PUBLICIDADE
Notícias

Real deve ser desvalorizado sob ''efeito Trump'', prevê secretário

Para o secretário, a eleição de Trump criou uma %u201Cincerteza brutal%u201D.

07:51 | 22/11/2016
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fábio Kanczuc, afirmou na última segunda-feira, 21, que um dos impactos para o Brasil da eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos deve ser a depreciação do câmbio, ou seja, a desvalorização do real frente ao dólar. Kanczuc disse, porém, que, por enquanto, não estão claros quais serão os efeitos do governo Trump sobre o crescimento da economia brasileira.

“Já houve um pouco desse movimento, de o real perder [valor] para o dólar. O impacto sobre o crescimento econômico [do Brasil] não é claro. A priori, o melhor cenário é que o câmbio vai estar mais desvalorizado e o crescimento se mantém da mesma forma”, disse Kanczuc, na entrevista coletiva em que anunciou piora das projeções do governo para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e 2017. 

Para o secretário, a eleição de Trump criou uma “incerteza brutal”. “Ele falava muita coisa, e a gente não sabe, exatamente, o que vai ser implementado”, comentou. No entanto, segundo Kanczuc, duas linhas básicas de efeitos podem ser antecipadas.

Uma delas é a redução - ou interrupção do crescimento - do comércio dos Estados Unidos com os demais países, o que prejudicaria o crescimento norte-americano. A outra é uma potencial compensação dessa redução, em razão dos investimentos em infraestrutura anunciados por Trump.

O segundo efeito poderia contribuir para aumentar os preços do minério de ferro, commodity (produto primário com cotação em mercados internacionais) exportada pelo Brasil. Assim, a desvalorização do real também poderia ser atenuada.

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, também comentou a eleição de Trump na última segunda-feira, no Rio de Janeiro. Ele disse que o resultado trouxe mais um elemento de incerteza para os mercados. Goldfajn ressaltou, porém, que o BC monitora de perto o desenvolvimento dos mercados internacionais para não permitir efeitos dos “choques externos” na estabilidade macroeconômica.
 
Agência Brasil 

TAGS