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Ford fecha fábrica de São Bernardo do Campo, onde trabalham 3 mil pessoas

21:30 | 19/02/2019
A Ford vai fechar a fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e demitir grande parte dos cerca de 3 mil funcionários. Em comunicado divulgado ontem, a empresa informou que vai deixar de produzir caminhões e também o compacto Fiesta, ambos feitos na planta pertencente à montadora americana desde 1967, quando adquiriu a Willys Overland do Brasil.
O processo de encerramento ocorrerá ao longo deste ano. A empresa alega necessidade de retomar a lucratividade sustentável de suas operações na América do Sul, onde registrou prejuízos de US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 16,6 bilhões) entre 2013 e 2018. O Brasil responde por cerca de 60% das vendas da marca na região.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, convocou os trabalhadores para uma assembleia na terça-feira, para discutir estratégia de luta. Até lá, eles foram orientados a ficar em casa. A unidade tem operado apenas três dias por semana.
"Acredito que temos condições de reverter essa decisão e acho que os governos deveriam participar dessa discussão pois, além dos empregos diretos, há muitos outros indiretos que serão afetados", disse Santana.
Ociosidade
No ano passado, foram produzidos ao todo 42 mil veículos, o que representa menos de 20% da capacidade da fábrica. O volume representa 15% do total de veículos feitos pela marca no Brasil, que também tem fábricas em Camaçari (BA) - onde são feitos Ka e EcoSport -, e uma filial de motores em Taubaté, além de um campo de provas em Tatuí (SP).
"A Ford está comprometida com a América do Sul por meio da construção de um negócio rentável e sustentável, fortalecendo a oferta de produtos e atuando com um modelo de negócio mais ágil, compacto e eficiente", disse o presidente da companhia, Lyle Watters.
Há vários meses circulavam boatos de que o grupo poderia até sair do Brasil. A Ford passa por reestruturação globalmente após anúncio de que deixará de produzir vários automóveis e focará atuação em utilitários-esportivos (SUVs) e picapes, estratégia que Watters afirmou será replicada no Brasil.
Segundo o executivo, em toda a região haverá redução de 20% dos custos com quadro de funcionários e estrutura administrativa. Ele citou ainda expansão de parcerias globais, como a recente aliança com a Volkswagen, para desenvolver picapes de médio porte.
A empresa não informa número de trabalhadores que serão demitidos, pois manterá no local sua sede administrativa. Pelos dados do sindicato dos metalúrgicos, a unidade tem 2 mil trabalhadores na produção, cerca de 800 no administrativo e centenas de terceirizados.
Ao todo, a Ford vendeu 226,4 mil veículos no País em 2018, ficando em quarto lugar entre as maiores montadoras, com 9,17% de participação nas vendas de automóveis e comerciais leves. A maior parte desses veículos veio da fábrica de Camaçari.

Agência Estado

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