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Movimento da Ford vem após ‘ameaça’ da GM

21:35 | 19/02/2019
O anúncio do fechamento da fábrica da Ford no ABC Paulista, berço da indústria automobilística brasileira, ocorre menos de um mês após a General Motors divulgar comunicado aos seus funcionários ameaçando sair do País. O motivo também são os elevados prejuízos que o grupo alega registrar na América do Sul nos últimos três anos.
Em recente entrevista ao Estado, contudo, o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, afirmou que as negociações com funcionários, fornecedores, revendedores e governos para aprovar um plano de viabilidade para os negócios no País "estão dando certo". Também afirmou ver chances de a matriz americana aprovar plano de investimento de R$ 10 bilhões nas fábricas de São Caetano do Sul e São José dos Campos (SP).
Para o sócio da consultoria Bright, Paulo Cardamone, a decisão da Ford, "do ponto de vista financeiro é correta e vai ajudar a melhorar seus resultados". Com isso, o grupo poderá estar melhor preparado para a volta do crescimento do mercado brasileiro de veículos.
Em sua opinião, a fábrica do ABC é antiga e "provavelmente seria mais vantajoso construir uma nova do que modernizar essa planta" para receber produtos mais modernos. Além do mais, ressalta ele, a maioria das fábricas novas foi construída com subsídios oferecidos pelos Estados.
Em 2018, as montadoras brasileiras receberam US$ 15 bilhões (R$ 54 bilhões) em empréstimos das matrizes, segundo dados do Banco Central. "Esse movimento significa que as matrizes precisam mandar oxigênio às filiais que estão morrendo afogadas", disse o vice-presidente da Ford América do Sul, Rogelio Goldfarb. Nos anos de bonança, contudo, foram as subsidiárias locais que enviaram dinheiro para as matrizes. Em 2010, por exemplo, foram remetidos US$ 5,7 bilhões (R$ 20,5 bilhões) em lucro.

Agência Estado

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