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Vendas sobem 13% em shoppings de Fortaleza; setor vê espaço para crescimento no País

Diretora de operações da Abrasce, Adriana Colloca diz que expectativa do setor para este ano é de incremento de 5% nas vendas em todo o País, ante o ano passado

19:50 | 27/04/2017
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[FOTO1]Em 2016, as vendas em shoppings de Fortaleza cresceram 13%, enquanto que no País o incremento foi de 4,3%, informa Adriana Colloca, diretora de operações da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Ela esteve em Fortaleza participando do Fórum Regional Abrasce Nordeste, realizado no Seara Praia Hotel nesta quinta-feira, 27. Ao O POVO detalha que, apesar dos dois últimos anos de economia recessiva, a expectativa do setor este ano, em nível nacional, é crescer cerca de 5%.

Isto ante 2016, período em que as vendas totalizaram R$ 157,9 bilhões. Admite que a crise econômica impactou o setor. No Ceará, inclusive, não há previsão de lançamentos até o próximo dezembro, mas a demanda existe. Até que os cenários político e econômico se estabilizem, “esses projetos estão na gaveta”, diz. No Brasil, onde hoje operam 559 shoppings, projetos idealizados há mais tempo serão executados. A expectativa é que 23 centros comerciais do tipo sejam erguidos no restante do País até o final deste ano.   

 

O POVO - Quais as perspectivas para o mercado de shoppings este ano no Brasil e no Ceará especificamente?

Adriana Colloca - Hoje são 559 shoppings em operação no Brasil como um todo e o Ceará é o 10º Estado em número de shoppings, sendo 18 no Estado e 14 em Fortaleza. Aqui (na Capital cearense) houve um aumento de vendas de 13% no ano passado em relação a 2015 e duas inaugurações. Esse ano, não tem inaugurações previstas no Ceará, mas no Brasil sim, são previstos 23. Mas a perspectiva é de melhora, de aumento de vendas. A crise, de alguma forma, impactou o setor, assim como o varejo e outros segmentos, de uma forma geral, mas o setor (de shoppings) é resiliente, na medida em que conta com vários segmentos como fonte de renda. Eventualmente, se o vestuário não está indo bem, alimentação ou área de serviços estão indo; uma coisa acaba compensando a outra. Nesse sentido, o Brasil cresceu 4,3% (em vendas) em 2016. Comparado com outros setores e o próprio comércio varejista, o PIB (Produto Interno Bruto), na verdade, o desempenho foi até bom.  

 

O POVO - Quanto o setor espera arrecadar até o final de 2017?

Adriana Colloca - A gente tem o montante de vendas de R$ 158 bilhões em 2016 e a gente espera um crescimento de 5% pra esse ano. É algo em torno disso. Não temos o número exato de valor a ser arrecadado.

 

O POVO - A que você atribui o fato de Fortaleza ter obtido no ano passado um crescimento de vendas superior ao registrado no Brasil?

Adriana Colloca - Abriram shoppings aqui, alguns passaram por processo de expansão. Então, esses que abrem, têm nos primeiros anos um crescimento mais rápido porque partem do zero.

 

O POVO - Qual seria o perfil do cliente de shopping no Ceará?

Adriana Colloca - É um perfil um pouco diferente dos demais estados. O consumidor do Nordeste, especificamente, fica um tempinho mais longo no shopping. A média é de 70 minutos e para o consumidor daqui a média é de 76 minutos. Tem ligeiras variações em relação ao tempo médio de permanência no shopping e grau de escolaridade.

 

O POVO - Em 2016, vimos surgir novos empreendimentos (Grand Shopping e RioMar Kennedy) em áreas não consideradas nobres, em Fortaleza e Região Metropolitana. A senhora acha que essa migração para regiões mais periféricas das cidades é uma tendência a ser seguida pelo setor?

Adriana Colloca - Sim, a gente tende a ampliar operações em regiões periféricas. Isso um pouco como tendência, porque as outras regiões já tinham seus shoppings, e um pouco em resposta porque há três anos havia uma classe C emergente. Então, os empreendimentos também foram surgindo para irem se adequando a esse tipo de público. Isso é só um pouco do que acontece na sociedade e os shoppings vão respondendo a isso. Logo, acabam surgindo shoppings temáticos, como outlets, shoppings especializados em classe AB, BC e assim por diante.

 

O POVO - A falta de perspectiva de lançamentos no Ceará é um indicativo que a crise econômica ainda impacta ou é porque já estamos bem servidos de shoppings?

Adriana Colloca - Como os investimentos nos projetos são grandes, eles têm um tempo de planejamento de dois a quatro anos, dependendo da região e licenças necessárias, pra entrar em operação. Depois desses dois anos de crise, a gente vai começar a ver o seu efeito em 2018, 2019, por aí à frente. Os que inauguram hoje, esses 23, foram projetados quando o mercado estava em um bom momento. Em Fortaleza, acabaram surgindo alguns shoppings ao mesmo tempo porque existem bolsões em regiões específicas onde ainda há demanda para novos empreendimentos, mas projetos estão na gaveta. Isso até a gente observar melhor confiança por parte do empreendedor, do lojista.

 

O POVO - O que o shopping tem de atrativo ao consumidor em relação às lojas de rua, por exemplo?

Adriana Colloca - Um diferencial dos shoppings é a praticidade pelo fato de ter sempre no mesmo lugar praça de alimentação, lojas para toda a família, serviços, academia, estacionamento, ou seja, toda a conveniência em um mesmo lugar. A segurança também é importantíssima hoje nas grandes cidades. A climatização aqui acaba sendo ótima e, além disso, a gente tem muitas pesquisas que apontam que o shopping, mais e mais, tende a não ser só um centro de compras, mas um lugar onde as pessoas vão se encontrar, desestressar, ver vitrines e usar os serviços.

O POVO - Esses encontros que devem ser mais explorados estão ligados à experiência. Como os shoppings se articulam hoje para proporcionar essas experiências?

Adriana Colloca - Isso é uma tendência mundial até como resposta à ameaça de e-commerce (comércio eletrônico). É muito fácil você entrar na Internet e comprar um livro. Mas o fato de ir à livraria, pegar o livro, folheá-lo, sentir o cheiro, sentar num pufe, isso é uma experiência. Os shoppings têm se esforçado, em parceria com os lojistas ou não, para criar essas experiências, com cheiros, têm eventos, aula de dança, pensam em mil e uma parcerias com fornecedores, distribuição de brindes, degustação de produtos... É uma coisa comum e que mais e mais todos os lojistas, se possível, vão agregar para se diferenciar do e-commerce e do concorrente.

 

O POVO - Além de se colocar como um local de experiências, o que os shoppings têm feito para concorrer de igual para igual com o e-commerce?

Adriana Colloca - O e-commerce hoje cresce no Brasil, mas ainda não é uma ameaça, tem problemas nos Correios. E os shoppings crescem a um nível rápido também. Hoje os shoppings veem mais e-commerce como ajuda, na medida em que você pode pesquisar lá os preços e ver no shopping como é o produto. Então ele efetivamente não atrapalha. Agora, alguns grupos têm estudos e iniciativas no sentido de entender como o shopping pode ser ainda mais interativo e como o e-commerce pode ajudá-lo ainda mais.  

 

O POVO - O fórum realizado pela Abrasce tem como prática discutir novidades do setor. A senhora poderia citar algumas delas?

Adriana Colloca - No quesito tendências, a gente pode falar das iniciativas de sustentabilidade, que na verdade são medidas que o setor se preocupa há algum tempo, pensando em economia de custos e no melhor uso dos recursos naturais. (Os shoppigs) são polos que consomem muita água, geram muito lixo, usam muito energia e a preocupação é maior, já que os recursos ficam cada vez mais caros. Então, os empreendimentos novos saem muito especializados pra usar bem esses recursos.

Outra grande tendência é de muitos restaurantes melhores - que não sejam fastfoods - e de mais longa permanência nas praças de alimentação. Ainda opções de lazer e serviço dentro do shopping: quem não tem cinema, quer pôr; quem não tem teatro, quer ter. Além de outras opções dentro do parque, eventos, lazer para crianças, etc. Uma tendência é também ter cada vez mais diferentes tipos de serviços como laboratórios, emissão de documentos de passaporte ou universidades. A criatividade é sem limites nesse sentido. Mais serviços acabam trazendo mais fluxo para dentro dos shoppings e é bom pras duas partes.

Em termos de construção e arquitetura, ao contrário de antigamente, se explora mais a iluminação natural. O shopping como caixa fechada para o consumidor não ver que estava anoitecendo e passar mais tempo lá dentro não existe mais. Quanto mais contato com a natureza, mais paisagismo e área aberta, melhor. O shopping é sempre como um resort, é multiuso.

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