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Problema da falta d'água deve ser resolvido para democratizar o acesso

Thadeu Abicalil, especialista Sênior em Água e Saneamento do Banco Mundial, avalia que o problema da água e esgoto no Brasil não se resolverá com o subsídio cruzado e sem um programa no tipo "Bolsa Água"

21:59 | 27/06/2017

O especialista Sênior em Água e Saneamento do Banco Mundial, Thadeu Abicalil, defendeu ontem uma nova matriz decisória para resolver o problema do acesso a água, ao saneamento e à segurança hídrica. No workshop conjunto entre Secretaria de Planejamento do Estado do Ceará (Seplag), Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e Banco Mundial, destacou que é preciso pensar uma série de ações para viabilizar não a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), mas o serviço de água e esgoto com segurança hídrica ao pobre, ao não pobre, ao usuário urbano, ao industrial e para o uso agrícola eficiente. Considera que é preciso decidir a melhor alocação dos recursos, que são escassos, e onde buscar mais economia.

 

Explicou que a tarifa cobrada pela Cagece hoje é incapaz de gerar o investimento de inovação da Cagece ou de qualquer outra empresa e que precisa ser revista. Segundo o especialista, essa abordagem do Banco Mundial, que está sendo discutida com o Governo do Estado, traz uma matriz bastante racional para mudar o padrão de decisão. "Para que a gente possa enfrentar os desafios simultâneos de acesso água, do seculo XX, com o desafio moderno da segurança hídrica do seculo XXI", considerou.

 

Thadeu Abicalil avalia que o problema da água e esgoto no Brasil não se resolverá com o subsídio cruzado e sem um programa no tipo "Bolsa Água". Explica que é preciso manter o princípio do equilíbrio, garantindo subsídio ao que não pode pagar mais. Afirma que hoje, no Brasil, na maioria dos casos o usuário industrial está pagando entre quatro e cinco vezes a mais o que paga o usuário residencial. Acrescenta que isso está expulsando o grande usuário do setor que vai buscar uma água mais barata em outra fonte. E ainda que tem uma parte do usuário residencial que paga abaixo do custo de produção, sendo também subsidiado. "Há grande espaço para melhorar a eficiência da alocação dos recursos, beneficiando os que precisam mais", ressalta.

 

O especialista informa que o Banco Mundial está trabalhando essa metodologia, chamada de cascata, que é uma forma simples de pensar a forma de investimento que deve ser financiado, por quem, e à partir das condições típicas daquele negócio ou daquele setor. "Vai definir onde devo maximizar meus com recursos públicos e trazer a iniciativa privada", diz, acrescentando que no caso da água, há sim, necessidade de usar os recursos das duas fontes. Abicalil observa que as mudanças climáticas têm um impacto direto no setor de águas. "É talvez o setor de maior vulnerabilidade no mundo e, particularmente, no Brasil", disse.

 

Adiantou que estudo do Banco Mundial mostra esses impactos e como eles vêm crescendo de forma acentuadanos últimos 20 anos, não só em número de municípios atingidos, mas o impacto econômico desses eventos. "Esses desastres, ao longo desse período, somam R$ 200 bilhões, numa estimativa conservadora, o que dá o tamanho do problema", comentou.

 

Thadeu disse que lidar com as incertezas de ter chuva e seca no mesmo território é o desafio. "Eu digo que é do século XXI: associar o desafio da pobreza, do acesso a um serviço de qualidade agora mais complexo, com a incerteza da mudança do clima que afeta a vulnerabilidade hídrica que afeta o mundo, o Brasil. Sobre o tema água e esgoto, o especilista disse que o Brasil avançou muito na década de 70. "Fez um enorme esforço mas ainda assim temos nove milhões de famílias que não têm acesso à uma fonte adequada de água, e 16 milhões de famílias sem acesso a uma solução mínima adequada de saneamento", avaliou. A partir da metade dos anos 1980 o País retrocedeu no que se refere aos resultados da política em água e saneamento.

 

Artumira Dutra 

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