta do otimismo com o avanço das negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos. No noticiário interno, as atenções seguiram voltadas para a reforma da Previdência e declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o texto pode ser aprovado neste primeiro semestre ajudaram a manter o bom humor. O dólar à vista fechou em queda de 0,51%, a R$ 3,7406. Na semana, porém, acumulou alta de 0,96%, e no mês, sobe 2,2%.
No final da tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que ainda não houve um acordo com os chineses e que as conversas vão continuar no final de semana.
O operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello, avalia que o câmbio vai seguir bem volátil nas próximas semanas, com o mercado monitorando todos os passos da reforma da Previdência e de olho nos eventos no exterior. Sobre a China, a sinalização é que as conversas estão progredindo, disse ele. No caso da Previdência, Faganello ressalta que além das declarações de Guedes, também repercutiu bem nas mesas de câmbio a afirmação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Ele disse acreditar que a proposta de reforma da Previdência pode estar aprovada até junho.
Além de monitorar os eventos do dia, os investidores aguardam a agenda da próxima semana. Na terça-feira (26), vai ser instalada a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para avaliar a reforma da Previdência, com possível definição do relator da reforma. "Inicia-se agora um período de elevada discussão no Congresso, onde grupos diversos estarão atuando de forma ativa para alterar a proposta de acordo com seus interesses", afirma Patrick O'Grady, presidente da gestora Vítreo. No mercado de câmbio, a quinta-feira (28) será dia de definição do referencial Ptax de fevereiro.
Taxas de juros - Os juros futuros fecharam a sessão estendida desta sexta-feira, 22, perto da estabilidade, após terem terminado a etapa regular com viés de baixa. No fim da tarde, o apetite pelo risco no exterior diminuiu ligeiramente, e o dólar, que oscilou à tarde no patamar dos R$ 3,73, reduziu as perdas ante o real, voltando à casa dos R$ 3,74. O noticiário doméstico foi fraco, assim como a agenda, e incapaz de definir um norte para as taxas futuras.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou a 6,440% (regular) e 6,450% (estendida, na máxima), de 6,430% na quinta no ajuste, e o DI para janeiro de 2021 terminou com taxa de 7,05% (regular e estendida), de 7,081% no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2023 caiu de 8,192% para 8,15% (regular) e 8,17% (estendida) e a do DI para janeiro de 2025, de 8,712% para 8,68% (regular) e 8,70% (estendida).
"O dia foi muito morno para os DIs, ditado pelo exterior, com o câmbio para emergentes mais favorável", comentou o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal. O dólar foi negociado em baixa quase generalizada, mas ganhou um pouco de força no fim do dia. O apetite pelo risco refletiu a notícia de que o presidente americano, Donald Trump, se reuniria com o vice-premiê chinês, Liu He, na Casa Branca, nesta tarde, o que alimentou a percepção de que um acordo de trégua
na cobrança das tarifas comerciais mútuas, que termina em 1º de março, pudesse ser prorrogado. Porém, nada ainda foi definido e as negociações vão continuar por mais dois dias.
Internamente, as atenções seguem concentradas na reforma da Previdência, que deve começar a tramitar na próxima semana após a instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara, no dia 26. "Começa um novo capítulo, agora é a ansiedade com a articulação política, com o timing da aprovação e como o governo vai se portar na negociação", disse Rosal.
Como esperado pelo mercado, a Aneel definiu que as contas de luz vão permanecer com bandeira verde no mês de março, ou seja sem cobrança extra para os consumidores.

Agência Estado

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