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‘Ninguém mexe em direitos’, diz Guedes

20:35 | 07/02/2019
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira, 7, que o governo vai criar um novo regime trabalhista para os jovens, mas a mudança não será proposta ao mesmo tempo que a reforma da Previdência para não atrapalhar a votação da proposta no Congresso. "Ninguém mexe em direitos, mas daremos novas alternativas para os trabalhadores", respondeu Guedes, quando questionado se o governo pretende retirar direitos previstos na Constituição, como férias e 13º salário.
Esses pontos são cláusulas pétreas e não podem ser modificados. A proposta do governo, no entanto, é que os trabalhadores tenham a opção de abrir mão desses direitos. Em troca, segundo o ministro, haveria mais empregabilidade.
"As regras trabalhistas não estão sendo mudadas pela PEC da Previdência. Não vamos misturar os assuntos para não atrapalhar o trâmite da reforma", afirmou o ministro. Ontem, o Estadão/Broadcast já tinha antecipado a criação do que foi batizado de "carteira verde amarela" - em contraponto à atual carteira de trabalho azul, com menos obrigações aos empregadores.
O novo regime trabalhista será desenvolvido ao longo dos próximos seis meses e não deve ser enviado ao Congresso enquanto a reforma da Previdência não for aprovada para não "contaminar" as discussões.
"É muito cedo ainda para falarmos de mudanças trabalhistas. Quando o presidente voltar, vamos mostrar várias simulações", afirmou Guedes, ao sair de café da manhã com investidores.
‘Fascista’
O ministro da Economia voltou a classificar a atual legislação trabalhista como um conjunto "fascista" de leis ultrapassadas que não serviriam mais para garantir o emprego dos mais jovens. "Queremos libertar os jovens de um regime obsoleto, atrasado e injusto, que não proporciona hoje emprego para eles", acrescentou.
Guedes lembrou que hoje mais de 46 milhões de trabalhadores brasileiros estão na informalidade, por causa dos altos encargos que incidem sobre a folha de pagamentos das empresas. "Cada emprego hoje custa dois porque os encargos são muito altos. Para cada jornalista contratado, há um desempregado", afirmou aos repórteres.
O ministro enfatizou que, no novo sistema, as empresas terão custo zero com a folha de pagamentos - atualmente as companhias pagam 20%. "A carteira verde e amarela é um sistema diferente, com empregabilidade grande. Haverá escolha entre um regime de muito direito e pouco emprego, e outro de pouco direito e muito emprego", acrescentou.
Sindicatos
Guedes ainda aproveitou para atacar as centrais sindicais que já combatem a ideia do governo do novo regime. "Interesses corporativos são falsas lideranças que aprisionaram o Brasil a uma legislação fascista de trabalho. Os presidentes dos sindicatos precisam ter paciência, mas devem saber que a vida deles não será tão boa como antes. Está saindo a velha política e entrando uma nova política", alfinetou o ministro.
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