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Otimismo com Previdência leva bolsa a subir 1,19%; dólar cai

18:54 | 19/02/2019
O otimismo em torno da entrega da proposta de reforma da Previdência pelo presidente Jair Bolsonaro ao Congresso nesta quarta-feira, 20, e o bom humor externo conduziram o Ibovespa a uma sessão de ganhos nesta terça-feira, 19. O índice operou em alta durante todo o pregão, chegando a superar os 98 mil pontos nas máximas intraday, e encerrou com valorização de 1,19%, aos 97.659,15 pontos. O giro financeiro foi de R$ 15,253 bilhões.
A demissão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, no início da noite de segunda, após a crise política ter se estendido pelo final de semana, também trouxe alívio e correção à bolsa local, que nesta segunda-feira fechou em queda de 1,04% e com pouca liquidez por causa do feriado do Dia do Presidente nos Estados Unidos.
"Com a volta do mercado americano após o feriado de segunda, o volume na bolsa melhorou, e os investidores já absorveram a saída de Bebianno", afirmou Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Ideias de Investimentos. "A expectativa agora é pela entrega do texto da reforma da Previdência, que já trouxe otimismo com a divulgação das idades mínimas e do período de transição na semana passada", acrescentou.
Já com os negócios no mercado financeiro praticamente encerrados, deputados impuseram nesta terça-feira a primeira derrota ao governo na Câmara. Eles aprovaram um projeto que susta os efeitos do decreto editado pelo vice-presidente Hamilton Mourão em janeiro que ampliou a funcionários comissionados e de segundo escalão o poder de impor sigilo a documentos públicos. A votação foi simbólica. O texto segue agora para análise do Senado.
Em Nova York, as bolsas bateram máximas nesta tarde diante de comentários otimistas do presidente americano, Donald Trump, sobre as negociações comerciais entre Washington e Pequim.
Dólar - O dólar acelerou o ritmo de queda pela tarde e fechou em baixa de 0,48%, a R$ 3,7164. O real foi uma das moedas que mais ganharam valor ante a divisa dos Estados Unidos nesta terça-feira, 19, atrás do rublo da Rússia e do rand da África do Sul. Profissionais do mercado de câmbio relatam que uma série de fatores contribuiu para o recuo das cotações nesta terça, incluindo o enfraquecimento do dólar no exterior, tanto ante divisas de emergentes como países desenvolvidos, expectativa da entrega da reforma "robusta" da Previdência nesta quarta no Congresso e o fim do episódio envolvendo o agora ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, com a leitura de que a crise pode não ter impacto na aprovação da reforma. Outro fator, segundo operadores, foi a entrada de fluxos externos, após o mercado fechado na segunda por causa do feriado nos EUA.
A moeda americana novamente chegou perto de R$ 3,70, mas não conseguiu cair abaixo desse valor, que virou uma resistência técnica. O último pregão que fechou abaixo desse patamar foi no dia 5. Pela manhã, a moeda bateu em R$ 3,74, a máxima do dia, momento em que o dólar também subia no exterior. Na parte da tarde, após relatos da imprensa internacional de que as negociações comerciais entre China e Estados Unidos foram retomadas em Washington e, mais importante, as autoridades americanas estariam pressionando a delegação chinesa para preservar a estabilidade do yuan, fizeram o dólar cair forte no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de divisas fortes, cedia 0,40%, um das maiores quedas dos últimos dias. A moeda americana também caiu forte ante o rublo da Rússia (-0,67%) e o rand sul-africano (-0,53%).
"Com a exoneração de Bebianno, o mercado se livrou do foco na questão mais política e começou a se concentrar na entrega da reforma da Previdência ao Congresso", destaca o operador da CM Capital Markets, Thiago Silencio. O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, ex-diretor do Banco Central, prevê que a aprovação desta reforma no Congresso será um "processo de vários meses" e episódios de curto prazo, como o de Bebianno, não devem ter efeitos prolongados suficientes para afetar a aprovação do texto. Mesquita acredita que Bolsonaro vai conseguir aprovar um texto no segundo semestre que gere economia fiscal ao redor de R$ 550 bilhões em 10 anos.
Caso Bolsonaro consiga aprovar um texto com maior economia fiscal, a confiança dos agentes e os ativos financeiros vai melhorar em ritmo mais forte, destaca o economista do Itaú. O banco prevê que o dólar deve chegar ao final do ano em R$ 3,80, mas o valor pode ser menor dependendo da profundidade da reforma da Previdência. A perspectiva do banco é que nesta quarta Bolsonaro apresente no Congresso uma proposta "ambiciosa" e "robusta" da Previdência, com economia fiscal de US$ 1,05 trilhão, mas que pode ser desidratada ao longo da tramitação entre os parlamentares.
Taxas de juros - Os juros futuros fecharam em queda nos principais contratos nesta terça-feira, 19, devolvendo a alta de segunda-feira, num dia bastante favorável a moedas de economias emergentes, incluindo o real, e de expectativa positiva sobre a reforma da Previdência. O texto será apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira ao Congresso e a previsão é de que a economia no período entre 10 e 15 anos possa atingir R$ 1,1 trilhão. A liquidez, porém, esteve abaixo do padrão, mas melhor do que segunda.
No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 estava na mínima de 6,3800%, ante 6,395% na segunda no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 7,001% para 6,99% e a do DI para janeiro de 2023 encerrou a 8,06%, de 8,122%. O DI para janeiro de 2025 fechou com a taxa na mínima, a 8,56%, de 8,662%.
A percepção dos analistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, é de que o mercado "exagerou" na segunda-feira nas preocupações de que a demissão de Gustavo Bebianno, agora ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, pudessem interferir na tramitação da reforma. Gustav Gorski, economista da GAP Economics, afirma que o mercado percebeu que Bebianno era uma figura mais "ilustrativa" no governo. "Bolsonaro é muito mais importante dentro do PSL, que, por sua vez, é mais uma legenda do que um partido. O governo bateu cabeça, é verdade, mas bola para frente. Os rumores são de que proposta de amanhã (quarta) é muito forte", disse.
A divulgação de áudios que mostram confronto de versões entre Bebianno e Bolsonaro sobre conversas não fez preço nas taxas, em função da leitura de que "não têm nada de comprometedor" contra o presidente.
Além da expectativa com a Previdência, a ideia de que não há espaço para aumento da Selic no horizonte relevante da política monetária vai se consolidando no mercado e ganhou destaque na reunião dos analistas com os diretores do Banco Central em São Paulo. Mais do que isso, vem crescendo a corrente dos que acreditam em retomada dos cortes da taxa básica, sobretudo em função da fraqueza da atividade. O resultado da arrecadação em janeiro foi mais um indicativo de que a economia reage de maneira lenta. A arrecadação caiu, em termos reais, pelo terceiro mês consecutivo em janeiro, somando R$ 160,426 bilhões em janeiro, um recuo real de 0,66%.
O câmbio também colaborou para o fechamento das taxas, com o dólar ante o real retornando ao patamar de R$ 3,70 - às 16h33 estava em R$ 3,7091 (-0,69%) no segmento à vista. Além de as questões domésticas estarem ajudando o real, o dólar está em queda generalizada no mundo, reforçada pela informação de que os Estados Unidos irão pressionar a China pela estabilidade do yuan na retomada das negociações comerciais nesta semana em Washington. De acordo com fontes, os EUA ameaçariam impor mais tarifas à China caso o país asiático violasse a promessa em relação à moeda chinesa.

Agência Estado

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